Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Mídia hegemônica embarca na histeria

Por Mário Augusto Jakobskind em 07/04/2009 na edição 532

As editorias internacionais da mídia hegemônica estão fazendo um verdadeiro carnaval manipulativo em relação ao lançamento de um satélite de comunicação da Coréia do Norte, um país que até bem pouco tempo era considerado falido e com o povo passando fome. Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos estão com suas baterias voltadas contra Pyongiang em função do ‘perigo’ que representou o lançamento de um míssil para colocar o satélite em órbita.

Na verdade, desde que em 1994 lançou o seu primeiro satélite, a Coréia do Norte nunca escondeu a pretensão de oportunamente lançar um segundo, o que aconteceu neste último fim de semana, para desespero do Ocidente. No afã de condenar o regime norte-coreano, a mídia ocidental praticamente ignorou um fato importante, ou seja, que o ‘atrasado’ país que faz fronteira com a China e teoricamente continua em guerra com os Estados Unidos e Coréia do Sul desenvolveu uma moderna rede de telecomunicações, inclusive de telefonia móvel e com tecnologia própria.

E é por aí que se pode entender o motivo pelo qual Pyongiang decidiu lançar o novo satélite, que em verdade não ameaça país algum – apenas ousa desafiar as transnacionais detentoras da tecnologia da área de comunicações. Afinal, pode-se imaginar a contrariedade desse poderoso setor ao ver um ‘paiseco’ como a Coréia do Norte desenvolver tecnologia própria, que eventualmente poderá ser exportada para outros países que assim o desejarem?

É importante se conhecer tais detalhes para assim estar em melhores condições de analisar a histeria midiática contra a Coréia do Norte, um ‘paiseco’ que há anos tenta não depender da tecnologia de potências estrangeiras.

Por que a gritaria?

O povo japonês, sul-coreano e estadunidense pode ficar despreocupado, pois o satélite de comunicação não afetará em nada as suas respectivas seguranças. Tampouco, em princípio, o tal míssil, que tem um raio de ação que pode chegar ao Alasca, representa perigo algum, pois não tem fim bélico, até porque os norte-coreanos não ignoram que o poder militar dos países mencionados é avassalador. A recíproca é verdadeira, ou seja, em caso de ofensiva militar dos três países mencionados contra a Coréia do Norte, Pyongiang teria condições de se defender de alguma forma com seus mísseis de longo alcance.

A partir de agora o carnaval da mídia hegemônica vai se intensificar, inclusive depois da convocação do Conselho de Segurança das Nações Unidas para examinar o lançamento do satélite norte-coreano. Resta saber se os analistas de sempre lembrarão que não há nenhuma proibição de os países lançarem satélites para fins não militares.

Então, qual o motivo real da gritaria? Uma conjugação de fatores, inclusive a batalha pela hegemonia daquela região asiática, pode explicar a reinvestida contra a Coréia do Norte.

Lamentável é ver a mídia hegemônica contribuir para que leitores e telespectadores não sejam informados devidamente, até para ter mais elementos que ajudem a fazer um juízo de valores sobre o lançamento do satélite.

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Jornalista, Rio de Janeiro, RJ

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