Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 28/2

Morre nos EUA o colunista conservador William Buckley

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/02/2008 na edição 474

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


LUTO
Folha de S. Paulo


Morre nos EUA o colunista conservador William Buckley


‘DO ‘NEW YORK TIMES’ – William Buckley Jr., jornalista que conduziu o conservadorismo a uma posição central no debate político americano, morreu ontem em sua casa, em Stamford, Connecticut. Buckley, 82, sofria de diabetes e enfisema, disse seu filho Christopher. A causa exata de sua morte não foi divulgada.


Ele apresentava um dos mais antigos programas de entrevistas da TV americana, o ‘Firing Line’, e fundou a ‘National Review’, influente revista conservadora. Também escreveu 45 livros, com temas de odisséias náuticas a romances de espionagem.


Os mais de 4,5 milhões de palavras reunidos nas 5.600 edições de sua coluna jornalística quinzenal, ‘On the Right’, equivaleriam a outros 45 livros de médio porte.


A maior realização de Buckley foi fazer do conservadorismo -não só a adesão eleitoral ao Partido Republicano, mas o conservadorismo como sistema de idéias- uma causa respeitável nos EUA do pós-guerra. Ele mobilizou os jovens entusiastas que ajudaram a garantir a indicação de Barry Goldwater como candidato republicano em 1964, e viu a realização dos seus sonhos quando Ronald Reagan e os Bush chegaram à Casa Branca.


Para prazer de Buckley, ele foi classificado pelo historiador Arthur Schlesinger Jr. como ‘o flagelo do liberalismo’ [esquerdismo, nos EUA]. O avanço do liberalismo havia começado com o New Deal nos anos 30 e se acelerou na geração seguinte. Buckley declarou guerra a essa ordem. ‘Antes que houvesse Ronald Reagan, houve Barry Goldwater, antes de Barry Goldwater, houve a ‘National Review’, e antes da ‘National Review’ tínhamos Bill Buckley e a fagulha que ele trazia na mente -uma fagulha que, em 1980, se tornaria uma conflagração’, escreveu George Will na ‘National Review’, em 1980.’


 


IMPRENSA NA JUSTIÇA
Ranier Bragon


STF mantém suspensão na Lei de Imprensa


‘O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem por maioria manter a suspensão de 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa, mas autorizou o prosseguimento de processos cíveis e criminais contra jornalistas e empresas de comunicação, desde que com base nos códigos Civil e Penal.


Cinco dos dez ministros presentes à sessão de ontem seguiram o voto do relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, que na semana passada suspendeu liminarmente (decisão provisória) 20 artigos da lei.


Ele atendia a parte do pedido do PDT, que tenta no Supremo a total revogação da Lei de Imprensa (5.250/67), em vigor desde o final do governo Castello Branco, o primeiro dos generais-presidentes do regime militar (1964-1985).


‘Essa é uma lei que não serve para resolver conflitos, é uma lei que serve para intimidar, para ameaçar’, afirmou o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), na defesa que fez ontem, no tribunal, da ação do PDT pedindo a revogação da lei.


Três dos ministros presentes à sessão de ontem votaram pela total suspensão da lei, mas acabaram vencidos. Marco Aurélio Mello foi o único que votou contra a suspensão. A principal mudança em relação à liminar concedida por Ayres Britto na semana passada foi sobre o que acontecerá, na prática, com os processos judiciais movidos hoje com base, entre outras, na Lei de Imprensa.


Geralmente, a Lei de Imprensa serve de parâmetro para que pessoas que supostamente se sintam atingidas em sua honra por notícias jornalísticas movam ações criminais e cíveis (de indenização) contra jornalistas e órgãos de imprensa.


Na decisão de Ayres Britto, ele determinava suspensão imediata de processos e de decisões judiciais que tivessem relação com os 20 artigos ‘congelados’. Depois de debate ontem no plenário do Supremo, prevaleceu a posição do ministro Cezar Peluso, de suspender os artigos da lei sem determinar necessariamente a suspensão dos processos.


Em seus votos, vários ministros deixaram claro que os juízes podem dar continuidade aos processos que tenham sido movidos com base na Lei de Imprensa, desde que a substituam pelos códigos Penal e Civil, que também abrangem mecanismos de punição aos crimes contra a honra. O STF também decidiu julgar conclusivamente a ação do PDT -ou seja, declarar o que vale e o que não vale na Lei de Imprensa- em até seis meses.


Ao votar, Ayres Britto afirmou que pesou em sua decisão a recente onda de ações judiciais de indenização movidas por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra órgãos de imprensa, incluindo a Folha.


‘Não se pode desconhecer que fatos recentes sinalizam o abuso de litigar em juízo para, mediante quase uma centena de ações em atomizadas comarcas do interior brasileiro, inibir o exercício da profissão de jornalistas e as atividades de quatro específicos órgãos de imprensa: os jornais ‘Extra’, ‘O Globo’, ‘Folha de S.Paulo’ e ‘A Tarde’, disse.


Todos os dez ministros presentes à sessão concordaram que a Lei de Imprensa, de 1967, contém vários artigos que colidem com a atual Constituição, promulgada 21 anos depois, já sob o regime democrático.


‘É preciso advertir sempre que o Estado não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as idéias ou sobre as convicções manifestadas por qualquer cidadão dessa República e, em particular, pelos profissionais dos meios de comunicação social’, afirmou o ministro Celso de Mello, que votou pela suspensão total da lei até o julgamento final do mérito.


Mesma posição tiveram Carlos Alberto Menezes Direito e Eros Grau. ‘Os países desenvolvidos não têm lei de imprensa. Nem por isso os jornalistas e os cidadãos ficam desamparados perante a lei’, disse Menezes Direito.’


 


Folha de S. Paulo


Para advogados, liminar não afeta ações de igreja


‘Advogados especialistas em legislação de imprensa entendem que a liminar concedida pelo ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, suspendendo alguns artigos da Lei de Imprensa, não atinge as ações de indenização movidas em nome de fiéis da Igreja Universal contra a Folha e a repórter Elvira Lobato.


‘A liminar não vai ajudar nem prejudicar as ações da Igreja Universal’, diz o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira. ‘Essas ações são civis e 90% da decisão do ministro aborda dispositivos penais da Lei de Imprensa.’


Para o advogado Luiz de Camargo Aranha Neto, a liminar de Ayres Britto ‘não vai ajudar em nada a situação da Folha nem da mídia, pois todos os artigos revogados já se encontravam em desuso por decisões da jurisprudência do próprio Superior Tribunal de Justiça. Não vejo uma utilidade prática’.


O jurista René Ariel Dotti, advogado e professor de direito penal, também tem o mesmo entendimento: ‘Não me parece que ele suspendeu os processos de indenização. Na minha avaliação, estão suspensos os processos criminais que podem dar lugar à pena de prisão’.’


 


Folha obtém mais duas vitórias em ações dos fiéis da Universal


‘A juíza de Direito Elisabete Franco Longobardi, da comarca de Carapebus, município do Estado do Rio de Janeiro, julgou improcedente ação de indenização movida por um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato.


Trata-se da primeira decisão em que houve julgamento do mérito -ou seja, a juíza examinou se houve ou não abuso do exercício do direito de informação com a reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, publicada em dezembro. Os processos anteriores foram extintos porque a Justiça considerou ilegítimos os autores das ações.


