Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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FEITOS & DESFEITAS >

Limitações da imprensa interiorana

25/08/2009 na edição 552

Hoje [18/08/09], antes do raiar do sol, a cidade de Uruaçu (GO) foi acordada com um foguetório daqueles. Não sabendo do que se tratava, resolvi consultar o Jornal da Cidade (JC). Para minha surpresa, tratava-se do aniversário do prefeito, de acordo com a ‘agenda política’ dele. A comemoração, que se iniciou cedo, não tem hora para terminar. Quem paga a conta eu não sei. Sei que o jornal de jornalismo não tem nada, é panfletagem pura. Não bastasse isso, nós, pessoas sensatas, somos amordaçados, sem espaço para questionar tantas festas – é o que se evidencia no mandato do tal prefeito.

O JC publicava meus textos, até que um dia escrevi criticando o presidente da Câmara Municipal. O tal texto carecia de R$ 600 para ser publicado, mas faziam-me a um preço simbólico, R$ 150. Recusei-me a pagar. Para piorar, o JC sugeriu que eu inserisse no texto as ‘benfeitorias da nova gestão’. Argumentei que estávamos em abril e eu desconhecia ‘benfeitorias’. O jornalista chamou-me de dissimulado, fingido, simplório, tudo porque, segundo ele, eu ignorava o sucesso do Carnaval e da Páscoa na cidade – prefeito pão e circo, mas falta o pão. Resolvi encerrar a troca de farpas e cancelar minha assinatura do JC. E assim a censura tem se instalado na imprensa interiorana; não há espaço para a palavra crítica. Fica a pergunta: isso é jornalismo ou mordaça interiorana?

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Se qualquer pessoa aceder às páginas de seleção de imagens do UOL com o título ‘Olho Mágico’ vai perceber inúmeras fotos de soldados em ação ou fazendo uso de armas nos recentes conflitos do Oriente Médio. Estas seleções escolhem as imagens, penso, por um critério estético. É possível ver estas imagens sem pensar nos seus significados? Há beleza na guerra? Existe Estética sem ética? Onde está a responsabilidade do editor? (Paulo Nin Ferreira, professor, São Paulo, SP)

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‘O Observatório da Imprensa é uma ilha de aprendizado no mar de ignorância da mídia brasileira’. Sou professor de História e uso os seus artigos para fazer os alunos pensarem a respeito da mídia e sua influência na sociedade. Parabéns, vocês me dão esperança e força para continuar o meu trabalho de mediador de conhecimento. (Luiz Antonio Maiolo, professor, Jales, SP)

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A atitude do jornalismo da TV Bandeirantes de se posicionar a favor dos ruralistas na questão do decreto que aumenta a produtividade para os donos de terras é uma afronta aos princípios éticos da imprensa. Os aplausos da bancada ruralista ao jornalistas da Band é uma vergonha. Espero que o Observatório da Imprensa tenha observado esse triste episódio para a imprensa brasileira. (Leo Carneiro, empresário, Belo Horizonte, MG)

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Caros colegas do Observatório, agradeço a divulgação do problema pessoal que estou passando, que também é uma agressão à liberdade de imprensa. Aproveito para informar que permaneço ‘escondido’, fora de casa, em função da permanência das ameaças e falta de providências das autoridades. (Fabrício Ribeiro Pimenta, jornalista, Serra, ES)

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Professor, Uruaçu, GO

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