Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > LIGA ÁRABE

Ministros combatem terrorismo com censura

12/02/2008 na edição 472

Ministros do Interior dos países árabes reúnem-se anualmente – e discretamente – há 25 anos para conversar sobre como tornar mais seguros os regimes que administram. No encontro do Conselho de ministros do Interior da Liga Árabe deste ano, em Túnis, na Tunísia, chefes de segurança concordaram em tornar mais rígidas as regras em publicação, gravação e distribuição de material que possa promover terrorismo. Estes países já têm controle rígido da mídia, mas sempre buscam novas maneiras de evitar a expressão de pontos de vista divergentes aos do governo, afirma a revista britânica Economist [7/2/08].

Na Síria, por exemplo, o crime de ‘disseminar falsa informação’ leva à prisão. No Marrocos, jornalistas que criticam autoridades estão sujeitos a pagar multas. Na Jordânia, foi aprovada, recentemente, uma lei que estipula multas por difamação. O governo regional da região semi-autônoma curda do Iraque também elabora uma lei semelhante. No Iêmen, no ano passado, Abdel Karim Khaiwani, editor de um sítio de notícias, foi acusado de apoiar o terrorismo após escrever sobre uma rebelião tribal e nepotismo no governo do presidente Ali Abdullah Saleh – e quase foi condenado à morte. Em muitos destes casos, o Estado não precisa se envolver, pois já há leis que limitam a liberdade de expressão.

Violência e censura

De acordo com a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, mais de 200 profissionais da mídia perderam suas vidas no Iraque desde 2003. No mesmo período, jornalistas de destaque na Argélia, no Egito, no país não-árabe Irã, no Líbano, na Líbia e no Sudão foram mortos ou desapareceram em circunstâncias suspeitas. Nos últimos dois meses, autoridades em Gaza, Arábia Saudita e Sudão colocaram na prisão dezenas de repórteres e blogueiros. Sob o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, dezenas de publicações reformistas tiveram sua licenças revogadas. Arábia Saudita, Irã, Síria e Tunísia monitoram a internet e bloqueiam sítios para ‘proteger a moral pública’. Até o Iêmen, com meios eletrônicos menos sofisticados, bloqueou nas últimas semanas vários sítios de oposição.

Com diversas antenas parabólicas proliferando em cidades remotas do Oriente Médio, a TV tornou-se um meio mais difícil de ser controlado. Ainda assim, recentemente, a Arábia Saudita encontrou uma estratégia: reaproximou-se do Catar, sede da rede al-Jazira, para influenciar em uma cobertura mais positiva.

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