O juiz André Souza Brito, do Juizado Especial Cível de Macaé (RJ), também extinguiu a ação proposta por Luis Cláudio Moraes da Rocha, que alegou ‘transtornos íntimos’ em virtude da reportagem.


Com essas duas decisões, já chegam a 11 as sentenças favoráveis ao jornal e à jornalista, de um total de 63 ações de indenização movidas.


A juíza Longobardi registrou que o jornal não circula no município de Carapebus, onde o autor é pastor da Igreja Universal. ‘Me parece estranho que num município onde o jornal Folha de S.Paulo não circula, os munícipes tenham adquirido o jornal e estejam abordando o requerente a fim de ofendê-lo’, afirmou na sentença.


Segundo a decisão, ‘não ficou demonstrado pelo autor [o pastor] nenhuma ofensa a sua honra subjetiva, imagem ou a sua dignidade, mormente porque, em nenhum momento, a matéria jornalística publicada no jornal Folha de S.Paulo faz referência ao nome do autor, não tendo sido mencionado, de forma específica, a Igreja em que o reclamante é pastor’.


Igualmente, o juiz Souza Brito, da comarca de Macaé, afirmou na sentença que ‘na reportagem objeto da ação não houve qualquer menção do nome do autor ou qualquer referência que pudesse vinculá-lo ao conteúdo da mesma, salvo o fato de seguir a doutrina pregada pela referida igreja, esta sim a pessoa jurídica mencionada na reportagem’.’


 


Dimitri do Valle


Irmão de Requião processa colunista e jornal


‘O superintendente do porto de Paranaguá, Eduardo Requião, entrou com ação na Justiça para pedir indenização contra o jornal ‘Gazeta do Povo’, de Curitiba, e o colunista do diário Celso Nascimento.


A ação, que o jornal informou poder chegar a R$ 1 bilhão, reclama reparos a supostos danos causados à imagem do porto e de Eduardo, irmão do governador Roberto Requião (PMDB).


A superintendência do porto diz que pede R$ 10 milhões de pagamento por custas judiciais, além de indenização de R$ 10 mil por exemplar que circulou quando foi publicada nota que deu origem à ação. O texto é de 30 de dezembro, quando o jornal informa ter tiragem de cerca de 100 mil exemplares.


Foi noticiado na coluna de Nascimento, com base em documentos da Marinha, que a navegação de navios de grande porte pelo canal de acesso ao porto teve que ser restringida. O colunista atribuiu a limitação ao assoreamento do canal, causado pela falta de dragagem do lodo por parte do terminal. Ele disse que questionou quem seria o responsável pelos ‘prejuízos que tais medidas trariam à economia paranaense’.


‘[Eduardo Requião] quer intimidar a mim e ao jornal. Esse comportamento truculento para ofender as pessoas tem sido freqüente, como na ‘escolinha’ [programa de TV em que o governador criticava desafetos, que foi proibido e multado pela Justiça]. Essa é a regra, mas a gente a entende como piada.’


Nascimento questionou o fato de o superintendente ter usado uma advogada que trabalha no porto para pedir uma ação de caráter privado.


Por meio da assessoria, o porto informou que Eduardo Requião estava em viagem. Sua chefe-de-gabinete, a advogada Estella Maris Bittencourt, que assina a ação, afirmou que o processo quer impedir que o colunista continue com ‘comentários mentirosos que provocam danos internacionais à imagem do porto’.


Sobre a indenização, Bittencourt disse que não foi feita menção a R$ 1 bilhão, mas confirmou ter solicitado reparação de R$ 10 mil por exemplar. Ela declarou que sua participação no processo é legal. ‘Tenho essa liberalidade profissional. Ingressei em nome do funcionário, e não da pessoa física dele.’’


 


Folha de S. Paulo


Jornalista é solto graças a liminar do STF


‘A liminar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu as punições aplicadas pela Justiça com base na Lei de Imprensa devolveu a liberdade ao jornalista José Diniz Júnior, 62, dono do semanário ‘Matéria-Prima’, de Taubaté (SP).


Diniz estava preso desde 4 de dezembro na cidade vizinha de Tremembé (SP). Ele foi condenado a um ano e um mês de detenção por injúria e difamação, crimes previstos na Lei de Imprensa. O processo foi movido pelo advogado Antonio Luís Ravani, de Taubaté, que acusa o jornalista de difamá-lo.


Diniz deixou o Presídio Edgard Magalhães de Noronha na segunda-feira. Lá, cumpriu pena durante 80 dias com outros cerca de 1.600 homens. No período, continuou escrevendo para o ‘Matéria-Prima’, atuou como técnico do time de futebol de um dos pavilhões da unidade e como arquivista.


Ele classificou sua condenação de ‘injusta’ e defendeu a liminar concedida pelo ministro do STF Carlos Ayres Britto: ‘Fiquei sabendo da decisão do STF pela televisão. Senti como se tivesse acontecido um milagre’.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


O maior, o novo rei


‘O site do ‘Wall Street Journal’ saudou o Brasil como ‘o novo rei dos emergentes’, ontem, com base no índice MCSI, do Morgan Stanley. O país passou a China e virou ‘o maior emergente do mundo’ em capitalização de mercado. Para outro banco, o Citigroup, o salto ‘meteórico’ se deve a Petrobras, descoberta de Tupi, commodities. O país deixou para trás Coréia, Taiwan e agora China, importadores de commodities.


Por outro lado, o Economy.com, da agência de avaliação Moody’s, com eco por Forbes e outros, postou que ‘a economia brasileira vai continuar a avançar em 2008 apesar da recessão nos EUA’. Pode até cortar mais os juros, ‘se a inflação se mantiver sob controle’.


‘BURN, DOLLAR, BURN’


Já o dólar americano, como destacam seguidas reportagens no mesmo ‘WSJ’ e outros, está sendo ‘reclassificado’ para patamar inferior, entre as moedas do mundo. Dia após dia, atinge o menor valor ‘de todos os tempos’ contra moedas como euro, anteontem, e do franco suíço ao dólar neozelandês, ontem. Até no Brasil ele bateu recorde negativo de ‘nove anos’.


Num dos títulos de ontem, ‘Não é fácil ser verdinha’ (greenback). O ‘WSJ’ arrisca que a queda se deve à persistente falta de ‘contágio’, no mundo, da crise dos EUA.


NEM COMEÇOU


A notícia saiu por aqui na BBC Brasil, desde Bruxelas, ‘União Européia libera importação de carne de 106 fazendas’. E é lista ‘provisória’, para exportar ‘a partir de hoje’, dizem diplomatas europeus. Depois eles liberam mais.


No site britânico Farmer’s Weekly, a revolta dos fazendeiros irlandeses foi imediata, com adjetivos como ‘irresponsável’, ‘repugnante’ para a decisão. ‘O veto à carne brasileira acabou antes de começar’, lamentou-se o presidente da comissão de agricultura do Parlamento Europeu.


ENERGIA INESPERADA


O site da instituição de política externa Council on Foreign Relations, dos EUA, destacou ontem a ‘energia inesperada do Brasil’ e suas implicações políticas em uma região ‘faminta por energia’ -e onde se move a Venezuela.


Diz o CFR que Tupi e outros achados são ‘alavancas significativas’ para o país na América Latina -ele que ‘já é potência em biocombustível’.


