Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Monopólio da RBS em Santa Catarina

Por Rogélio Paulino Luetke em 23/01/2007 na edição 417

O artigo de Laura Schenkel, reproduzido do boletim e-Fórum nº 116, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (‘Formação de monopólio da RBS em SC será questionada‘), foi muito esclarecedor. Hoje cancelei a renovação de minha assinatura do jornal, do qual devo ser assinante há quase 15 anos. Escrevi um e-mail longo para justificar o porquê e, acessando alguns sites, cheguei ao Observatório da Imprensa. O jornal A Notícia, que era muito bom, começou a ficar ruim após a incorporação pela RBS. A seguir, o e-mail enviado. Parabéns ao Observatório da Imprensa.




Sou assinante do jornal A Notícia (mais de 10 ou 15 anos, nem lembro mais) e, em meados de dezembro de 2006, alguns dias antes de viajar com a família para o litoral, como sempre vinha fazendo nos anos anteriores, liguei para o jornal e solicitei que a entrega fosse transferida para a praia, temporariamente. Fui bem atendido por uma srta. que anotou cuidadosamente os dados, logo após que informei o número do telefone e o nome. Então foi combinado que, a partir do dia 27/12, o jornal deveria ser entregue na Avenida Santa Catarina (segunda principal e paralela a Av. Atlântica) no mesmo número que havia sido entregue no ano anterior. O retorno da entrega do jornal em meu domicílio de Joinville deveria acontecer no dia 10/01/07. Então fomos felizes curtir alguns dias de férias na praia.


No dia 27/12, o jornal não apareceu. Não dei muita importância, apesar de sentir falta do hábito da leitura diária. Então, lá pelas 9 horas, resolvi ligar (só consegui após oito tentativas, pois ou ninguém atendia ou estava sempre ocupado). Até que uma pessoa atendeu (tive que confirmar todos os dados novamente) e, após, a confirmação de que estava tudo ok com minha solicitação, me informou que naquele dia a entrega estava atrasada por causa da chuva. Pensei: ‘Tudo bem, afinal o entregador deve vir de moto e é bom ter cuidado na estrada com chuva’. Terminou a manhã e nada do jornal. Nem tampouco até o final do dia. Mas, que bobagem, estou de férias, e ficar sem ler o jornal um dia não teria importância.


No dia seguinte (28/12), assim que acordei (eta vício danado), fui procurar o bendito jornal. Nada de encontrá-lo. Aproveitei para passear e ver algumas pessoas tentando pescar de cima da Ponte Velha.


Comprei pães e leite, voltei para casa e tomamos o café. Aí pensei: ‘Tomara que não estejam entregando o jornal em Joinville, pois isso pode ser perigoso pelo fato dos transeuntes verificarem que não tem ninguém em casa’. Então, tentei ligar para o jornal novamente. Depois de mais de onze tentativas, novamente uma moça atende, pede para confirmar todos os dados de novo… e avisa que está tudo ok e que o jornal deverá ser entregue. Termina o dia e o jornal não aparece de novo. Como todas as coisas têm seu lado positivo e devemos vê-las assim, pensei: ‘Já consegui ficar dois dias sem ler o jornal’.


No dia seguinte (29/12), logo cedo, não resisti e fui tentar encontrar o jornal. Também não estava lá. Aí pensei: ‘Deve ter alguém levando o jornal antes de mim’. Mas perguntei e investiguei nos arredores e nada encontrei. Então comecei a ficar chateado, mas ficar ligando novamente para reclamar, nem pensar. Passou mais um dia e nada do jornal. ‘Puxa, consegui ficar três dias longe desse vício!’


Já no dia seguinte (30/12), não estava mais muito preocupado com o jornal, mas não resisti e logo que saí da cama fui procurá-lo. E ele estava lá. Finalmente. Num primeiro momento, tentei resistir e pensei ‘só de raiva não vou lê-lo’, mas não consegui.


Desse dia em diante, a entrega foi normal.


no dia 10/01/07, já em Joinville, acordei e fui buscar o jornal em frente de casa. Mas ele não estava lá. Pensei: ‘A julgar pelo que aconteceu, não havia porque ficar surpreso. Vou tentar me livrar desse vício de novo’. Nem pensar em ligar dezenas de vezes novamente e ouvir as mesmas desculpas. No entanto, minha esposa, que conhece um dos diretores atuais do jornal, já havia ligado e reclamado diretamente a ele. Porém, eu estava tranqüilo, supria meu vício lendo a revista IstoÉ e, como aproveitei na praia, lendo outros livros. Nos dias 11 e 12/1, também nada do jornal. No dia 13/1 (sábado) para minha surpresa, entro em casa após sair para comprar alguns materiais de construção e minha esposa me passa o telefone. Pergunto quem é. Ela diz que é do jornal A Notícia. A voz na linha tinha um sotaque gaúcho e disse se chamar Sabrina e que estava falando de Porto Alegre. Ficou justificando que com a incorporação do jornal pela RBS alguns arquivos foram perdidos. Me pediu paciência e que o problema em breve seria resolvido. Disse também que havia muitos casos iguais ao meu, em função dos registros perdidos!! Tentei e fui bem educado com ela, mas não deixei de demonstrar minha indignação.


