Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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FEITOS & DESFEITAS > THE WASHINGTON POST

Notícia ou implicância?

Por Sobre artigo de Deborah Howell, de Washington (EUA em 15/07/2008 na edição 494

Ao voltar de férias, a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, encontrou mais de 1.700 comentários online de leitores em relação a uma matéria publicada no dia 2/7. De autoria do repórter Joe Stephens, o texto tratava de um desconto em empréstimo para a compra de um imóvel de US$ 1,65 milhão, obtido pelo candidato democrata Barack Obama. Muitos consideraram o artigo injusto e negativo.

Stephens escreveu a matéria com base em documentos de Obama e de sua esposa, Michelle, encontrados no sítio do candidato. O casal teria economizado US$ 300 por mês no pagamento financiado em 30 anos do imóvel, tendo como referência as condições oferecidas na época em Chicago. Leitores reclamaram que o texto sugeria que o desconto só foi concedido a Obama por ele ser senador.

Especialistas

Deborah decidiu conversar com sete especialistas em hipoteca e financiamentos imobiliários – três deles, inclusive, são ex-repórteres. Os que foram jornalistas consideraram que a taxa foi tão baixa que merecia destaque em uma matéria. Já os outros consideraram o valor normal, ressaltando poderia ter sido obtido por alguém bem informado sobre negociações de hipotecas. John O’Connell, vice-presidente da Northern Truste – que fez o financiamento de Obama –, alega que não se tratou de uma situação única. ‘É uma prática comum, que não mostra favoritismo em relação a políticos, celebridades ou figuras públicas’, defende.

Segundo o conselheiro financeiro da ombudsman – que não é fã de Obama e é republicano –, não havia nada de extraordinário que justificasse uma matéria sobre o assunto. Stephens defende-se: dada a proibição do Senado de aceitar qualquer tipo de presentes ou regalias, não é incomum perguntar aos candidatos se eles têm hipotecas e se aceitaram descontos. ‘No caso de Obama, as respostas a estas perguntas foram ‘sim’. Ele tinha uma hipoteca de US$ 1 milhão e tinha recebido desconto. Valia a pena divulgar isto’, alegou o jornalista.

Se for considerado que os leitores devem ter acesso às finanças de John McCain e de Obama, a matéria deveria ter sido publicada, diz Deborah. Neste contexto e levando em conta a crise imobiliária nos EUA, havia valor jornalístico. O republicano McCain não têm hipotecas, pois sua esposa tem boa condição financeira. Ainda assim, a ombudsman acha que faltou contexto à matéria de Stephens, que deveria ter informado aos leitores que outras pessoas com conhecimento de mercado imobiliário e com condições financeiras favoráveis para financiamento teriam obtido taxas semelhantes às do político democrata.

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