Sábado, 21 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > FIDELIDADE & CONCESSÕES

Ministério Público, pesos e medidas

Por Alberto Dines em 04/10/2007 na edição 453

O procurador geral da República reconheceu na quarta-feira (3/10), no Supremo Tribunal Federal, que a troca de partido é uma anomalia, mas não se pode punir o eleitor cassando o mandato do escolhido para representá-lo.


Pergunta-se: e o deputado que quebra o decoro, deve ter o seu mandato preservado para não punir o eleitor que nele depositou o voto?


Há dias, a mesma Procuradoria Geral da República considerou imoral o parlamentar que recebe uma concessão de radiodifusão, mas admitiu que nada podia ser feito porque a Constituição lhe garante este direito [ver ‘Antes de democratizar, moralizar‘, neste OI].


O Ministério Público já foi mais intransigente: junto com a imprensa formava um contrapoder que pressionava os poderes formais. Agora, a esfera superior do Ministério Público (a Procuradoria Geral da República), perdeu a garra, perdeu o norte, impregnou-se de um falso espírito salomônico que nada tem a ver com a sua função de defensoria da sociedade e fantasiou-se de instância judicial.


Deputado que trai o partido, trai o eleitor. Ponto. Parte da mídia fez este raciocínio porque sua função é não transigir.

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/10/2007 Rubens Cláudio Nanako

    ‘Parte da mídia fez este raciocínio porque sua função é não transigir.’ Qual parte, Sr. Dines? Aquela que, até ontem , enaltecia o Procurador Geral por oferecer denúncia contra os envolvidos no tal ‘mensalão’. A mesma mídia que até propôs a candidatura de Joaquim Barbosa para Presidente por ter oferecido a referida denúncia? A mídia que blinda o Sr. José Serra de qualquer denúncia? Aquela cujo recém-falecido patrão dizia não querer morrer antes de ver o Serra presidente? Aquela que ‘estadualizou’ o novo valerioduto como ‘mineiro’ para não respingar no PSDB paulista? A mídia que execra o Renan pela fonte de sustento ao filho fora do casamento, mas que se calou totalmente quanto a quem mantinha o filho do príncipe FHC? Acho que seu ‘Observatório’ está ficando caolho, pois só defende aquele mídia que só vê um lado e só lembra de fatos políticos de 2003 para diante…

  2. Comentou em 05/10/2007 Octávio Hollemberg

    Tenha dó, Dines. O ministério público foi mais intransigente no governo de quem? Venceslau Brás ou Prudente de Morais? Se você está falando do passado recente deve ter se esquecido do engavetador geral da república tão inativo ao tempo do FHC. No mais, não era você que até outro dia estava vibrando com a denúncia apresentada pelo PGR no caso do mensalão?

  3. Comentou em 04/10/2007 José de Souza Castro

    Corri um certo risco, num artigo que está sendo divulgado pela Novae, ao prever que o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, depois da defesa apresentada pelos seus advogados ao procurador-geral da República no caso do mensalão mineiro, não seria denunciado ao Supremo. Ao ler o artigo de Dines, minha convicção a respeito aumenta. Se o procurador-geral mostra-se transigente para salvar a pele de deputados, que não fará ele para livrar um dos mais poderosos ministros do Executivo?

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