Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > JORNALISMO ESPORTIVO

Muita falatório, pouca investigação

Por Wagner Cesar Martins Coelho em 26/01/2010 na edição 574

Futebol e política são indissociáveis. Está em curso uma investigação do Ministério Público de Brasília que complicará ainda mais a vida do governador José Roberto Arruda. O diagnóstico inicial aponta para duas irregularidades envolvendo a candidatura de Brasília para abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014 e o repasse indevido de dinheiro público no jogo amistoso entre a seleção do Brasil x Portugal, em 19 de novembro passado, no DF.


E o que faz a imprensa esportiva nacional diante desse e de outros escândalos que envolvem o esporte mais praticado no território nacional? Absolutamente nada.


Diariamente são apresentados programas esportivos tendo o futebol como tema central em praticamente todas as emissoras de TV, e o que vemos além de bate-boca entre os participantes, intermináveis e inúteis discussões sobre lances polêmicos, fofocas entre cartolas, gols da rodada e merchandising abusivo? Não vemos nada além disso.


Onde está a capacidade investigativa dos repórteres esportivos em ajudar a passar o futebol brasileiro a limpo?


Tempo medido


Não adianta nada dizer que os dirigentes da CBF e suas respectivas federações são péssimos administradores e incompetentes. Isso somente gera processos por calúnia e difamação, pois ninguém consegue provar nada e, como o ônus da prova cabe a quem acusa, antes de dizer algo é preciso provas cabais que somente são obtidas por meio de investigações sérias e imparciais.


É preciso informar ao distinto público torcedor o que está ou o que levou os clubes brasileiros a esse estado de insolvência em que se encontram. É preciso investigar a origem do dinheiro que mesmo assim os clubes conseguem captar para contratar jogadores renomados. Quem ganha com isso? As parcerias? O empresário? O jogador? O clube? O cartola? A resposta fica com a imprensa, pois eu só sei informar quem perde – ou seja, o torcedor e o futebol.


A cobertura do futebol situa-se muito antes do apito inicial do árbitro e muito depois do apito final. Ela não pode ter limites, ou pelo menos não deveria. Será que teremos que saber sobre as verdades que assolam o futebol brasileiro somente nas seções de política dos jornais escritos e falados? Ou o papel da imprensa esportiva resume-se somente durante os noventa minutos e seus acréscimos?

******

Fisioterapeuta, Ivaté, PR

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/01/2010 Rogério Barreto Brasiliense

    Os programas sobre futebol seja na televisão ou no rádio são programas de variedades para marmanjos. Não há diferença entre Nélson Rubens, Sônia Abrão e Leão Lôbo e Milton Neves, Juca Kfouri ou Chico Lang. Se o jornalismo de televisão vive dos tititis das clelebridades artísticas, a futebolística vive dos tititis das celebridades do futebol e suas pseudo-polêmicas, neste sentido, os repórteres não tem preparo para correr atrás da notícia seja para denunciar, como para reportar o que se faz de bom no esporte nacional e soluções para seus problemas, apenas reproduzem acriticamente o que se faz lá fora, em especial no endeusado futebol europeu, neste contexto o jornalista que se diz especializado em esportes não entende sua mecânica e, infelizmente, sua magia. Na Copa de 2006, os jornalistas brasileiros foram taxados de manada de gnus por seus colegas estrangeiros. Em 2010 teremos mais do mesmo.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem