Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > TV PAGA

Marcelo Bortoloti

10/02/2004 na edição 263

‘A TV a cabo no Brasil está virando artigo popular. Nas principais favelas do Rio, longe das estatísticas oficiais, diversas operadoras clandestinas oferecem o serviço, que nos morros e comunidades já foi apelidado de ‘Net Gato’.

O sistema pirata tem o apelido ‘gambinetes’ ou ‘cets’ (lê-se ‘quétis’) -mistura de cat, gato em inglês, com Net.

Na maioria dos casos, o sistema é administrado por um morador que tem conhecimento técnico, faz assinatura da Net, Sky, TVA ou Tecsat, e distribui o sinal ilegalmente para a vizinhança. E a própria associação de moradores da comunidade informa sobre como conseguir uma instalação.

Na favela da Rocinha, onde já existe uma operadora de TV a cabo legalizada, a TV Roc, o serviço é encontrado a um custo menor na concorrente pirata, a TV do Siri. O preço: R$ 50 a instalação, mais R$ 15 mensais. O pacote inclui 14 canais, entre eles Discovery, Cartoon e HBO. A operadora, que funciona ao lado da associação dos moradores, disponibiliza ainda um canal de sexo.

O mesmo acontece no morro da Providência, onde a mensalidade sai por R$ 20. Segundo o proprietário da rede, que não quis se identificar, a operadora trabalha com quatro funcionários e possui 300 assinantes. ‘No morro não existe opção de lazer. Ter um canal de filmes ou de desenhos ajuda o jovem a ficar em casa e a não se envolver no crime’, argumenta ele, que quer uma concessão da Anatel. ‘É uma profissão honesta. Não estou roubando, estou prestando um serviço.’

Em função da localização geográfica, em muitos morros é difícil captar sinais de TV pela antena comum. Daí a existência dos chamados ‘antenistas’: moradores que recebem o sinal de emissoras abertas através de parabólicas e o distribuem via cabo para a região.

Esta prática não é crime, só que muitas vezes, no meio dos canais abertos, também são disponibilizados outros de TV paga. Na favela do Chapéu Mangueira (zona sul), o sistema ocupa uma sala na sede da associação de moradores. Segundo um atendente, entre os canais oferecidos estão Cartoon, Discovery e TNT.

‘Dizem que pobre não precisa de TV a cabo. Mas a maior prova de que isso não é verdade é a pirataria. Quem mais assiste a televisão é o pobre, que não tem outra opção. O rico vai para o cinema, teatro ou shopping’, diz Rosângela Quarelli, diretora de marketing da TV Roc, única operadora que tem concessão da Net para atuar dentro de uma favela, e cobra uma mensalidade de R$ 25.

Na Cidade de Deus, onde existe uma rede da Net Rio que atravessa o bairro, a pirataria se prolifera de maneira diferente. O técnico da chamada ‘Net Gato’ cobra apenas uma taxa para fazer a ligação, e o morador não precisa pagar mensalidades. ‘Pagamos uma vez para o cara instalar na rua toda, depois não pagamos mais nada. Só quando sai do ar que a gente dá um dinheirinho para a manutenção’, diz uma moradora.

Certas empresas já aproveitam esse filão. A Sat 2000 administra uma das maiores redes de TV a cabo em favelas do Rio. Atendem as regiões de São Carlos, Mineira, Querosene, Zinco e Vila Cachoeirinha, todas na zona norte. O pacote oferecido inclui 28 canais e a mensalidade custa R$ 20.

A empresa é revendedora autorizada da Tecsat para comercializar TV por assinatura via antena (DTH). Normalmente, para assinar um pacote da Tecsat é preciso adquirir um aparelho de recepção que custa R$ 320. ‘Abrimos uma exceção, permitindo que a Sat 2000 explorasse TV a cabo nessas regiões, para atender a um tipo de público que geralmente é excluído’, diz Paulo Roberto de Castro, diretor de marketing da Tecsat.

A Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), que responde em nome das operadoras, diz que tem conhecimento das redes de pirataria nas favelas do Rio. Segundo Antônio Salles Teixeira Neto, coordenador da comissão de antipirataria, existe uma desatenção sobre a gravidade dos possíveis desdobramentos desta prática. ‘Uma transgressão assim, que é feita em comunidade, pode colocar em risco o próprio papel do Estado enquanto instituição reguladora das atividades de comunicação no país.’’

