Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & OPINIÃO

Liberdade para quê?

Por Rodrigo Galdino em 28/05/2011 na edição 643

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, “comemorado” em 3 de maio, reflete o paradoxo da sociedade contemporânea. De um lado está a decisão do Superior Tribunal Federal que, em 2009, pôs fim à obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. De outro, a evolução das tecnologias digitais que, a cada dia, permitem que o cidadão comum possa produzir seu próprio conteúdo.

Diante disso, alguns podem pensar que a decisão do STF foi acertada, já que a elaboração de notícias, na atualidade, não é (e nem pode ser) privilégio dos jornalistas. No entanto, não se pode confundir a tão alardeada liberdade de expressão com o exercício de uma atividade que, desde Gutenberg, possui relevância social de destaque. Afinal, jornalistas medeiam o quotidiano da sociedade moderna.

As especificidades da nossa “profissão-repórter” são muitas e ultrapassam a mera emissão de opiniões sobre temas relevantes. Ser jornalista vai muito além de presenciar uma notícia “no susto” e postá-la na internet, para que todo o mundo tenha acesso. Jornalismo exige técnica, responsabilidade social, poder de síntese e sensibilidade para o “outro”. Atributos que podem ser cultivados na academia. Não se trata de contradição a defesa da democratização dos meios de comunicação (aqui incluindo a existência de veículos comunitários e independentes) e, ao mesmo tempo, o repúdio ao fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade jornalística. Pois é preciso destacar que, tão importante quanto a sonhada liberdade de imprensa é o respeito e a valorização do ofício de repórter.

Juntos na mesma luta

Um médico estuda seis anos e, após graduado, tem o direito de exercer o importante ofício de cuidar da saúde alheia. Mas a existência e a obrigatoriedade do diploma de Medicina não impedem que os nossos avós nos “receitem” aquele chazinho, produzido com ervas do quintal. Advogados ainda precisam de diploma para trabalhar, apesar da existência dos despachantes. Por que é diferente com o jornalismo?

Falar em liberdade de imprensa num país que sofreu, até o final dos anos 80, com a ditadura militar, é no mínimo emblemático. Mas é preciso encarar com seriedade o assunto. Pois jornalistas querem liberdade para apurar suas notícias, sem censura. Mas também querem usufruir desta mesma liberdade no momento em que, diplomados, decidam trabalhar em projetos que priorizem a democratização dos meios.

O cidadão deve ter o direito de expressar sua opinião e produzir conteúdos, pois os jornalistas não querem reserva de mercado. Mas, para que a sociedade possa ser informada de maneira coerente, é preciso que o diploma seja obrigatório. Pois só assim haverá espaço para que WikiLeaks, Folhas, Globos e Tribunas atuem no mesmo patamar. Juntos na mesma luta, por liberdade de imprensa, de expressão, de opinião…

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