Quarta-feira, 20 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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Mudanças na Folha de S.Paulo

Por Afonso Caramano em 10/03/2009 na edição 528

Quero trabalhar na Folha de S.Paulo! E qual jornalista não iria querer? Opa! Mas não sou jornalista, nem tenho pós-graduação, melhor desistir de enviar-lhe um currículo. Mas que dá uma tentação, isso dá. Principalmente agora com todas estas mudanças anunciadas e já comentadas neste Observatório. Atenção, jovens jornalistas, formandos, preparem-se, pois há uma oportunidade aí de se candidatar ao exercício instigante dessa profissão, em busca do conteúdo perdido, de análises mais profundas e de pluralidade de opiniões!

Mudanças são sempre bem-vindas, ainda que o adágio popular recomende que não se mexa em time que está ganhando. Demonstra coragem, talvez mais que isso, a argúcia de reconhecer que tudo está mudando, que o mundo está mudando com esta crise econômica e, quem sabe, de valores, e há, portanto, a necessidade de se redefinir rumos, acertar a sintonia, permitindo a coexistência da pluralidade de vozes, a possibilidade de outros olhares. Não que a FSP não venha se esforçado para isso ao longo de sua história – às vezes com mais acerto, outras com ‘palpites infelizes’, como no recente caso da ‘ditabranda’, que tanto alvoroço e discussões vem causando.

Um passo importante

Mas é preciso não perder o foco nem a civilidade – a democracia só tem a ganhar com debates francos, mesmo com a polêmica, num espaço livre para o exercício da cidadania e do jornalismo. Um jornalismo que não se baste, que não centralize a informação, como parece acontecer hoje, quando o essencial do que se lê no mundo é produzido por poucos conglomerados, num viés deformante da realidade, permeado mais por interesses particularistas e financeiros.

Necessário, portanto, encontrar o equilíbrio, até nas contas, diga-se, para se democratizar a informação, pondo-a a serviço das pessoas. Afinal, um pouco de utopia não faz mal a ninguém, nem aos negócios. É preciso vislumbrar novo sentido nas coisas, no mundo, mesmo na globalização, sem deixar de lado a criticidade, valores éticos e a visão política.

A FSP assume riscos – presume-se – calculados, mas dá um importante passo. Vamos esperar para acompanhar os passos seguintes, que certamente devem se traduzir em compromisso com a verdade, com a liberdade de opinião de seus colaboradores (e leitores) e, por que não, com a atitude sempre tão salutar de assumir seu posicionamento político (como o fazem os jornais norte-americanos) nos períodos de eleições (municipal, estadual ou federal) – só teria a ganhar, e seus leitores também.

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Funcionário público, Jaú, SP

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