ENERGIA INEFICIENTE


E o site do Banco Mundial destacou o lançamento do livro ‘Financiando a Eficiência de Energia: Lições de Brasil, China, Índia e além’, de um de seus próprios economistas.


Os países, dados como ‘Big 3’ dos emergentes, devem dobrar o consumo em 20 anos e têm ‘potencial quase intocado’ para uma energia mais eficiente, com menor emissão de gases com efeito estufa.


O LADRÃO


O ‘WSJ’ resenhou ontem ‘O Ladrão no Fim do Mundo’, sobre Henry Wickham, que veio ao Brasil em 1886 atrás do Eldorado e levou sementes da árvore da borracha, ‘ouro branco’, de volta à Inglaterra -e daí para os extremos do Império Britânico, Malásia, Cingapura, no golpe célebre


ELA E OS JORNALISTAS


Hillary Clinton não venceu o debate com Barack Obama, avaliaram Adam Nagourney no ‘NYT’, Howard Kurtz no ‘Washington Post’, Ben Smith no Politico.com e Mike Madden na Salon.com. E até Lucas Mendes jogou a toalha na BBC Brasil, ‘precisava de nocaute e não conseguiu’.


No próprio debate, restou a Hillary apelar ao ‘Saturday Night Live’ e culpar, não sem certa razão, os jornalistas.’


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Sérgio Dávila


Para eleitores, imprensa favorece Obama


‘Na primeira metade do debate de anteontem entre os presidenciáveis democratas Hillary Clinton e Barack Obama, depois de ouvir uma pergunta sobre o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a senadora citou o humorístico ‘Saturday Night Live’.


No quadro de abertura da edição do último sábado, atores interpretam jornalistas no penúltimo debate, em Austin, no Texas, que mal conseguem conter o deslumbramento de estarem diante de ‘Obama’, a quem tratam muito bem e fazem perguntas fáceis; já ‘Hillary’ é recebida a patadas.


A alusão ao programa foi recebida com sarcasmo pela mesma imprensa que Hillary criticava. ‘Foi um momento baixo’, disse John Dickerson, da revista eletrônica ‘Slate’. ‘Atacar a imprensa é a coisa mais capenga que alguém pode fazer’, escreveu Maureen Dowd, colunista do ‘New York Times’. ‘É só pela boa vontade da imprensa que Hillary pôde perder onze disputas seguidas e ainda assim ser tratada como concorrente.’


O problema é que a maior parte dos eleitores democratas concorda com a ex-primeira-dama: a imprensa local favorece Barack Obama em sua cobertura, acreditam, segundo pesquisa recente. Além disso, levantamento de uma entidade que estuda a mídia mostra que o senador supera sua rival em espaço dedicado a ele pela mídia, numa curva ascendente.


A primeira conclusão é um dos itens da pesquisa publicada na segunda-feira pelo jornal ‘The New York Times’ e a emissora CBS. Indagados se achavam que a imprensa é mais crítica a Hillary, 48% dos ouvidos disseram sim, ante apenas 8% que acreditam que os veículos noticiosos tratem a candidata com complacência e 43% que enxergam imparcialidade.


Os números são diferentes quando o nome é Obama: só 14% acham que a imprensa é mais crítica em relação a ele, ante 33% que acham que é complacente e 52% que acham que é imparcial. O universo é sempre de eleitores democratas que votam em primárias, e o período do levantamento, entre os últimos dias 20 e 24.


Já estudo semanal do Project for Excellence in Journalism (projeto pela excelência do jornalismo, PEJ, na sigla em inglês), entidade não-governamental que monitora a atuação da mídia americana, conclui que o pré-candidato democrata vem obtendo cada vez mais espaço no noticiário.


No mais recente, que cobre a semana de 18 a 24 deste mês, Obama apareceu em 56,8% das reportagens, ante 49,9% para Hillary e 38,4% para o republicano John McCain. No anterior (de 11 a 17 de fevereiro), a ex-primeira-dama estava adiante, com 56,9%, seguida pelo senador democrata (55,4%) e o senador republicano (34,3%).


O PEJ não analisa o tom do material jornalístico, vindo de um universo de cerca de 500 reportagens exibidas ou publicadas nos principais telejornais de TV aberta e paga, jornais impressos, sites desses jornais e em noticiários de rádio.


Réquiem para Hillary


Mas a tendência, escreve Mark Jurkowitz, do projeto, é positiva para Obama e negativa para Hillary (segundo ele, a presença menor de McCain se deveria ao fato de ele já ser o candidato virtualmente escolhido pelo partido da situação.)


‘Nos cantos de alguns palpiteiros inimigos de Hillary, seu obituário político já estava sendo preparado’, escreve o jornalista, em relação à semana de 11 a 17 de fevereiro. ‘De modo oposto, Obama surfou numa onda de cobertura positiva, que o descrevia com uma real -se não decisiva- vantagem.’


Howard Kurtz, colunista de mídia do ‘Washington Post’, vê fundamento na reclamação da senadora. ‘Enquanto Hillary tem sido dissecada por tudo, de seu decote à sua risada, passando pelo choro, as controvérsias envolvendo Obama por algum motivo nunca parecem decolar na imprensa’, disse.


Mas as coisas podem estar começando a mudar. Ontem, horas depois do debate, a CNN trouxe reportagem sobre a relação de Obama e o líder negro ultra-radical Louis Farrakhan, cuja polêmica foi mencionada anteontem por Hillary.’


 


TECNOLOGIA
Marcelo Ninio


UE multa Microsoft em € 899 mi


‘O maior fabricante de programas de computador do mundo foi punido ontem com a multa mais alta já aplicada pela União Européia a uma única empresa. A gigante americana Microsoft foi condenada a pagar € 899 milhões (R$ 2,2 bilhões) por não respeitar leis de concorrência e abusar de seu domínio do mercado.


Com a decisão, as multas acumuladas pela Microsoft por práticas proibidas pela lei antimonopólio da UE, como negar-se a fornecer informações vitais de seus programas a fabricantes rivais e cobrar preços excessivos por royalties, totalizam € 1,68 bilhão.


‘A Microsoft é a primeira empresa nos 50 anos de política de concorrência da UE que a comissão tem que multar por não-cumprimento de sua decisão antimonopólio’, disse a comissária européia de Concorrência, Neelie Kroes. ‘Espero que a decisão de hoje [ontem] encerre um capítulo sombrio no histórico da Miscrosoft, de não-cumprimento da decisão de março de 2004.’


A sentença a que a comissária se referiu foi emitida há quatro anos pela UE, acusando a Microsoft de não fornecer as informações necessárias para que as empresas concorrentes desenvolvessem programas compatíveis com os fabricados pela gigante americana. Foi aplicada então a primeira multa, de € 497 milhões.


A Microsoft recorreu, mas perdeu no Tribunal de Justiça da UE. Em julho de 2006, diante do contínuo descumprimento, a corte de Bruxelas impôs a segunda multa, de 280 milhões. A empresa americana ainda pode apelar da decisão de ontem, mas ainda não decidiu se irá fazê-lo.


Em comunicado, a Microsoft disse que a nova multa se refere a problemas já resolvidos, indicando que está adotando medidas para tornar seus produtos mais abertos. Um exemplo seria medida da semana passada, quando anunciou a abertura de boa parte dos códigos e protocolos do Windows, o sistema operacional de 95% dos computadores do mundo.


A comissária européia, entretanto, reagiu com ceticismo às promessas, afirmando que o anúncio ‘não equivale necessariamente a uma mudança’ na mentalidade da Microsoft. ‘Falar é barato. Ignorar as regras é caro’, disse Kroes.


Embora a comissária veja indícios de que a Microsoft finalmente esteja cumprindo com a decisão de 2004, a disputa entre a empresa e a UE não terminou. A comissão está examinando se o acoplamento do programa Internet Explorer ao Microsoft Windows representa uma exclusão injusta dos concorrentes do mercado. O órgão também investiga se a Microsoft omitiu informação essencial de rivais que queriam tornar seus produtos compatíveis com programas da empresa, como o Office.


Segundo Kroes, a multa foi calculada pelo número de dias (488) nos quais a empresa manteve o descumprimento das decisões da comissão. A punição equivale a cerca de 10% do lucro anual da Microsoft, que em 2007 chegou a US$ 14,065 bilhões.’


 


Julio Wiziack


Companhia ganha processo no Brasil


‘O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu ontem que a Microsoft não faz venda casada de seu sistema operacional, o Windows, com notebooks, principalmente os das marcas Toshiba, HP, Itautec, Dell e Sony.


Para funcionar, um computador precisa de um sistema operacional. Se ele não vem instalado de fábrica, é preciso adquiri-lo separadamente.


O processo, aberto por orientação do Ministério Público Federal em Mato Grosso, foi iniciado em 2007 e exigia que os fabricantes deixassem de vender notebooks com o Windows pré-instalado.


De acordo com o relatório do conselheiro Fernando Furlan, uma simples pesquisa na internet sobre os modelos de notebooks e os seus respectivos sistemas operacionais disponíveis no mercado resolveu o caso.


Não é a primeira vez que a Microsoft é levada ao Cade. Entre 1998 e 2008, a empresa enfrentou 12 processos. Sete deles referiam-se a práticas que supostamente feriam a concorrência. A Microsoft perdeu um, há quase quatro anos.


Naquela ocasião, a empresa de tecnologia foi acusada de monopólio pela ‘exclusividade atribuída pela Microsoft ao seu distribuidor TBA para atendimento da administração pública federal’.


A multa, no valor de R$ 6,494 milhões, foi paga apenas em 2006 porque os advogados da Microsoft pediram ao Cade um desconto de 20%. A empresa pagou R$ 5 milhões.


Em relação à multa aplicada ontem pela Comissão Européia, os impactos imediatos no Brasil são nulos.


A punição se refere a um processo movido há quase quatro anos pelas autoridades antitruste européias.


É possível que surjam, a partir de agora, processos semelhantes no Cade. Mas, segundo especialistas consultados pela Folha, essas ações podem ser vencidas pela Microsoft.


Isso porque, na semana passada, ela decidiu abrir a maior parte dos códigos do Windows. Esse foi até um dos argumentos usados pelos advogados da companhia para tentar baixar o valor da multa aplicada na Europa.’


 


CAMPANHA
Tatiana Resende


Net lança ‘combo’ para disputar com teles


‘A Net Serviços, que detém 46% do mercado de TV por assinatura, lança uma campanha ofensiva para conquistar mercado na telefonia fixa em parceria com a Embratel. A partir de hoje, a empresa oferece um pacote com banda larga, recepção de canais abertos pelo cabo e telefone por R$ 39,90.


O valor é similar ao das assinaturas residenciais dos pacotes obrigatórios de telefonia fixa -em São Paulo, por exemplo, custa R$ 38,80.


O Net Fone via Embratel terminou 2007 com 567 mil clientes, 212% a mais do que no ano de lançamento (2006). ‘A telefonia fixa tem perdido assinantes, enquanto a Net tem crescido’, diz Eduardo Aspesi, diretor de marketing da empresa. Na verdade, o setor está estável, com apenas 1% a mais de usuários em outubro de 2007, último dado disponível na Anatel, em relação a igual mês de 2006.


O pacote da Net inclui franquia equivalente a 125 minutos de ligações locais para telefones fixos, mas pode ser gasta também com celular, chamada interurbana e internacional.


Eduardo Tude, da consultoria Teleco, especializada em telecomunicações, destaca que os 100 kbps de velocidade oferecida na banda larga (200 kbps promocional nos primeiros seis meses) é menos do dobro da conseguida na linha discada.


Telefônica e Brasil Telecom preferiram não comentar o ‘combo popular’ lançado pela Net, e a Oi (ex-Telemar) reiterou, por meio de nota, que também tem ‘serviços convergentes gerando benefício para os clientes’, como a oferta de banda larga com telefonia fixa.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Próximo ‘BBB’ terá participantes ‘coroas’


‘Está chegando ao fim a ‘ditadura’ dos ‘pós-adolescentes’ no elenco de ‘Big Brother Brasil’. A próxima edição do reality show da Globo terá dois participantes com mais de 45 anos e cinco na faixa dos 35 aos 45 anos. Pessoas com esse perfil foram raridade nos sete anos do programa, dominado por participantes jovens e belos.


Segundo o diretor de núcleo J.B. de Oliveira, o Boninho, a composição de ‘BBB 9’ será feita sob o critério da idade. A idéia é aumentar o potencial de conflitos entre os jogadores.


Na edição que está no ar, a direção do programa teve que criar mecanismos, como paredões triplos e telefonemas que interferem diretamente no jogo, para acabar com o clima de ‘acampamento escolar’ estabelecido no confinamento.


Para Boninho, isso ocorreu porque os competidores estudaram ‘BBBs’ anteriores e tentaram imitar estratégias e comportamentos de antigos vencedores. O fato de todos serem muito jovens (de 21 a 31 anos) ajudou no ‘entrosamento’.


Apesar de uma pequena queda na audiência, ‘BBB 8’ já é recordista em merchandising. Com mais de 80 ações previstas (quase uma por dia), 30% a mais do que em 2007, é o maior sucesso comercial da Globo.


Embora participem de quase todos os merchandisings, os participantes do programa não ganham comissão (apenas cerca de R$ 3.000 por mês entre salário e cachê).


CAI DO CÉU 1 A Record está se dando ao luxo de exibir filmes sem intervalos comerciais. Domingo, desistiu no ar de um break em ‘O Exterminador do Futuro 2’. A emissora cortou o filme, exibiu a vinheta da sessão e, imediatamente, voltou a apresentar o longa, sem um único comercial.


CAI DO CÉU 2 A ‘estratégia de guerrilha’ da Record visa apenas ganhar audiência. Anunciantes relatam que a rede oferece comerciais de graça por um ano inteiro a grandes marcas compradoras de cotas de patrocínio de programas que duram dois meses.


MUNDO-CÃO Telejornal popular da Record, o ‘Balanço Geral’ tem apelado a ‘reportagens’ sobre cães ‘talentosos’, que ‘cantam’ e ‘compram’ espetinhos.


TV POPULAR Maior operadora do país, a Net anunciou ontem que passará a vender uma combinação de telefone fixo com internet rápida (100 kbps) e canais de TV aberta por R$ 39,90 mensais. Não há canais pagos.


SHOW O cenário do ‘Aqui Agora’, que volta ao SBT na próxima segunda-feira, terá uma platéia de pouco mais de 30 lugares. As cadeiras ficam em um canto do cenário, que faz uma curva de 180º. A princípio, só serão ocupadas uma vez por semana, por estudantes universitários. Mas, se der certo, o telejornal terá platéia sempre.


AGORA VAI O Ministério das Comunicações consignou ontem um canal de TV digital à TV Brasil (TV pública federal) no Rio.’


 


Folha de S. Paulo


Desenho de Sieber estréia no ‘Retalhão’


‘É um programa estranho o tal de ‘Retalhão’, apresentado pelo cantor e ator baiano Zéu Britto, no Canal Brasil.


Como o nome sugere, ele é formado de diversos pedaços -crônicas, entrevistas, reportagens, clipes musicais- que vão sendo ‘costurados’ pelo apresentador.


A indefinição entre o registro jornalístico ou fictício torna tudo meio confuso e, não raro, constrangedor -para apresentar um curso de animação, por exemplo, Zéu Britto se faz passar por um novo aluno.


O tema da animação, a propósito, está ligado à estréia do desenho ‘Negão Bolaoito Talk Show – Melhores Momentos’, que passa a ser mais um dos retalhos que formam o programa. Criado por Allan Sieber -cartunista da Folha- e sua produtora Toscographics, o desenho traz um apresentador de um talk-show beberrão, dublado por Edu K (que também dá voz aos entrevistados).


É uma obra aquém de animações mais interessantes de Sieber, como ‘Deus É Pai’, mas é mais um espaço na TV para a animação (ou ‘desanimação’, como define o autor) brasileira, o que merece elogios.


No mais, os outros ‘retalhos’ variam de qualidade dependendo de quem é o responsável pela crônica/pensata/conversa fiada. Há Zé Celso, Augusto Boal, Aldir Blanc, Jorge Mautner e Ferreira Gullar.


RETALHÃO


Quando: reprise hoje, às 14h, e sáb., às 16h; dom., às 20h30


Onde: Canal Brasil’


 


FOTOGRAFIA
Mario Gioia


‘Sempre estou disposto ao imprevisto’


‘‘Um fotógrafo razoável.’ É como Cristiano Mascaro, 63, se define ao mostrar as 50 imagens que compõem ‘Todos os Olhares’, exposição ‘panorâmica’ (‘Retrospectiva não é comigo, eu sou um jovem promissor’, brinca) da sua produção, com registros de 1980 a 2008 e curadoria de Agnaldo Farias.


‘[As imagens] Vão se encontrando, não é? É, por mais que eu não perceba, não queira, foi esse olho aqui que olhou e elas acabam sempre tendo um vínculo’, avalia ele.


‘Eu posso ser um fotógrafo razoável, mas eu sempre soube, sem nenhuma má intenção, me aproximar de pessoas admiráveis. O Antonio Candido já fez uma apresentação do meu trabalho, o Ferreira Gullar chamou essas surpresas da fotografia de ‘espantos’, do mesmo modo como o Nelson Rodrigues falava do ‘sobrenatural’.’


Além da mostra, o fotógrafo também é foco de um livro, ‘Cristiano Mascaro – Desfeito e Refeito’ (ed. Bei, organização de Laura Aguiar, R$ 82,50, 128 págs.), que é lançado hoje no instituto. A publicação revisita sua trajetória, com comentários, imagens de sua autoria e de nomes que o influenciaram, como Henri Cartier-Bresson (1908-2004), André Kertész (1894-1985), Ansel Adams (1902-1984) e Sergio Larraín.


‘A gente tem de estar disposto para o imprevisto. Eu, pelo menos, não faço um trabalho que você constrói para fotografar. Acho que o sabor da coisa está em, realmente, você sair por aí disposto ao sobrenatural’, afirma ele. ‘O Ansel Adams levou a uma condição extrema a técnica, que virou um elemento de linguagem, ele era muito rigoroso. Mas sua foto mais famosa, ‘Moonrise, Hernandez, New Mexico’ [de 1941], ele fez numa correria, de improviso.’


Por isso, São Paulo, cidade de transformações aceleradas e constantes, ainda é um dos principais focos de Mascaro.


‘São Paulo exerce um fascínio muito grande sobre mim. Ela está sempre se autodestruindo, não no sentido negativo, se renovando. Há uma diversidade, uma mobilidade, cenários variados. Você fica parado numa esquina, e as coisas acontecem à sua revelia.’


E, mesmo sendo retratada por diversas vezes, a cidade não deixa de surpreendê-lo. ‘Estava fazendo um trabalho por ocasião dos 450 anos de São Paulo para o Instituto Moreira Salles no centro da cidade. Fiquei me hospedando em uns hoteizinhos, e tinha um na Cásper Líbero [o Marian Palace, de 1942] que sempre me interessou. Me hospedei lá e, de madrugada, fui subindo para a caixa d’água. Ao subir a última escadinha, descortinou-se aquela paisagem, foi um fascínio muito grande, um ‘terra à vista’.’


O processo de trabalhar em película também é fundamental para Mascaro. ‘A satisfação de buscar um lote de provas de contato no laboratório e ver o resultado é muito importante. Vou vendo aos pouquinhos. É igual a uma noite de amor, você não quer que acabe logo.’


CRISTIANO MASCARO – TODOS OS OLHARES


Quando: abertura hoje (convidados), às 20h; de ter. a dom., das 11h às 20h; até 4/5


Onde: Instituto Tomie Ohtake (av. Brigadeiro Faria Lima, 201, tel. 0/xx/11/ 2245-1900)


Quanto: entrada franca’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


TV BRASIL
Eugênio Bucci


Sem independência, não há TV pública


‘Há um discreto avanço administrativo na Medida Provisória (MP) 398 de 2007, que autorizou o Poder Executivo a criar a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, estatal responsável pela TV Brasil. A fusão de duas antigas instituições – a TVE do Rio de Janeiro e a Radiobrás – em uma terceira, totalmente nova, traz racionalidade à gestão das emissoras federais, além de economia de recursos e ganhos de escala. Nesse sentido, o governo acertou: superou divergências e formulou uma proposta mínima para a modernização do setor.


Ocorre que, como alertei há duas semanas neste mesmo espaço, a MP é tímida diante do que precisa ser feito. Se representa uma evolução administrativa, está longe, muito longe, de avançar em matéria de independência – e, sem independência, sobretudo independência ante o governo, não há TV pública de verdade. Agora, quando a matéria tramita no Congresso Nacional, os parlamentares têm a oportunidade de corrigir a falha, ao menos em parte.


Segundo estabelece a MP 398, a EBC é uma empresa pública semelhante à velha Radiobrás: ainda é vulnerável a interferências governamentais. Quanto a isso, as alterações do relator, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), não trouxeram maiores novidades. Mas ainda há tempo. Por pelo menos dois caminhos, o Congresso poderia tentar elevar o grau de autonomia política e editorial da EBC.


O primeiro caminho passa por aumentar o poder do Conselho Curador. Embora inteiramente nomeado pelo presidente da República, esse conselho tem o compromisso declarado de reunir representantes da sociedade e de agir com altivez. Pois bem, se isso é mesmo para valer, cabe perguntar: por que ele nem sequer participa, nem mesmo de modo indireto, da eleição dos dirigentes da empresa? Por que apenas o presidente da República e o Conselho de Administração, composto unicamente de representantes do governo, podem decidir sobre quem serão os diretores? Se quiser alterar esse quadro, o Legislativo deve encontrar formas de envolver o Conselho Curador na escolha dos diretores-executivos e, com isso, reduzir um pouco a potencial influência do Palácio do Planalto sobre as decisões da nova empresa. A forma para se viabilizar essa alteração dependerá, por certo, da legislação que disciplina o funcionamento das empresas públicas, mas alguma saída há de existir. Está nas mãos do Congresso.