 

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‘Fiscalização falha beneficia clandestinos’, copyright Folha de S. Paulo, 8/02/04

‘Por serem áreas de risco, a Anatel diz que tem dificuldade em combater as redes piratas nas favelas. A polícia faz apreensões, mas como não há fiscalização sistemática, na maioria dos casos a pirataria volta a funcionar.

Segundo Paulo Roberto Massareti, delegado da Polícia Federal responsável pelo combate à pirataria em telecomunicações, certas redes têm apoio do tráfico. ‘A maior dificuldade é localizar o ponto de onde parte o sinal. Quando a emissão é por antena, podemos localizar com radar, mas quando é cabo não dá para ter certeza.’

Em 2003, o núcleo realizou duas grandes apreensões em favelas no Rio. Uma delas no complexo Jacaré-Jacarezinho, onde a polícia estima que havia mais de 2.000 assinantes. Hoje, moradores dizem que já existe na região serviço de TV a cabo pirata.

Quando preso em flagrante, o responsável pela rede é autuado por desenvolver clandestinamente modalidade de telecomunicação. Pode ser condenado de dois a quatro anos de prisão.

Em janeiro a Anatel finalizou uma consulta pública sobre a regulamentação do artigo 38 da Lei do Cabo, que poderá legalizar a atividade dos ‘antenistas’. Uma das propostas é a de permitir que operadoras de TV por assinatura possam contratar esses ‘antenistas’ para distribuir os serviços em locais onde haja limitação técnica para recepção de sinais.’

 

Edianez Parente

‘Ano começa bem para os patrocínios nos canais pagos’, copyright PAY-TV News, 3/02/04

‘Diferentemente do início de 2003, começo de governo e portanto um período marcado pelas incertezas para o planejmento das empresas, este ano o cenário parece mais positivo em relação à demanda dos anunciantes por espaços de publicidade na TV por assinatura, o que é um bom sinal para o mercado.

Na TNT, o Oscar já nasceu com todas as suas cinco cotas de patrocínio vendidas, mesmo antes do anúncio das quatro indicações ao brasileiro ‘Cidade de Deus’. O canal vendeu no início de janeiro um pacote que envolve os seus dois eventos que acontecem neste mesmo mês de fevereiro, com diferença de uma semana: o prêmio SAG (Screen Actors Guild Awards) e o Oscar. Visa, Renault, McDonald´s, Lux e Itaú Seguros são os anunciantes que adquiriram o pacote integrado de publicidade com a exposição das marcas em duas plataformas: no canal e site. ‘Todos os contratos com os anunciantes são regionais, país a país’, afirma o diretor de publicidade e marketing da Turner International do Brasil, Rafael Davini Neto. Ele conta que, com o sucesso do evento, a programadora abriu mais três cotas de participação, que incluem também a programação especial do canal que antecede o Oscar propriamente dito, além de uma entrevista gravada com o diretor indicado Fernando Meireles. Ainda na Turner, as cotas do Cartoon para as chamadas de volta às aulas foram vendidas (para BIC e Mercur) e também para suas chamadas de Carnaval (para Danone e Hot Zone). Na segunda-feira, dia 2, o canal Boomerang estreou oficialmente seu ‘feed’ exclusivo para o Brasil, o que lhe permite agora também a publicidade em nível regional para o País, tal qual o Cartoon e TNT.

Também no segmento infantil, a Copa Fox Kids, cujas inscrições acabam de ser abertas, já têm o patrocínio de Kellog’s, Estrela e Penalty.

Esportes

O SporTV anuncia que o seu pacote de patrocínio para os eventos de futebol em 2004 vai a pleno vapor. O carro-chefe do canal é o Brasileirão, cujos jogos da série A só começam em abril. Mas este ano há ainda o Campeonato Paulista e também a Libertadores. A programadora já vendeu três das cinco cotas que colocou à venda. Os compradores são Penalty, HSBC e Telefônica.

Para as Olimpíadas de Atenas, que acontecem em agosto, o canal fechou quatro planos diferenciados de patrocínio. Citroën e Vivo assinaram duas cotas; McDonald’s fechou o top de cinco segundos e a Coca-Cola adquiriu exposição nos quadros de medalhas.

