Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

FEITOS & DESFEITAS > TRÂNSITO PAULISTANO

Misantropia que apequena

Por Xikito Affonso Ferreira em 02/11/2004 na edição 301

Engarrafamentos, desses cotidianos e triviais, não deveriam ser notícia em jornal paulistano. Escapar deles por rotas alternativas já é artigo capaz de trazer novidades. Adicionados a este os poderosos recursos informáticos que o layout das páginas do Estado de S.Paulo passou a refletir desde a recente reforma de suas máquinas, hoje as edições saem em infinitas cores, tanto para fotos quanto para mapas.

Entra nesse ponto o inusitado de se cronometrar os tais caminhos alternativos, tudo isso faz leitura interessante. Mas a repórter do caderno Cidades (Estadão, 25/10/04, pág C1) que escreveu ‘Fugir do rush é perda de tempo’ deixou de fora em sua análise um dado do problema capaz de alterar sua tese pessimista. Ao medir várias vias de acesso cujas alternativas são as marginais do Tietê e do Pinheiros, a matéria passa ao largo de uma redentora rota já hoje disponível: o trem da CPTM, na Marginal do Pinheiros.

Pesquisa e bom humor

Uso-o com freqüência para ir de Alto de Pinheiros à região da Berrini, por exemplo. A viagem é em ar condicionado, vagões limpíssimos em cujas janelas vão ficando as pistas abarrotadas de automóveis a 5 km por hora, senão parados. Ainda não topei com nenhum de meus antigos colegas de escola de elite em São Paulo que tenha pisado no trem. A classe média paulistana é também vítima de nossas mazelas sociais, às vezes parece habitar outra cidade.

Não faltará entre meus poucos leitores alguém que rebata: ‘Ora, o trajeto medido começou na marginal do Tietê, não basta falar da do Pinheiros’. Estivéssemos numa metrópole européia e americana os porta-vozes da sociedade com a capacidade de influenciar a opinião pública, como o Estadão, já teriam estudado opções multimodais para quem deseja ir da Ponte da Casa Verde à Ponte de Socorro do tipo: carro ao longo do Tietê, estacionamento em Osasco, CTPM ao longo do Pinheiros.

Não só falta velocidade no trânsito, carecemos de pesquisa e bom humor.

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Diretor de ONG, Salvador

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