Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENTRE ASPAS > SENHORA DO DESTINO

Luiz Carlos Merten

15/03/2005 na edição 320

‘Mas o que é isso, companheiro? Aguinaldo Silva caprichou ao longo de toda a novela Senhora do Destino. Conseguiu o prodígio de desenvolver uma trama sem barrigas, o que significa que, desta vez, os telespectadores não tiveram de agüentar aquela dezena (ou mais) de capítulos quando os autores esticam seus enredos só porque a novela tem de ter um certo número de capítulos, mas eles não têm material para preenchê-los. Aguinaldo só errou justamente no último capítulo, que deveria ter sido o fecho de ouro de sua novela que já entrou para a história.

Ele nunca deu tantas entrevistas na vida. TV, jornais, revistas, para todo lado que você olhasse (para ler)., lá estava o Aguinaldo dando explicações sobre o sucesso de Senhora do Destino. Foi isso! O cara deu tanta entrevista que não teve tempo de se dedicar ao último capítulo. Pura preguiça? Com a partida ganha, ele achou que não seria preciso jogar para o público. O resultado não foi outro – já sabendo de quase tudo que ia ocorrer (a imprensa noticiou em detalhes), o público migrou. Senhora do Destino teve 65 pontos de audiência na quinta, no penúltimo capítulo, e 60 no último. Se Aguinaldo tivesse acertado a mão, o recorde teria sido do último.

Senhora do Destino, como bom folhetim, veiculou realidade e fantasia em doses harmônicas. O público, afinal de contas, quer sonhar, não delirar. Houve detalhes ótimos no último capítulo, como Nazaré indo parar no acampamento de sem-terra, que Aguinaldo Silva considera a ante-sala do inferno. Todas as frases preconceituosas da personagem ajustavam-se ao modelo de vilã que ela criou, mas aí começaram certas inverossimilhanças excessivas, mesmo para folhetins. Para justificar o seqüestro do bebê, ele criou um tal de cansaço coletivo que levou todas as personagens da trama a uma sesta providencial, durante a qual a besta-fera roubou a criança. Que cochilada feia, Aguinaldo! Logo em seguida, ele também despachou os sem-terra para uma providencial manifestação, deixando o acampamento sozinho para a dupla de vilões.

Se o texto teve seus tropeços, a realização, então, nem se fala. A Globo pode ser ótima, maravilhosa, a Hollywood dos trópicos, mas se há uma coisa que raros de seus diretores sabem fazer é perseguição policial. A perseguição a Nazaré, com o bebê, foi de doer. Mal filmada, sem ritmo, não produziu um mínimo de tensão. O próprio suicídio teve lá seus senões. Nazaré foi uma peste a novela inteira. No último momento, Aguinaldo Silva resolveu redimi-la, de certo convencido de que brasileiro (o povo) é bonzinho e o público tudo perdoa. É mais ou menos como se, no bunker, Adolf Hitler tivesse caído na real e pedido desculpas. Não pode. Veja que o público chamava Nazaré de Naza. Tinha ou não tinha a ver com ‘nazista’?

Independentemente da decepção que foi o último capítulo, em si, como espetáculo, Senhora do Destino virou um marco na história da telenovela e não apenas por sua vilã, que Renata Sorrah criou com competência digna de Bette Davis. Tem a ver com a mistura de realidade e fantasia proposta pelo autor. Se Aguinaldo tivesse ficado só na realidade, teria feito um documentário e o público até poderia gostar – o gênero está em alta -, mas com certeza não teria sido este estouro. A fantasia, própria do folhetim, foi decisiva, na medida em que não tirou o pé da novela da realidade.

Gravidez na adolescência, violência contra a mulher, tudo isso aproximou Senhora do Destino do cotidiano de amplas camadas da população brasileira. O mais belo de tudo foi a homenagem à migrante nordestina em Maria do Carmo. Ela foi inspirada na mãe de Aguinaldo Silva, como poderia ter sido na mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros milhões de nordestinos espalhados por esse País. Uma mulher forte, decidida, do bem, que lutou, fortalecida por convicções éticas, para atingir seus objetivos. A cena de Maria do Carmo à mesa, com todos os filhos, noras, genros e netos, foi emocionante. O Brasil que luta para dar certo se viu ali, por um momento, na tela da TV.’