No vôlei de praia, o Banco do Brasil assinou com o SporTV a exposição da marca no canal durante as transmissões do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, ao longo do ano e também durante a Liga Mundial de Vôlei (que acontece em maio e junho). Volkswagen, Tim e Skol patrocinam o Super Surf, o Campeonato Brasileiro de Surfe, para o qual só resta uma cota à venda. Os pacotes valem para SporTV e SporTV 2.

Grammy

Nissan e Itaú Seguros compraram cotas de patrocínio para a transmissão do 46º Grammy Awards, que será exibida ao vivo e com exclusividade na TV paga, pelo Sony Entertainment Television, no próximo dia 8 de fevereiro, domingo, às 23h. A reprise legendada da noite de premiação irá ao ar em 15 de fevereiro, domingo, às 21h. Na TV aberta, o evento é do SBT, assim como o Oscar.’

 

Keila Jimenez

‘Clube dos 13 quer canal na TV paga’, copyright O Estado de S. Paulo, 4/02/04

‘O Clube do 13, entidade que reúne os maiores times de futebol do País, já está formatando o seu próprio canal de TV por assinatura.

A entidade, que há tempos sonha com a idéia, pensa em criar um canal pago que abrigue conteúdo televisivo ligado aos 13 times, além dos campeonatos de futebol mais importantes disputados por eles.

Na última assembléia realizada pelo Clube, no dia 29, eles decidiram criar uma comissão para formatar e orçar o projeto do canal de TV. Segundo o diretor executivo da entidade, Mauro Holzmann, tal comissão terá 90 dias para levantar um estudo sobre as vantagens a as desvantagens de se ter um canal de TV com esse conteúdo, além de possíveis parcerias e o orçamento bruto do negócio.

‘O projeto de ter um canal de TV é só para 2006, quando acaba o nosso contrato com a Globosat para a transmissão dos jogos em pay-per-view na TV paga’, fala Mauro Holzmann. ‘Mesmo assim, já temos de viabilizar o projeto, pois dois anos passam muito rápido.’

Holzmann deixa claro que o interesse do Clube dos 13 é em produzir conteúdo e comercializar os campeonatos de futebol para a TV paga, pois, com a TV aberta, as coisas devem permanecer da mesma maneira.

‘Continuaremos vendendo os jogos para a TV aberta, o que continua sendo um bom negócio para os dois lados’, diz ele. ‘Agora, com a TV paga sabemos que estamos comprando uma briga boa.’

Além de jogos, Holzmann ressalta que o novo canal poderá ter noticiários e programas especiais sobre cada clube. ‘Experiências internacionais mostram que um canal de um único time de futebol não dá certo. A TV Milan e TV Manchester, que eram de times fortes, quebraram’, fala ele. ‘O negócio é oferecer um pacote completo dos principais times.’

Além do faturamento comercial, o Clube dos 13 está de olho no lucro que pode ter com a venda de pay-per-view em seu canal. Em 2002, por exemplo, o Campeonato Brasileiro teve a duração de quatro meses e vendeu 220 mil pacotes do serviço, a R$ 140 em média. Em 2003, o campeonato teve mais de 250 pacotes vendidos, pelo dobro do preço.’

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‘Multishow lança selo para faturar mais’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/02/04

‘O selo Acústico MTV, que batiza todos os frutos dos musicais realizados pela emissora, está fazendo escola na TV. O canal pago Multishow está lançando um projeto parecido, o Multishow ao Vivo, selo que a partir deste mês estará em todos os CDs e DVDs de suas atrações musicais.

O canal, que há algum tempo realiza parcerias com gravadora paras lançar esses produtos, resolveu capitalizar mais com isso.

‘Já lançamos nessas parcerias muitos sucessos, como o Maricotinha de Maria Bethânia, o Jorge Aragão ao Vivo e Tributo ao Tom Jobim’, fala a diretora de Marketing do Multishow, Daniela Mignani. ‘Chegamos a alcançar Disco de Ouro com a venda desses CDs, mas as pessoas não sabiam que o Multishow tinha ligação com os projetos. Não havia nenhuma marca do canal neles’, continua.

‘Agora, o nome Multishow ao Vivo estará acoplado ao título de todos os nosso lançamentos. Com isso, aumentaremos nossa receita e atrairemos mais gravadoras dispostas a formar novas parcerias.’

