Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA NOS EUA

Modelo de notícias pagas em discussão

16/03/2010 na edição 581

A cobrança por notícias na internet é o tema do momento na indústria jornalística. Publicações querem, e precisam, ampliar a receita de seus sites; leitores não gostam nada da ideia de ter que pagar por algo que têm, hoje, de graça. O New York Times já anunciou que planeja cobrar pelo acesso a sua página no próximo ano, e o magnata Rupert Murdoch, dono da News Corporation, quer fazer o mesmo com todos os sites de sua companhia.


Para o publisher do New York Times, Arthur Sulzberger, este é o momento para que jornais comecem a cobrar pelo acesso aos seus sites. ‘Há uma oportunidade, creio eu, para que tenhamos lucros com este modelo pago’, ressaltou a executiva-chefe e presidente do grupo New York Times, Janet Robinson, em participação no congresso Bloomberg BusinessWeek Media Summit, realizado na semana passada em Nova York.


‘A notícia vem até você’


Para Merrill Brown, chefe de estratégias do Journalism Online, mais de 1,3 mil publicações em todo o mundo já expressaram interesse nos serviços oferecidos pela empresa – fundada no ano passado – para ajudar grupos de comunicação a gerar receita na web. ‘Todos estão contemplando uma estratégia paga, de um jeito ou de outro’, disse. ‘Leitores não pagariam por matérias ‘transformadas em commodity’, mas sim por conteúdo especializado, como cobertura aprofundada de seu time ou informações que apenas os jornais locais têm’. Ainda segundo Brown, estudos indicam que, nos EUA, mais de 20% dos visitantes regulares de sites de notícias estariam dispostos a pagar pelo acesso.


Andrew Keen, autor do Culto do Amador, livro que oferece um olhar crítico do impacto da internet na cultura, vai além. Ele acredita que a indústria jornalística ‘deu um tiro no pé’ ao não cobrar imediatamente por conteúdo na web, embora tenha o direito de fazê-lo agora. ‘Temos que lutar contra a ‘cultura do gratuito’, que sugere que grandes empresas de mídia não têm direito de cobrar pelo conteúdo’, opinou.


Do time dos contrários à cobrança pelo acesso online, Michael Wolff, fundador do site agregador de notícias Newser e autor de um livro sobre Murdoch, pensa que qualquer tentativa de fazer os leitores pagarem por conteúdo na web está fadada ao fracasso. ‘Não vamos pagar por notícias que já temos em todos os lugares. Se você está conectado, de algum modo, a notícia vem até você’, disse. Richard Gingras, executivo-chefe da revista Salon, também é cético ao desejo de leitores pagarem pelo acesso online. ‘É muito difícil convencer alguém sobre o valor de uma notícia’. Informações da AFP [13/3/10].

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