A segunda modificação tem ainda mais urgência. A prevalecer o que dispõe a MP – em dispositivos mantidos pelo relator -, a EBC ficará vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, cujo ministro conservará a prerrogativa de indicar o presidente do Conselho de Administração, órgão superior de direção da estatal. Sejamos claros: esse vínculo institucional da EBC com a Presidência da República vai na contramão dos melhores princípios da comunicação pública. Nos Estados democráticos, emissoras públicas têm muito mais afinidade com a área da cultura do que com áreas encarregadas da agenda da Presidência da República. Isso significa que devem ser tratadas como entidades culturais, não como postos avançados da comunicação de governo.


A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República não é um organismo com finalidades culturais. Basta ver do que ela se ocupa. Em primeiro lugar, gerencia a publicidade do governo, ou seja, compra espaço publicitário nos meios de comunicação privados. Além disso, cuida da assessoria de imprensa da Presidência da República, trabalhando para promover uma imagem favorável do presidente. Faz comunicação de governo, não comunicação pública. Nada tem que ver com cultura em sentido amplo – ou com a atividade jornalística em sentido estrito. Aliás, pelos cânones da ética jornalística, um organismo dedicado à assessoria de imprensa não deveria supervisionar uma empresa pública encarregada de informar com objetividade. Simples assim. Se se quer de fato uma EBC jornalística, não se pode querer uma EBC vinculada à Presidência da República.


As incompatibilidades são claras. Fiquemos apenas num exemplo. No início de fevereiro, a Secretaria de Comunicação Social organizou e conduziu uma coletiva em que três ministros de Estado – cujos gabinetes funcionam dentro do Palácio do Planalto – sustentaram que a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência poria em risco a segurança nacional. Trata-se de uma linha de raciocínio que se opõe ao direito à informação e, portanto, ao espírito do jornalismo. Como poderia então o jornalismo, mesmo em uma empresa pública, submeter-se a essa lógica?


A verdade é que os propósitos e os métodos da assessoria de imprensa – em órgãos públicos ou privados – não são compatíveis com os propósitos e métodos do jornalismo. Pretender o contrário é confundir a opinião pública, tentando levá-la a crer que não há oposição natural entre o papel de difundir versões oficiais e o papel de informar o cidadão com objetividade. É, de resto, muito improvável que um jornalismo independente possa prosperar à vontade dentro de uma estrutura funcionalmente tão próxima à Presidência da República.


Alegam que, na condição de empresa pública, a EBC desfrutará de autonomia administrativa. É fato. Entretanto, vinculada ao Planalto, ela estará mais exposta ao risco da confusão de papéis. Para baixar riscos dessa natureza, emissoras públicas – dedicadas, por definição, à diversidade cultural e à informação apartidária – ficam mais confortáveis e mais livres quando se relacionam com o Poder Executivo por meio da área da Cultura. Em síntese, é ao Ministério da Cultura que a EBC deveria se vincular. Emissoras públicas são mais públicas quando sabem guardar distância da comunicação de governo.


Eugênio Bucci, integrante do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura de São Paulo), foi presidente da Radiobrás de 2003 a 2007′


 


LEI DE IMPRENSA
Felipe Recondo


STF mantém liminar contra Lei de Imprensa


‘O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou ontem a liminar concedida na semana passada pelo ministro Carlos Ayres Britto, que derrubou 22 pontos da Lei de Imprensa. Mas, ao contrário de Britto, os ministros decidiram que as ações baseadas nessa lei que já estão em andamento na Justiça continuarão a correr normalmente.


Para contornar o fato de que artigos da Lei de Imprensa estão suspensos, as ações contra jornalistas e empresas de comunicação serão analisadas com base nos artigos da Constituição e dos Códigos Civil e Penal que tratam dos crimes de calúnia, injúria e difamação.


As penas previstas na Carta e nos dois códigos são menores do que as determinadas na Lei de Imprensa, que foi criada em 1967, durante a ditadura. Outros artigos suspensos são o que permite a censura a espetáculos e diversões públicas e o que dá poderes ao governo para a apreensão de jornais e revistas que ofendam a moral e os bons costumes.


DIVERGÊNCIA


A decisão de ontem vale até o Supremo julgar em definitivo o assunto. Os ministros acertaram um prazo de seis meses para fazer isso. O mais provável é que no julgamento do mérito da ação, que foi apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), em nome de seu partido, todos os artigos da Lei de Imprensa sejam derrubados.


A possibilidade de substituir pontos da Lei de Imprensa pelos artigos da Constituição e dos Códigos Civil e Penal levou alguns ministros, como Britto e Carlos Alberto Menezes Direito, a sugerirem que o Brasil não precisa de uma lei que regule especificamente a atividade dos jornalistas e meios de comunicação. Ao contrário, argumentaram, a Constituição nem sequer permitiria a existência de uma Lei de Imprensa. Os dois embasaram sua opinião no artigo 220 da Constituição, que estabelece: ‘Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social.’


‘É incompatível com a Constituição uma Lei de Imprensa’, afirmou Britto. ‘Nenhuma lei pode trazer embaraço à informação jornalística’, acrescentou Direito, repetindo a Carta. O ministro Celso de Mello, por outro lado, acha que essa questão não é de alçada do Supremo. ‘Deveria o Estado brasileiro ter uma Lei de Imprensa? Claro que não nos compete responder a essa pergunta’, disse.


Esse conflito também deve ser resolvido quando o Supremo avaliar o mérito da ação apresentada pelo PDT. No julgamento, todos os artigos da Lei de Imprensa serão analisados separadamente. Os pontos que os ministros entenderem que não estão de acordo com a Constituição de 1988 serão suspensos. Os artigos que tiverem correspondência na Constituição poderão ser mantidos.


Uma terceira possibilidade será derrubar integralmente a lei e aplicar para jornalistas apenas os Códigos Penal e Civil. Nesse caso, os ministros decidirão ainda se a Constituição permite que o Congresso aprove uma nova Lei de Imprensa.’


 


LUTO
O Estado de S. Paulo


Morre nos EUA William F. Buckley Jr.


‘O escritor, apresentador e articulista americano William F. Buckley Jr. morreu ontem em sua casa em Stamford, Connecticut, aos 82 anos. A causa da morte de Buckley, um dos intelectuais conservadores mais respeitados e polêmicos dos EUA, não foi divulgada, mas ele vinha sofrendo de enfisema. Buckley Jr. fundou em 1955 a revista conservadora ?National Review?. Ele também atuou como apresentador do programa de TV ?Firing Line? entre 1966 e 1999 e escreveu pelo menos 55 livros. Considerado um dos fundadores do movimento conservador moderno nos EUA, Buckley ajudou a criar o Partido Conservador em Nova York, em 1961, e trabalhou durante um ano como agente da CIA no México. Em comunicado, o presidente George W. Bush lamentou a morte de Buckley Jr.’