O selo do canal já chega com frutos – CDs e DVDs – de primeira linha. Entre os lançamentos há um show especial de Zeca Baleiro com Fagner, que irá ao ar no canal no dia 18. Em março, o Multishow leva ao ar uma de suas grandes apostas em vendas para 2004, o show Música Preta Brasileira, com Sandra de Sá.

Na seqüência, o selo lançará CD e DVD do programa Barzinho e Violão 3, que reúne artistas em duplas inusitadas, cantando músicas distantes de seu repertório habitual.

No segundo semestre será a vez de Dudu Nobre receber os amigos – Zeca Pagodinho é presença confirmada – no Dudu Nobre e Convidados.

‘O Mutishow ao Vivo garantirá um bom aumento de receitas’, diz Daniela.

A executiva assume que, apesar de seguirem linhas diferentes, o projeto Multishow ao Vivo se inspirou no sucesso do selo Acústico MTV. O mercado mostra que nunca um produto com esse selo vendeu menos de 130 mil cópias. Os Titãs, por exemplo, conseguiram com seu Acústico MTV a marca de 1,5 milhão de discos vendidos. ‘Claro que o sucesso da iniciativa da MTV nos motivou, mas acho que somos mais ecléticos do que eles, estamos abertos a mais oportunidades.’’

 

ESPORTES NA TV

Daniel Castro

‘Jornalistas lançam novo canal esportivo’, copyright Folha de S. Paulo, 7/02/04

‘Liderado por Octávio Muniz, 40, um grupo de jornalistas esportivos atualmente fora de atividade na mídia vai lançar em março o mais novo canal da TV paga brasileira, o ‘artesanal’ NSC (National Sports Channel), que tem pretensão de virar pan-regional.

O NSC já está no ar em caráter experimental no canal 51 da Tecsat (via satélite), rodando material promocional, e negocia com três outras operadoras. No último final de semana, fez sua primeira transmissão ao vivo, a partida entre Internacional e 15 de Novembro, pelo Campeonato Gaúcho. Amanhã, às 16h, exibe São Gabriel x Grêmio, com locutores gaúchos.

O canal pretende disputar direitos esportivos alternativos, que não interessam à Globosat (SporTV). ‘Vamos explorar nichos regionais. O Brasil não é só Rio e São Paulo. Cabem mais quatro ou cinco canais esportivos na TV paga’, afirma Muniz, que está prestes a fechar contratos de transmissão de mais um Estadual e de torneios de golfe.

Ex-Band e PSN, Muniz diz que tentará transmitir a Série C do Campeonato Brasileiro, além de basquete e vôlei. O canal terá telejornais esportivos diários e mesas-redondas.

Muniz afirma que os investidores do canal, que ainda não tem uma sede, são ‘amigos e pessoas do ramo, afastadas neste momento’. Os recursos vieram de ‘economias’. ‘É tudo bem artesanal, absolutamente pé no chão.’

OUTRO CANAL

Oposição 1 Coordenada pelo deputado federal Orlando Fantazzini (PT-SP), a campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania, da Câmara dos Deputados, está mobilizando entidades de defesa dos direitos humanos e do telespectador para pressionar o Ministério da Justiça a rever a decisão que revogou despacho que classificou o ‘Cidade Alerta’ e o ‘Brasil Urgente’ para as 21h.

Oposição 2 ‘Prevaleceu o interesse comercial [com a pressão das emissoras e de parlamentares da Igreja Universal] aos da cidadania’, diz Fantazzini, que lamentou também a exoneração do diretor do departamento de classificação, Mozart da Silva. O ministério diz que não tem competência para classificar telejornais.

Te cuida, Jô! Marlene Mattos dirigiu pessoalmente a gravação da entrevista que Romário deu a Jorge Kajuru, na quinta, e que a Band exibe amanhã, às 22h30, no piloto de ‘Chutando o Balde’. Ela providenciou até colírio para o jogador, que, na gravação, disse que terá um programa de entrevistas na emissora, não apenas sobre esportes.

Dúvida A cúpula do SBT vivia um impasse ontem: contratar um roteirista brasileiro para adaptar o texto mexicano de ‘A Outra’, o que atrasaria a estréia da novela, ou simplesmente dublar a produção original da Televisa.’

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