Depois tive uma recaída e pensei: ‘Que bom, hoje é sábado e daqui a pouco alguém deve vir entregar o jornal. Pois ligaram diretamente de Porto Alegre, tchê! E amanhã é domingo, o dia que mais gosto de ler esse bendito jornal’.


Mas, passou o sábado, o domingo e estou aqui no dia 15 (segunda-feira) escrevendo tudo isso. Para encerrar, gostaria de agradecer a todos(as) que contribuiram para me libertar desse vício. Se essa mensagem chegar a algum diretor(a), por favor não pense em punir quem quer que seja da empresa. Pelo contrário, se eu lembrasse o nome de todas que me atenderam, levaria um chocolate como agradecimento, pois esse vício (do chocolate) não quero me livrar.


PS: No início de dezembro de 2006 uma moça ligou e acabou me convencendo a renovar por mais um ano a assinatura. Acabei cedendo (foi o vício). Informo que voltei atrás, não autorizo a renovação automática, assim como não autorizarei que o Bradesco aceite o débito automático do jornal.


***


Na sexta-feira (12/1), das 13h, li no site do Terra notícia que abordava possível corrupção no TSE. O relato era impressionante, pois a Polícia Federal, após longo período de escutas telefônicas, havia identificado uma verdadeira gangue instalada na Corte Suprema do país. Os números eram estarrecedores. A compra de alguns pareceres chegaria ao valor de 600 mil reais.


Pois ao final da tarde a notícia havia sido retirada do site. O que houve ? Não li uma linha nos órgão da imprensa brasileira sobre o tema. Também não vi nem ouvi absolutamente nada sobre o assunto. Os senhores podem me explicar o que houve? Por que esse silêncio? Assinado, um cidadão que cumpre com as suas obrigações. (Djalmo Sanzi Souza, dentista, Porto Alegre, RS)


***


Na quinta-feira (18/1), no Jornal da Bandeirantes, às 19h15, fiquei chocado com a forma como foi noticiado o episódio do assalto à ex-miss Brasil Leila Shults. O noticiário começou citando que mesmo com a Força Nacional de Segurança no Rio de Janeiro houve uma morte de uma mulher que foi esquartejada e jogada perto de um Rio; e, segundo o telejornal, o que ‘mais chamou a atenção’ foi o assalto à ex-miss Brasil, que teve três dedos cortados pelos criminosos. Sem juízo de valores, pergunto: o que mais chama atenção para a mídia? Três dedos cortados ou um corpo humano esquartejado? Aí me vem aquela imagem estressante da Rede Globo: será que a mulher esquartejada precisaria ser filha de alguém famoso para chamar a atenção? (Gilmar Santos, funcionário público, Divinópolis, MG)


***


Queria deixar registrado minha estranheza pelo fato de a Veja ignorar a tragédia do metrô em São Paulo. Não deu uma chamada de capa e nem ‘politizou’ o assunto, como é de seu feitio. O que os colaboradores do site acham? (Daniel Cymbalista, fotógrafo, São Paulo, SP)

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Professor, Joinville, SC

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/01/2007 Tina Aguirre

    Olá equipe do OI, gostaria parabenizar vcs pelo trabalho muito necessário que fazem (um oi especial pro Mauro, que faz tempo não vejo).
    Outro dia no radio comentaram sobre o debate dos candidatos a presidencia da camara, e a transmissão do mesmo. Até aonde eu sei, a TV Camara não é totalmente aberta. E já que tocaram neste assunto, seria interessante ressaltar este fato, pois eu acharia muito importante que fosse. Eu mesma não tenho tv a cabo e não consigo sintonizar…o debate não será transmitido em outros canais e acho que seria essencial.
    Talvez seja posivel assistir na internet, mas para o cidadão é muito mais facil (e provavel) clicar entre canais, e ter alguma noção de como funciona a Camara (o mesmo serve para TV Senado) do que baixando algum link da internet.
    Enfim, acho que isto seria um assunto relevente…abs para todos.
    Tina

  2. Comentou em 08/06/2005 Artur Aymoré

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