 


TV DIGITAL
Renato Cruz


Confusão na TV digital afasta consumidores


‘Lançada há três meses, a TV digital ainda confunde o consumidor. As emissoras e a indústria fizeram uma campanha para o lançamento em 2 de dezembro, na Grande São Paulo, mas, mesmo assim, o desconhecimento segura o mercado. ‘Tem muita gente que compra uma antena parabólica porque não recebe um bom sinal analógico, quando poderia comprar um set-top box (também chamado de conversor), que custa quase o mesmo preço’, afirmou o professor Gunnar Bedicks Jr, da Universidade Mackenzie. ‘Eles não sabem que podem ligar seu set-top box na TV analógica, e ter uma imagem melhor.’


Um estudo do Mackenzie mostrou 56% das residências na Grande São Paulo recebem um sinal analógico ruim. A qualidade de recepção poderia ser um argumento de venda importante para a indústria e o varejo, mas a mensagem, até agora, tem se concentrado na alta definição, que depende de televisores de alto custo, com telas de plasma ou cristal líquido (LCD).


No lançamento, em dezembro, houve problemas de equipamentos fora da norma, que tiveram que ser modificados pelos fabricantes. Um importador, por exemplo, trouxe televisores portáteis que não conseguiam reproduzir o som do sistema brasileiro. Os programas de TV ficavam mudos.


‘Estamos remontando o grupo que reúne as emissoras e a Eletros (associação de fabricantes), para lançarmos uma campanha de sustentação’, explicou Roberto Franco, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre. A idéia é, além de retomar a campanha publicitária, trabalhar com varejistas, instaladores e antenistas. A intenção é lançar a campanha o mais rápido possível, até o começo de abril.


A TV digital oferece som e imagens melhores que a analógica. Ela também permite mobilidade e interatividade. A mobilidade está no ar, mas os celulares que recebem TV aberta ainda não estão disponíveis. A interatividade depende do software Ginga, desenvolvido no Brasil, que não está presente nos equipamentos atualmente no mercado. Quem vê a TV aberta e não quer trocar de aparelho, pode comprar um conversor, que custa a partir de R$ 500.


Em dezembro, foram vendidos cerca de 48 mil equipamentos, segundo estimativas da indústria. De lá para cá, houve anúncios de conversores de R$ 180, que não chegaram ao mercado. ‘Não tenho nenhum número sobre o mercado’, disse Franco. ‘Mas ninguém esperava um estouro de vendas.’


Ele destacou que em outros mercados a introdução da TV digital não foi rápida. O Japão ficou quase três anos com transmissões experimentais. Na Inglaterra, uma das empresas quebrou e o governo teve que modificar o modelo de negócios. Nos Estados Unidos, onde o sinal analógico vai ser desligado em 17 de fevereiro de 2009, o governo está oferecendo até dois cupons de US$ 40 para que as pessoas que ainda dependem do sinal analógico possam migrar. Lá, existem conversores a partir de US$ 50. ‘Na Europa também foi dado subsídio’, afirmou Franco.


Um estudo da Nielsen, divulgado este mês, mostrou que 13 milhões de residências americanas não estão prontas para a TV digital. Outras 6 milhões de residências tinham aparelhos de televisão, que não eram os principais, que só recebiam sinal analógico. Durante o período de transição, as emissoras veiculam os sinais analógico e digital, simultaneamente. Nos EUA, o sinal analógico será desligado no ano que vem. No Brasil, a previsão é 2016.


A próxima cidade a receber a TV digital deve ser o Rio de Janeiro, mas as emissoras não ainda não conseguiram fechar uma data única de lançamento, como aconteceu em São Paulo. A perspectiva é que as primeiras transmissões ocorram em abril ou maio. Mas a maioria das emissoras deve começar somente no segundo semestre.


NO COMEÇO


48 mil equipamentos de TV digital foram vendidos em dezembro, segundo estimativas da indústria


R$ 500 é o preço do conversor mais barato no mercado hoje


2016 é o fim da transição para a TV digital no País, quando todos espectadores devem estar preparados’


 


TECNOLOGIA
Jamil Chade


Microsoft recebe multa recorde de US$ 1,35 bi


‘A União Européia (UE) anunciou ontem uma multa recorde de ? 899 milhões (US$ 1,35 bilhão) contra a gigante do software Microsoft, acusando a empresa americana de não ter cumprido a decisão de Bruxelas, tomada em 2004, contra práticas consideradas monopolistas da empresa. A multa é a maior já aplicada sobre uma companhia pelas autoridades antitruste da Europa.


‘A Microsoft é a primeira companhia em 50 anos a sofrer esse tipo de multa e não cumprir a determinação antitruste da UE’, afirmou a comissária da Europa para a Concorrência, Neelie Kroes.


Essa é a terceira multa aplicada à Microsoft pelo mesmo motivo. Em 2004, após um processo que durou cerca de cinco anos, a empresa foi condenada a pagar ? 407 milhões por sonegar informações sobre o sistema operacional Windows para empresas que produzem softwares concorrentes. Com isso, programas produzidos por outras companhias que não a Microsoft não conseguiam rodar nos computadores que tinham o Windows instalado (ou seja, quase todos), praticamente obrigando o consumidor a comprar apenas os softwares produzidos pela gigante americana.


A Microsoft até aceitou passar as informações, mas cobrou royalties considerados ‘injustos’ pelos europeus. Em julho de 2006, a empresa recebeu uma nova multa de ? 280 milhões, por ignorar as determinações da UE de abrir informações do Windows aos concorrentes. A empresa recorreu das duas multas no Tribunal da União Européia. Com a multa anunciada ontem, as sanções aplicadas à Microsoft já chegam a ? 1,68 bilhão (US$ 2,51 bilhões).


A maior fabricante de softwares do mundo tentou evitar as retaliações anunciando que ajudaria as demais empresas a trabalhar com seus programas. Além disso, iniciou contatos para permitir certo acesso à sua tecnologia a programadores de outras marcas.


Ontem, diante do anúncio da UE, a companhia emitiu um comunicado insistindo que se trata de um ‘tema do passado’. ‘As multas são sobre o passado e sobre temas que já foram resolvidos’, afirmou a companhia. Segundo a Microsoft, as medidas anunciadas na semana passada visam abrir o acesso aos produtos da companhia. Na última quinta-feira, a empresa anunciou que vai publicar parte dos códigos de produtos importantes, como o Windows Vista, até então mantidos em segredo, o que permitirá a programas feitos por concorrentes funcionarem melhor com os da Microsoft.


A empresa anunciou ainda que planeja tomar outras medidas para responder às demandas européias. No mesmo dia, a Comissão Européia, órgão executivo da UE, informou que a medida não resolve o principal problema, que é a forma como os produtos da empresa são integrados uns aos outros.


MULTA MAIOR


‘Falar é fácil. Vamos esperar e ver qual é a realidade nesse caso’, disse Neelie Kroes. Segundo ela, a multa anunciada ontem poderia ter sido ainda maior, e valores de até US$ 2 bilhões chegaram a ser considerados. Para ela, com o anúncio da nova multa recorde, a União Européia prova que quer ‘o cumprimento de suas determinações, e não promessas’.


‘Espero que isso seja o fim do não cumprimento pela empresa’, afirmou Neelie. Mas isso não significa ainda o fim dos problemas para a Microsoft. A UE iniciou dois casos na semana passada contra as práticas da empresa que, se confirmados, podem render novas multas: a Microsoft é acusada de dificultar a compatibilidade do programa Office e de incluir ilegalmente o buscador Explorer como parte do sistema operacional Windows.


