Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > JORNALISMO ESPORTIVO

Maior a torcida, maior a cobertura da mídia

Por Igor Fernandes em 10/07/2007 na edição 441

Quando se fala em jornalismo esportivo no país, logo se pensa em futebol. Mas por que isso acontece? Deve ser por causa da falta de interesse da maioria da população por outros esportes, ou mesmo pela falta de preparo dos jornalistas para falar de outros esportes praticados no Brasil.

Se analisarmos todos veículos de comunicação, percebemos com clareza a diferença de como futebol é tratado em relação às outras atividades esportivas.

Na televisão, que é o veículo de maior contato com o público, a preferência pelo esporte ‘paixão nacional’ fica ainda mais evidente. Nos programas esportivos da TV, os outros esportes (que são chamados até de esportes amadores) ganham destaque somente no período dos Jogos Olímpicos, ou quando surgem alguns fenômenos que conseguem títulos consecutivos, como Ayrton Senna, Gustavo Kuerten, Daiane do Santos e a seleção de vôlei masculino. Fora isso, as notícias dos chamados esportes amadores são muito pouco pautadas e os programas de debates exclusivos para estes esportes são transmitidos somente em TVs por assinatura.

O coração e a razão

Além de se limitar somente a futebol, os programas esportivos do Brasil, principalmente os de debates das TVs abertas, pecam pela parcialidade de seus jornalistas comentaristas e por se preocuparem somente pela audiência, dando mais ênfase para certos times em relação a outros. Um grande exemplo disso é o Corinthians, que por ter uma torcida maior do que seus rivais – Santos, São Paulo e Palmeiras – tem mais espaço na mídia. O mesmo acontece com o Flamengo, no Rio de Janeiro, em relação a Vasco, Fluminense e Botafogo, assim como com outros clubes com torcidas de grande massa no restante dos estados brasileiros. Portanto, quanto maior a torcida, maior a cobertura da mídia, pois dá mais audiência.

Outro grande problema do jornalismo esportivo do Brasil é a falta de imparcialidade de certos jornalistas, pois todo e qualquer cidadão tem seu time de coração e os cronistas esportivos não fogem disto. Mas certos jornalistas não conseguem separar o coração da razão e defendem seu time com unhas e dentes, como o ‘corintianíssimo’ Chico Lang, da TV Gazeta, que desobedece à regra básica do jornalismo, pela qual todo jornalista tem que ser o mais imparcial possível, mesmo tendo suas opiniões e seu time de nascença, como nesse caso.

O ‘poderoso chefão’

Esses problemas de busca somente pela audiência e imparcialidade não acontecem nos canais esportivos das TVs por assinatura, como os canais Sportv, da Globosat, ESPN, e ESPN Brasil, que têm profissionais e programas com perfis mais ‘serenos’ e debatem o futebol com mais razão e análise. Sem contar que há programas (como eu já disse) que dão espaço a outros esportes, como o Zona de Impacto, da Sportv, e/ou o Por dentro do vôlei, da ESPN Brasil, entre outros.

Voltando às TVs abertas, a única que se difere das demais e não faz programas de debate (pois deixa para o Sportv, que é da mesma empresa) e que é totalmente imparcial é a Rede Globo, que tem dois dos programas esportivos mais velhos da TV brasileira, que são o Globo Esporte e o Esporte Espetacular e, apesar do futebol ser o ‘carro forte’, há grande espaços para os esportes amadores. Mas como nem tudo são flores, a Rede Globo também peca por monopolizar todos os principais eventos esportivos, comprando todos os direitos exclusivos dos campeonatos e interferindo nas principais federações e confederações esportivas do país.

Atualmente, a Rede Globo é o ‘poderoso chefão’ do jornalismo esportivo brasileiro (até o início dos anos 90, as grandes redes de esporte eram a Bandeirantes e a Record). Ela passa os principais jogos do campeonato brasileiro e dos estaduais e tem exclusividade nos jogos da seleção brasileira e da Copa Libertadores da América, entre outros. Nos últimos anos a Record está tentando brigar pela exclusividade de alguns campeonatos e grandes eventos esportivos, como a Olímpiada de Pequim, em 2008.

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Estudante de Jornalismo da UniFiamFaam, São Paulo, SP

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