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‘Nazaré passa a ser agora a mãe de todas as vilãs’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/03/05

‘Todo mundo já viu as fotos de Nazaré atirando-se na cachoeira, no desfecho de Senhora do Destino. Aguinaldo Silva diz que escolheu esse final como forma de redenção da personagem de Renata Sorrah. Ela salta para a morte para subir ao céu – e o duplo movimento é coisa de cinema. Robert Bresson fez dele o destino da sua Mouchette, no clássico dos anos 1960. Seja como for, é bom postar-se hoje diante da TV para descobrir se será esse mesmo o fim da vilã mais malvada que assolou a telenovela em anos recentes. Parece anticlimático entregar de bandeja o que vai acontecer. Um pouco de suspense quanto ao destino de Nazaré ajudaria a incrementar a audiência do último capítulo.

O autor quer redimi-la. Redenção para Nazaré? Vai, peste, coisa-ruim. Havia telespectadores que já antegozavam o castigo. Outras vilãs da telinha até conseguiram dar o pulo do gato, mas não pegaria bem, no atual estágio da sociedade brasileira, Nazaré se sair bem. Ela precisa ser punida exemplarmente para que o público possa dormir em paz nesta sexta-feira e a Globo arrotar novo recorde de audiência. Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, em conversa com seu discípulo François Truffaut – Hitchcock Truffaut, da Cia. das Letras -, explicava que a excelência de um thriller depende muito do vilão. Quanto pior ele for, melhor será para o filme. Foi uma lição que Aguinaldo Silva absorveu. Ele pode não ser tão cinéfilo quanto Sílvio de Abreu ou Gilberto Braga, mas também busca seus estereótipos no cinemão. O que seria das novelas sem Hollywood?

Daniel Filho, que entende do assunto, gosta de dizer que novela boa tem de ter mãe sofredora – e a mais sofredora de todas as mães foi aquela que Barbra Stanwyck interpretou em Stella Dallas, de King Vidor, de 1937 (Mãe Redentora, no Brasil). A Do Carmo de Suzana Vieira encarna o modelito e a dúvida do telespectador é saber com quem ela fica esta noite. Assim como torce pelo bem de Do Carmo, o público mal pode esperar para ver Nazaré arder nas profundezas do inferno. Só um parêntese – estréia hoje Constantine, com Keanu Reeves. Lá pelas tantas, o anti-herói diz à cética heroína Rachel Weisz que Deus e o Diabo fizeram uma aposta para ver quem fica com a alma dos homens. No caso de Nazaré, o Diabo ganhou de lambuja.

Renata Sorrah já fazia parte da história da telenovela, com muitas grandes personagens, mas agora se excedeu. Nazaré não é só a mais pérfida e malvada das vilãs. É a mais galinha, a mais promíscua e, até por isso, as pacatas donas de casa que se divertiam com suas proezas sexuais agora precisam vê-la arder pelos seus pecados (até na cama) para não ficarem tendo idéias. O modelo de todas as malvadas, você sabe, é Bette Davis, mas é difícil explicar como, no filme que recebeu este título no Brasil, a vilã é a Eva de Anne Baxter. Eva, coitada, era aprendiz de feiticeira em relação a Nazaré.’



Cristina Padiglione

‘O fim da campeã de audiência’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/03/05

‘‘Ficção é mentira, é um território no qual o autor é Deus e onde ele tudo pode.’ A frase é do deus em questão, Aguinaldo Silva. É assim que ele justifica ao Estado que não sente obrigação alguma em ser coerente ao tempo de sua novela. ‘O tempo no qual se passa a minha novela foi o tempo que eu quis.’ Quem mandou perguntar? Esqueça a juventude de Carolina Dieckmann para alguém que era bebê em 1968 e já desfruta da tecnologia dos dias correntes. Afinal, quem se importa? ‘Os telespectadores não deram a mínima para isso’, completa Aguinaldo. De fato. A audiência não nega.

Novela que se preza tem sempre sua versão de Cinderela. No folhetim que acaba hoje, a Gata Borralheira é nordestina. Como o autor do enredo e o presidente Lula, a Maria do Carmo de Suzana Vieira deixou Pernambuco em busca de dias melhores no sul-maravilha. Para Aguinaldo Silva, o sucesso de audiência de sua novela está bem aí: na chance de o telespectador se enxergar na tela. Nem todo nordestino faz fortuna como Do Carmo, mas os migrantes que vencem na vida são em número grande – maior do que os exemplos apresentados sempre como meras exceções.

