Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Mudanças negativas no Globo

Por Hermes Pessôa Tinoco em 13/07/2010 na edição 598

Inicialmente gostaria de relatar que prefiro ler jornais escritos do que assisti-los na televisão. Por isso assino O Globo, Folha de S. Paulo e O Fluminense.

Pois bem, houve uma mudança no Segundo Caderno do jornal O Globo que achei muito negativa. Eles pararam de publicar a grade com as programações das redes de televisão abertas, limitando-se a destacar alguns programas e filmes, cujos colunistas pensam ser os mais importantes (geralmente todos da rede Globo de televisão). Será que por trás desta atitude não estará o desejo de esconder os programas das outras redes? A Folha de S. Paulo publica até a grade das redes de televisão fechadas. Não é muito melhor e mais democrático? Escrevi várias cartas para o jornal O Globo e eles não publicaram nenhuma. Que falta lhes faz um ombudsman!

Há também uma coluna histórica intitulada ‘O Globo há 50 anos’, que outrora vinha com uma miniatura integral da capa do dia em questão. Hoje, após a reforma, eles enaltecem as notícias que pensam ser as mais relevantes e trazem um pequeno recorte da matéria enaltecida. Ora bolas, às vezes eles acham que a notícia mais importante do dia é a coluna do falecido Imbraim Sued. É de lascar. E logo agora que estamos chegando no período do Golpe de 1964. Será que não é proposital, para que não vejamos o engajamento de O Globo na ditadura?

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Sempre uma pena vermos pessoas como o jogador do Flamengo, Bruno, envolvidas em episódios tão lamentáveis, principalmente quando nele se vislumbrava uma carreira promissora e vencedora. Sua situação a cada noticiário torna-se pior. Nada leva a crer que realmente não seja a peça principal do ocorrido – tomara que não, mas também até o momento não se tem como acreditar na sua inocência.

Pessoas que subiram na vida, mas de maneira desestruturada, sem quem os aconselhasse de fato, de um momento para outro se imaginam como Deuses, seres intocáveis. Afinal, nem todo mundo tem o prazer de se sentir um ‘ídolo’ de uma das maiores torcidas do país. De fato, não é mesmo para todos. Há de ser bom naquilo que faz nos gramados – ainda mais vestindo ‘o manto sagrado’ do Flamengo.

Mas como serão os acontecimentos num ambiente futebolístico, onde me parece que todos estão lá para ganhar o seu? Jogadores bons de bola, mas sem muita experiência de vida, sem que tivessem um lar que lhes desse uma educação, sempre serão ‘peixes inocentes’ a ser fisgados por gente interesseira, ansiosa para usufruir o máximo que eles possam render.

Disseram-me que no dia a dia de um clube de futebol há sempre aqueles que para lá vão fazer seus negócios, oferecendo brinquinhos, carros novos do último tipo, roupas de grifes etc, além dos já famosos negociadores de ‘passes de jogadores’. Enfim, deve ser uma guerra de interesses em cima de um bom jogador, que poderá render sempre algum trocado ou grandes trocados.

O menino que teve uma infância difícil, sem quem o aconselhasse para a vida, de repente se vê diante do sucesso, dinheiro não lhe faltando, grandes elogios da mídia, tapinhas nas costas e, enfim, belas mulheres o assediando. Além de acreditar ser um grande jogador de futebol, ele também se sente um galã de novela. Daí as mudanças bruscas de comportamento: sente o poder, quer que tudo o que fala e faz seja interpretado como fato, e aí começa o declínio. Seu envolvimento com pessoas de pouco crédito lhe criará problemas quase que insolúveis.

Que esse caso Bruno seja mais uma lição para aqueles meninos que precocemente se tornaram celebridades e com altos recursos financeiros. Felizmente nesse meio do futebol temos grandes exemplos positivos para falarmos e dedicar-lhes nossa admiração: Zico, Júnior, Bebeto, Cafu, Marcos (Palmeiras) e muitos outros mais, tanto do passado como do presente. O que nos preocupa são os que ainda não se deram conta de que devem sempre mirar nos grandes ídolos. (Pedro Bueno, free lancer, Nova Iguaçu, RJ)

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Depois do resultado e desempenho pífio da seleção canarinho durante a Copa 2010, depois da demissão de Dunga, mais uma vez levanta-se o já clássico questionamento: ‘Onde termina o direito da imprensa exercer seu trabalho de ficalização e crítica ao governo e/ou governantes e onde começa o direito à privacidade?’

Questão polêmica e complexa.

Jornalistas, assessores de imprensa e profissionais da área de comunicação batem na mesma tecla: a de que criticar e apontar o dedo é obrigação da imprensa. O profissional que não o faz está fadado ao fracasso e à frustração profissional. Todavia, do outro lado vêm à tona os mesmos argumentos de outrora; argumentos esses que, apesar de repetitivos, continuam válidos: o direito à privacidade e à intimidade garantido à todos na Carta Magna.

É uma luta sem fim, que ainda vai deixar muitos feridos no meio de todo esse embate. Ano passado, o Presidente do Supremo Tribunal Federal entendeu que seria coerente a derrubada do diploma de graduação em Jornalismo para o exercício da profissão. Meses depois ocorre o destempero do ex-técnico Dunga ao destratar o repórter Alex Escobar, tudo isso acompanhado pelo Brasil inteiro através de jornais e TVs.

Ao que parece esse entrave entre jornalistas e detentores do poder anda longe de chegar, sequer, às vias de civilidade, talvez por isso Gilmarques de Mendonça tenha caçoado da situação com a célebre frase: ‘A mídia vez em quando faz esparrela, porque a poesia do dia-a-dia mídia nela’. (Denise Veras, servidora pública, Teresina, PI)

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Você acredita que possa existir um apêndice casual entre dois fatos consecutivos e aparentemente relacionados entre si? Ou será que aquilo que chamamos de coincidência é na verdade uma daquelas coisas de que Shakespeare falou, garantindo que elas existem entre o céu e a terra em quantidade muito mais significativa do que imaginamos?

Exemplo: o apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura, emissora administrada pelo governo do estado de São Paulo, em entrevista com o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, faz uma pergunta ‘inconveniente’ sobre pedágio. Devido à irritação de Serra com a pergunta, os dois trocam ligeiro bate-boca. Poucos dias depois, Heródoto Barbeiro é afastado do programa (não sabemos se demitido da emissora).

Pergunta-se: você acredita que, entre o imbróglio Heródoto Barbeiro-José Serra e o afastamento do apresentador, existe o tal ‘apêndice casual’, ou seja, que isso não passa de mera coincidência? Acredita mesmo que ninguém passou a navalha no pescoço de Heródoto Barbeiro? Assista aqui ao trecho da entrevista. (Fernando Soares Campos, jornalista, Rio de Janeiro, RJ)

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Funcionário público, Niterói, RJ

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