Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & POLÍTICA

No vale-tudo eleitoral, homens e mulheres são iguais

Por Ligia Martins de Almeida em 09/09/2008 na edição 502

Como sabemos que uma pessoa pretende ser candidata a um cargo político no Brasil? Se ele (ou ela) beija criancinhas, come pastel de feira, diz que gosta de pratos típicos como buchada (que para parte da população é considerado exótico) e, principalmente, nega que é candidato, pode apostar que muito em breve estará pedindo votos. A novidade, agora, são as mulheres fazendo o mesmo papel ridículo que antigamente era privilégio masculino. O comportamento eleitoreiro que nos homens não surpreende mais ninguém, quando parte de uma mulher acaba virando notícia, como aconteceu com a ministra Dilma Rousseff na semana passada.

‘A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu em Vitória (ES) o pontapé inicial em sua campanha presidencial para 2010. (…) A postura normalmente austera da ministra cedeu lugar a um estilo para lá de simpático. Tocando casaca (típico reco-reco capixaba), com riso fácil, Dilma ensaiou passos de dança e esteve absolutamente acessível durante as cerca de três horas em que esteve no buffet.’ (O Estado de S. Paulo, 3/09/2008).

A mudança de comportamento da ministra não parou aí, segundo o jornal. Ela posou para fotos com candidatos a vereador e socialites locais e, no dia seguinte, além de posar para fotos, mostrou-se amável com trabalhadores, fotógrafos e cinegrafistas.

Ditames do marketing

Até outro dia, sempre que falavam de Dilma Rousseff, os jornais se referiam a ela como uma pessoa discreta, fechada, uma ex-guerrilheira que provou sua competência assumindo o posto de ministra da Casa Civil, sucedendo o homem mais forte do governo Lula, o ex-ministro José Dirceu. A mudança de imagem começou quando o presidente Lula a chamou de ‘mãe do PAC’. Ficou claro que estava começando a campanha para ‘adoçar’ a imagem da mulher forte e séria que ocupava um cargo tão difícil.

Virtualmente candidata à sucessão de Lula, Dilma parece estar aceitando o jogo de marketing que quer torná-la uma candidata simpática e popular e os jornais cumprem o seu papel ao denunciar o comportamento eleitoreiro.

A revista Veja (nº 2077, 10/9/2008) também fala de Dilma, sem mencionar o novo comportamento. Discute o objetivo da sua candidatura:

‘Lula é capaz de transferir votos a quem ele queira? Essa é uma discussão sem fim, tantas são as variáveis em jogo. A resposta, portanto, só se saberá de verdade em 2010. Enquanto isso, não custa tentar achar pistas. Uma pesquisa encomendada pelo Planalto mostra que 30% dos eleitores de Lula topariam votar em alguém indicado por ele. Nessa mesma pesquisa, Dilma Rousseff, a candidata do coração de Lula, é vista como alguém que não trairia Lula e manteria o caminho aberto para que ele retornasse ao poder em 2014.’

O noticiário sobre a ministra da Casa Civil sugere duas questões a serem discutidas pela imprensa:

** Até quando Dilma Rousseff vai conseguir mudar seu jeito natural de ser e se comportar segundo os ditames do marketing eleitoral?

** Com seu perfil e sua carreira, será que a ministra da Casa Civil vai se submeter a ocupar a presidência da República apenas para garantir a vaga para Lula quatro anos depois?

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Jornalista

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