Quando o indivíduo se vê na novela das 9 – que a Globo ainda chama como ‘das 8’ – o ibope não dá ponto sem nó. É assim que Senhora do Destino fecha hoje seu 220.º capítulo com média de pelo menos 50, 48 pontos, patamar atingido na última terça-feira na Grande São Paulo. São pelo menos 4 pontos à frente dos últimos enredos bem-sucedidos do horário, Celebridade, Mulheres Apaixonadas e O Clone.

Pergunte a Aguinaldo se houve algo que ele gostaria de ter feito nesta novela e não pode. ‘Houve, sim, eu queria ter ganho mais três semanas de novela para que a minha média de audiência chegasse a 52’, disse-nos ele, após o capítulo de terça-feira, quando Senhora atingiu 50,48 pontos de saldo, ‘embora tenha enfrentado horário eleitoral em dois turnos, olimpíada, horário de verão, Natal, ano-novo e carnaval, situações em que a audiência baixa desastrosamente.’

A última vez que a Globo alcançou esse estágio em uma novela no horário foi em 1997, com A Indomada, do mesmo Aguinaldo Silva. Em 1996, O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa, somou os 52 que Silva almejava fazer com Senhora. De todo modo, em 1996 e 1997, 1 ponto de audiência equivalia, segundo o Ibope, a 40 mil lares na Grande São Paulo – 9,5 mil a menos do que hoje.

ENREDO UNIVERSAL

É certo que Senhora do Destino tenha provocado identidade com a platéia e que este seja um folhetim ‘100% brasileiro’, como diz o autor. Mas o enredo de uma mulher que seqüestra um bebê e o cria como se fosse seu é um tema que comove qualquer cidadão em qualquer lugar do planeta – isso explica as expectativas para a exportação da novela.

O interesse do público pelo assunto era batata, antes mesmo da estréia – vide o largo espaço que a mídia dedicou ao caso Pedrinho, similar de Lindalva/Isabel (Carolina Dieckmann), seqüestrado em Goiás por Vilma Martins. Pela causa em questão, e por Renata Sorrah, niguém pautou mais as conversas sobre o folhetim do que a megera Nazaré Tedesco.

Giovanni Improta (José Wilker), bicheiro do bem, fez a alegria de letrados e analfabetos ao tropeçar com graça na língua portuguesa. O resultado de tanta empatia é que a novela acaba, mas Giová nem tanto: o personagem pode ganhar sobrevida num futuro seriado.

Pelo menos um item deste último capítulo nos remete ao fim de Celebridade, a novela anterior, de Gilberto Braga: um bebê em risco nas mãos da mulher má. Laura seqüestrava a bebê de Maria Clara (Malu Mader), devidamente salvo antes que ela fosse assassinada. E Nazaré, claro, entregará o bebê de Isabel antes de se suicidar. Afinal, isso é novela das 9.’

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‘Especialistas explicam o sucesso’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/03/05

‘Entre as razões, a péssima qualidade dos demais programas na telinha Diante dos altos índices de audiência da novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, exibida pela Globo, o Estado ouviu a opinião de intelectuais e dramaturgos sobre as razões do sucesso do folhetim.

Walcyr Carrasco, autor de Chocolate com Pimenta – É o talento do Agnaldo Silva para conduzir uma trama, a excelente direção do Wolf Maya e o carisma de grandes atores, como a Suzana Vieira e a Renata Sorrah.

Lauro César Muniz, autor de O Salvador da Pátria – Senhora do Destino foi exibida num momento em que as demais novelas da emissora são muito fracas: a das 6 e das 7, no ar, são dois retumbantes fracassos. A reprise recente do Vale a Pena Ver de Novo foi um desastre. Até a minissérie no ar não corresponde às expectativas. No fundo, há uma grande crise de qualidade neste momento. Ao grande público, apaixonado pelas novelas, restou uma única opção: Senhora do Destino. Sem ser a melhor novela do Aguinaldo, ainda assim é nitidamente superior aos demais trabalhos. O público agarrou-se à única.