NÚMEROS


? 407 milhões foi a multa aplicada pela União Européia contra a Microsoft, em 2004, por práticas consideradas monopolistas


? 280 milhões foi o valor da nova multa aplicada em julho de 2006, por descumprimento das determinações da UE


? 899 milhões é o valor da nova multa contra a empresa anunciada ontem’


 


FOTOGRAFIA
Simonetta Persichetti


Mascaro, o narrador plástico das cidades


‘Cristiano Mascaro apresenta um panorama de sua trajetória fotográfica. Até agora, todas as suas exposições individuais estavam estritamente ligadas a um projeto fotográfico específico. Nesta, a convite de Agnaldo Farias – que ajudou na curadoria – e de Ricardo Ohtake, ele vasculhou em seus arquivos e montou uma exposição em que, de alguma forma, se desligou de um assunto ou de uma temática, para se voltar mais para a representação plástica da cidade. Nesta busca, deu-se conta de que ainda queria fazer algumas imagens, que, dentre as 50, apresentadas acabaram por se tornar inéditas.


O resultado é um mergulho por lugares, cidades, vistas, retratos vislumbrados por um fotógrafo que incorporou o acaso ao seu trabalho. Já se tornou mítica a imagem de Cristiano Mascaro flanando, carregando seu equipamento e registrando partes da cidade, de todas as cidades que no final são uma só ‘quase a totalidade das imagens são resultado do acaso’, nos conta enquanto passeamos pela sala vazia do Instituto Tomie Ohtake ainda com as fotografias no chão, prontas para serem colocadas em seu lugar. Um acaso provocado, é claro, pois ele já sai predisposto a encontrar alguma coisa em suas caminhadas, mesmo que isso lhe traga algum desconforto: ‘Às vezes estou na rua para fotografar algo, mas no caminho me deparo com uma cena que me interessa, com uma luz apropriada. Não são raras as ocasiões em que tenho de fazer um retorno às ruas, aos viadutos, voltar ao lugar de origem esperando que a luz que eu vi ainda esteja no lugar’, comenta.


Talvez por respeito ao fotógrafo, a luz em geral permanece exatamente como ele quer, ou até se apresenta de forma mais adequada. Vai saber. O resultado é que a foto está feita. É dessa maneira que ele gosta de fotografar, deixando espaço para a adrenalina, para o inesperado, para o que pode acontecer além de todas as premissas, deixando sempre a possibilidade do novo, a capacidade de se surpreender com a mesmice, com o que já conhece.


A mostra recebeu o nome Todos os Olhares, mas, embora pretenda apresentar as várias facetas do olhar do Cristiano, resume-se a apenas uma: a capacidade de se surpreender, de deixar as coisas acontecerem à sua frente, de se organizarem e quase pedirem para serem registradas. Uma escola que remonta aos olhares de fotógrafos como Cartier-Bresson ou Robert Frank. Como escreve o historiador de arte Agnaldo Farias: ‘Ele é um mestre no que se refere à percepção da arquitetura como protagonista. Lavrada em preto-e-branco, o que comprova sua preocupação em ressaltar a fotografia como um problema de linguagem e não como um convite à ilusão, a obra de Cristiano Mascaro consiste em propor um conjunto de olhares, demonstrando-os como uma modalidade de construção, não como uma simples operação de sentidos.’


Resultado de toda a sua experiência que, não podemos esquecer, começou como fotojornalista na revista Veja, no fim dos anos 60. Foi como repórter que ele descobriu a importância de ‘caminhar no ritmo dos acontecimentos’, de sintetizar em uma única imagem toda uma narrativa. É com olho de repórter e com a formação de arquiteto que ele forjou suas fotografias.


Coincidentemente, ao mesmo tempo em que recebia o convite para esta exposição, ele finalizava a produção do livro Desfeito e Refeito, que faz parte da Coleção Educação do Olhar, lançada em 2007 pela Editora Bei. Coleção que tem como finalidade trazer a visão do próprio retratado em relação à sua obra e influência. Os dois primeiros volumes foram dedicados a dois arquitetos, Ricardo Legoretta e Oscar Niemeyer. O terceiro voltou-se para a fotografia de Mascaro. O título do livro, inspirado numa frase do crítico literário Antonio Candido, resume para Cristiano a essência da sua fotografia: ‘Desfazer o confuso emaranhado da realidade e – ao conceber perenidade ao instante impreciso e fugidio – refazê-la melhor.’ Num texto primoroso de Laura Aguiar, Cristiano discorre sobre sua descoberta da fotografia, as influências fotográficas e, talvez, as mais importantes, suas influências literárias.


Duas formas de contar, de mostrar o processo de criação, a formação de seu olhar e uma tentativa de explicar o porquê ele é reconhecido como fotógrafo ou narrador das cidades. Em suas imagens, o que sobressai é a coerência em seu trabalho, seu respeito pelo que é a fotografia, a ontologia da imagem fotográfica: ‘Hoje, fala-se muito em obra construída, criar algo e fotografar. Existem trabalhos maravilhosos, mas acredito que desta forma se perde toda a força e a essência do que é fotografia. Ou seja, perdemos o caráter de surpresa, de ironia que a imagem pode suscitar a partir do que acontece na vida real’, reflete Cristiano. Palavra de um mestre que nos ensinou a enxergar muito além do simples ver uma cidade!


Serviço


Cristiano Mascaro (até 4/5), Anna Letycia (até 13/4) e Dudi Maia Rosa (até 27/4). Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201, 2245-1900.3.ª a dom., 11 h às 20 h. Grátis. Abertura hoje, às 20 horas, para convidados’


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Record já prepara seu Ídolos


‘A Record está acertando os últimos detalhes para fechar o acordo com a Fremantle Media e adquirir de vez os direitos de Ídolos, formato que estava nas mãos do SBT. O acordo já está tão certo que a Record tem até data prevista para apresentar o reality à imprensa: 11 de março.


A atração, que será dirigida por Wanderley Villanova e Fernanda Telles, deve estrear na Record neste semestre e com o mesmo nome. Jurados e apresentador estão sendo escolhidos, mas há boatos de que Rodrigo Faro vá comandar o reality.


A Record terá a missão de fazer o público se interessar por Ídolos, já que o programa, versão do American Idol, foi mal de ibope no SBT – assim como Bailando por Um Sonho (Dancing with the Stars). O curioso é que, nos Estados Unidos, ambos os realities são líderes de audiência. Faltou cuidado de casting nas versões de Silvio Santos.


AUDIÊNCIA


A Record, por outro lado, vem aprimorando a técnica de produzir reality shows e adaptar formatos. O Aprendiz faz sucesso e está para ganhar sua quinta edição. A primeira temporada de Simple Life – Mudando de Vida, que foi ao ar de 3 de julho a 16 outubro do ano passado, teve média geral de 12 pontos, com pico de 23, garantindo a vice-liderança no horário. Alguns episódios do reality de Ticiane Pinheiro e Karina Bacchi chegaram a ultrapassar, por alguns momentos, o ibope da Globo. O episódio de estréia, por exemplo, marcou 16 pontos de média, ante 15 da Globo. A Record já garantiu uma segunda temporada para as patricinhas.


Já o Troca de Família, que está bem mais dinâmico nesta segunda temporada que está no ar, vai bem no ibope. Na última terça-feira, a atração ficou 22 minutos à frente da Globo e obteve 13 pontos de média, apenas um ponto atrás da concorrente.’


 


 


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