Laurindo Leal Filho, professor do departamento de Jornalismo da ECA/Universidade de São Paulo – A idéia dos folhetins surgiu entre os séculos 18 e 19, com grandes obras literárias publicadas nos jornais. Esta forma de seduzir o público já é consagrada e a TV soube usá-la muito bem. Começou com a Tupi e mais adiante a Globo transformou a novela em um de seus produtos mais importantes, soube trabalhá-lo profissionalmente, investiu alto, reuniu grandes atores, diretores e autores, além de usar tecnologia de ponta. Não há na TV brasileira produto tão bem-acabado. Agora, temos também de olhar para a programação de toda a TV aberta e observar o que é oferecido ao telespectador. Não há concorrência. Não existe um produto com a mesma qualidade técnica. Esta pode ser uma explicação para os índices de audiência. Numa situação hipotética, se uma emissora investisse o mesmo em um documentário, por exemplo, aqueles que não gostam de novela teriam uma alternativa e, mesmo assim, a novela também teria o seu público fiel.

Maria Lourdes Motter, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Telenovelas da USP – Senhora do Destino focaliza o drama presente no cotidiano. Qual a mãe que não se sente insegura de trocarem ou roubarem o seu bebê na maternidade? As dúvidas e as angústias ligadas à relação entre mãe e filho são elementos fortes. Aguinaldo partiu de um fato rumoroso que mexeu com a opinião pública, o caso Pedrinho. Além dessa temática forte, traz a questão da miséria do retirante nordestino, a necessidade de garantir a sobrevivência. A Maria do Carmo é uma personagem forte, uma mulher que venceu com garra, por ela mesma, com muita dignidade. Esta é uma ficção bem-feita, que traz elementos da realidade, além de possuir uma boa dose de humor. Como a vilã Nazaré, uma bruxa trapalhona e infantilóide, mas que enche a novela, mantém a atenção do público o tempo todo. Além de abordar questões sérias como a corrupção, as drogas, a gravidez na adolescência e suas conseqüências. Aguinaldo conseguiu na ficção incorporar elementos da realidade na medida certa.

Renata Pallottini, professora do departamento de Artes Cênicas da USP – Aguinaldo Silva sabe dialogar com o público e sabe construir muito bem seus personagens e teve a sorte de encontrar atores que deram muito certo, como o José Wilker e Renata Sorrah. Giovanni, interpretado por Wilker é um infrator regenerado, bom e divertido. Já Nazaré mistura a criminalidade com o humor e o ridículo. Sem contar em Ítalo Rossi, o mordomo Alfred, um grande ator quase esquecido, que começou na trama de maneira acanhada, conquistou seu espaço e mostrou o grande talento que possui. Já Maria do Carmo é uma heroína realista, uma mãe justiceira, fora dos padrões, foge do estereótipo de mãe caridosa. Creio que tenha sido inspirada em Mãe Coragem, de Bertolt Brecht. Para quem leva novela a sério, como eu, sempre há uma esperança de que alguns assuntos sejam mais discutidos pela sociedade, como as conseqüências da gravidez na adolescência, a educação e o futuro dessas crianças que crescem sem família. Ou mesma a união homossexual. Aguinaldo conduziu com dignidade o tema, primeiro mostrou cada personagem em sua vida pessoal para, depois, mostrar a união, um contrato, como é qualquer casamento.’

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‘‘Nazaré ainda vai assombrar o público por muito tempo’’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/03/05

Foi só ao reler o último capítulo da novela que Aguinaldo Silva se deu conta de que o suicídio de Nazaré será, para a personagem, uma redenção, não um castigo. E explica por que esse poderá ser considerado o primeiro ‘gesto nobre’ da vilã. A seguir, a entrevista que deu ao Estado por e-mail, na quarta:

Enquete do portal do ‘Estado’ e pesquisa feita pelo instituto Qualibest indicam que o público quer que Do Carmo fique com Giovanni. Você fará a vontade do público?

Não. Embora eu seja de opinião que a vontade do público é que deve prevalecer, já que ele é o maior co-autor da novela, desta vez vou bancar o Fidel Castro e fazer valer, nem que seja a ferro e fogo, a minha opinião. O problema é que continuo indeciso!…

Você comentou que ‘a Globo’ decidiria o final da história. Quem representa, digamos, a entidade?

Nesse caso, a mágica entidade que eu denominei de ‘Globo’ é formada por duas partes: o autor e o diretor da novela. O Wolf Maya é, a essa altura, por absoluto merecimento, a única pessoa que pode me influenciar na decisão. Se eu for o Fidel Castro, ele será o irmão deste, o Raul…

Você diz que não há nada mais velho que o capítulo da novela que acabou ontem. Acredita que Nazaré já estará livre da imaginação do público na segunda-feira?

Não. Nazaré é uma assombração que vai rondar os sonhos de muita gente durante muito tempo. Mas claro que haverá alguns amigos da onça da mídia que logo tratarão de esquecê-la para dizer que boa mesmo, na carreira de Renata Sorrah, foi Heleninha Roitmann.

Por que fazer Nazaré despencar da cachoeira de Paulo Afonso?

Nazaré pula porque desiste de Isabel e sua filhinha. O que Nazaré faz no final da novela pode ser considerado, finalmente, ‘um gesto nobre’. Ela sabe que enquanto viver não dará trégua àquelas duas, e por isso acaba com a própria vida, para que Isabel e a filha possam viver em paz. É engraçado, porque só percebi isso esta semana, depois de reler o último capítulo, e estou dizendo isso pela primeira vez: a morte, para Nazaré, é um castigo, mas já que ela é quem se mata, é também uma redenção.’

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‘Com quem será?’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/03/05

‘Destino sentimental da protagonista Do Carmo será decidido na última hora

A pedido do Estado, Aguinaldo Silva descreveu alguns dos desfechos reservados para hoje. ‘O capítulo será dividido em três partes: Belém de São Francisco (onde a novela começou), o casamento de Do Carmo e os desfechos das várias histórias que ficaram pendentes’, conta o autor.

Dirceu casa-se com Do Carmo ou se acerta com Guilhermina (Marília Gabriela) – se não ficar com o jornalista, ela viajará para Paris com Giovanni.

Viriato (Marcello Anthony) volta do seu curso de chef de cozinha em Paris e encontra Duda (Débora Falabella) no aeroporto. Os dois refazem suas juras de amor e o beijo deles é a penúltima cena da novela. Viviane (Letícia Spiller), já de caso com o senador Victorio Vianna (Lima Duarte), encontra Nalva (Tânia Calil) num banheiro do Congresso Nacional, já que esta agora é a senhora Thomas Jefferson Bezerra (Mário Frias). Viviane sai dali para uma recepção em que estará o presidente da República e, segundo o senador, ‘louco pra conhecê-la’.

FOME ZERO

‘Sabe-se que Bianca (Marcela Barroso) será eleita no futuro a prefeita mais jovem do Brasil (de Vila São Miguel, claro), e Lady Daiane (Jéssica Sodré) será a primeira brasileira a ganhar um Prêmio Nobel (da Paz), por sua campanha pela paternidade responsável e controle da natalidade que, ao contrário do assistencialista Fome Zero, vai contribuir para resolver o problema da fome no Terceiro Mundo’, continua.

Leandro (Leonardo Vieira) e Cláudia (Leandra Leal) não se casam, vão morar na casa de Nazaré e, no futuro, terão muitos filhos. Plínio (Dado Dolabella) e Angélica (Carol Castro), reconciliados, têm o primeiro herdeiro e logo encomendam outro.’



Isabelle Moreira Lima

‘‘Senhora’ chega ao fim com tom ufanista’, copyright Folha de S. Paulo, 12/03/05

‘‘Belém de São Francisco, Baixada Fluminense. É o Brasil, minha gente. E é o melhor lugar do mundo para viver, trabalhar, amar e ser feliz.’ Com a frase em tom ufanista, proferida pela heroína Maria do Carmo Ferreira da Silva (Suzana Vieira), Aguinaldo Silva encerrou a saga de ‘Senhora do Destino’ ontem, às 22h30.

O último capítulo da novela não conseguiu bater mais um recorde de audiência, ficando com média de 60 pontos e 83% de share (participação), medidos pelo Ibope. O recorde da novela foi atingido anteontem, com 65 pontos. Um ponto no Ibope representa 49,5 mil domicílios na Grande SP.

Um dos momentos mais marcantes do capítulo foi quando a vilã Nazaré (Renata Sorrah) jogou-se da ponte sobre o rio São Francisco na altura em que corta Belém de São Francisco, em Pernambuco. Depois de devolver a filha de Isabel (Carolina Dieckmann), a vilã esperava provar seu amor pela falsa filha com o ato.

Outro ponto alto da novela foi o casamento da protagonista com o ex-bicheiro Giovanni (José Wilker). Do altar, a heroína literalmente pediu permissão a seu ex-amor, Dirceu de Castro (José Mayer), para casar-se com Giovanni.

O último capítulo foi marcado por frases e expressões de efeito da vilã Nazaré, como ‘achado não é roubado’, para justificar o seqüestro da criança, e ‘uma raposa linda, loira e felpuda’, que usou como auto-elogio. Também foram repetidas exaustivamente expressões da protagonista como ‘estou varada de fome’ e a interjeição ‘Ave Maria!’.

Aguinaldo Silva não poupou o telespectador de ‘emoções fortes’, com direito a choro da mocinha Isabel, suspense sobre quem finalmente seria o noivo de Maria do Carmo e até perseguição.’



Wagner Martins

‘Qualquer semelhança não é mera coincidência’, copyright Folha de S. Paulo, 12/03/05

‘O destino final do prefeito Reginaldo, personagem interpretado pelo ator Eduardo Moscovis na novela ‘Senhora do Destino’, certamente foi o maior toque de ficção na obra de Aguinaldo Silva. Político corrupto, acabou apedrejado em praça pública pelos seus eleitores.

O delírio do autor deve ter provocado calafrios em muita gente, e não faltaram críticas ao personagem, protótipo do caudilho da Baixada Fluminense.

Mas como um prefeito da região reagiria caso seus eleitores começassem a enxergar uma semelhança entre a obra de ficção e a vida real?

Para descobrir a resposta, simulamos um e-mail de um cidadão indignado com a Rede Globo, pois a novela estaria usando o Reginaldo para debochar do prefeito de seu município. No texto, ele expressa o seu apoio ao governante e promete mobilizar mais cidadãos para se juntarem a ele nesse protesto:

‘Não iremos deixar que essas comparações de nossa cidade com o ‘fictício’ município de Vila São Miguel passem em branco. (…) Digam ao prefeito que sou extremamente solidário com essa injustiça. E que ele pode contar conosco sempre. Que o nosso Brasil e a mídia deixem de lado essa hipocrisia e acusações veladas. Não gostamos nem um pouco de ver nossa cidade vítima de um verdadeiro deboche em rede nacional.’

Entrar em contato com as prefeituras não é fácil. Quase todos os e-mails de contato não são oficiais, mas de sites gratuitos. Alguns mal são divulgados. Apenas cinco municípios tentaram de alguma forma acalmar o pobre cidadão revoltado. Alguns de maneiras bem previsíveis, outros mais inusitados. Às respostas:

MESQUITA – Não acreditamos que seja intenção da Rede Globo de Televisão desmoralizar o nosso município. Devemos salientar que uma novela, apesar de vivenciada em uma cidade real, é composta com personagens fictícios e só deve ser encarada como entretenimento. Agradecemos a sua solidariedade com o nosso governo e aproveitamos o ensejo para lembrá-lo de pagar em cota única o seu IPTU até o dia 10 de março, com 10% de desconto.

SÃO JOÃO DE MERITI – O nosso prefeito Uzias Mocotó não tem nenhuma ligação com o prefeito Reginaldo da novela ‘Senhora do Destino’.

GUAPIMIRIM – Muito obrigado pelo seu contato. É sempre bom ver cidadãos, como você, interessados na busca de seus direitos e mobilizados politicamente. Porém, temos que informá-lo que Guapimirim não fica na Baixada Fluminense, mas no início da região serrana. Boa sorte na sua luta e não deixe de nos fazer uma visita quando puder. Nosso município, a ‘Terra do Dedo de Deus’, possui diversos atrativos naturais que irão encantá-lo.

DUQUE DE CAXIAS – A Prefeitura de Duque de Caxias agradece pelo seu contato! Sua dúvida foi encaminhada para o departamento responsável, que em breve estará respondendo a sua mensagem.

QUEIMADOS – Em breve nosso site estará no ar com informações para o cidadão, notícias sobre o município de Queimados e um canal aberto para você elogiar, criticar ou apenas comentar a nossa administração. Não perca a conta, faltam dez dias!

Wagner Martins é criador do site de humor Cocadaboa.com.’

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