Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Notícias de Natal

Por Fábio Farias em 21/10/2008 na edição 508

Gostaria que o Observatório da Imprensa desse uma olhadinha na situação da mídia de Natal (RN) nos últimos dias. O jornal local Jornal de Hoje escolheu, durante as eleições, apoiar uma das candidatas à prefeitura e começou a fazer matérias denegrindo a outra postulante ao cargo. Até aí, tudo bem. Mas, na edição que saiu na sexta-feira, 3/10 (se minha memória não falha), ele encartou panfletos eleitorais e adesivos de sua candidata e distribuiu para os assinantes. O fato fez com que o Ministério Público tivesse que recolher o jornal e despertou uma enorme discussão entre blogueiros sobre ética jornalística.

A TV Universitária decidiu fazer um programa de discussão sobre ética jornalística, convidando professores de sociologia, jornalistas e um dos blogueiros envolvidos. Mas, aí, o dono do Jornal de Hoje (que, por ironia do destino, é professor de ética jornalística) se autoconvidou a participar do programa. Durante a transmissão, foi levantada a atuação do jornal dele nas eleições, coisa que não soube explicar. E aí, meus caros, na quarta e na quinta-feira o jornal publicou matéria (ver aqui e um editorial com uma série de acusações à emissora. A TVU disponibiliza a fita do programa.

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Na conclusão do curso de Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal do Acre, defendi o tema ‘A TV inadequada: a influência da televisão sobre o público infanto- juvenil’. Sempre me preocupei muito com esse tema e nesta monografia analisei a novela Malhação para verificar o que estava sendo repassado para nossas crianças e adolescentes brasileiros. A conclusão foi desastrosa: planos de vingança, sabotagens, desprezo e humilhações com pessoas intituladas ‘pobres’, glamourização da violência, sarcasmo. Enfim, são transmitidos vários comportamentos não desejáveis e, o pior, de uma forma positiva. No que se refere ao cumprimento do art. 221 da Constituição, que fala da preferência por programações com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, percebemos, todos os dias, a ausência deste tipo de programação. Nem os desenhos escapam. Já procurei várias entidades no meu Estado e, infelizmente, parece-me não haver muito interesse pelo assunto. É lamentável, já que acredito que poderia contribuir muito neste aspecto. (Rafaella Roque Fugiwara, jornalista, Rio Branco, AC)

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A forma sumária e aparentemente banal com que o Jornal Nacional anunciou o prêmio (Prêmio Internacional Dom Quixote de La Mancha) que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu do governo espanhol, sem esclarecer de que prêmio se tratava e o porquê do seu recebimento, acabou por revelar de maneira escancarada e grosseira a campanha ostensiva e lastimável que o JN, atendendo a interesses escusos, promove contra o governo do presidente Lula – legitimamente eleito e reeleito pelo povo brasileiro, contra a vontade das Organizações Globo e de seus pares. Perde o JN, as Organizações Globo e o bom jornalismo. (Luiz Carlos de Oliveira, fotógrafo, Rio de Janeiro, RJ)

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Há questões importantes que o jornalismo não toca, sequer resvala, como no desfecho trágico do seqüestro em Santo André, aceitando pura e simplesmente declarações, principalmente as oficiais. Ficou evidente o despreparo na ação (e reação) da polícia, que em certo momento, parece, sentiu-se pautada pela mídia, segundo a declaração do comandante da operação, no temor de uma possível execração pública. Deve-se explicar agora diante dos questionamentos (ou nem tanto) da mídia e da opinião pública.

E não basta tampouco uma visita do governador paulista (ainda na sexta-feira à noite) ao hospital para desejar ‘boa sorte’ aos familiares das vítimas – não se deve esquecer que o comando da polícia está subordinado ao governo. Talvez precisemos todos de ‘boa sorte mesmo’ diante disso tudo.

A imprensa tem boa oportunidade de analisar toda a questão – inclusive os excessos (prejudiciais) nessa cobertura – e avaliar, por exemplo, como o dinheiro dos contribuintes tem sido gasto na segurança pública (treinamento, equipamentos, salários etc). A mídia deveria perguntar-se quem são os verdadeiros donos, por exemplo, de lucrativas empresas de segurança, passando inclusive pelo conflito e enfrentamento das polícias (civil e militar) no estado de São Paulo. Não se trata de questões isoladas, mas sim de eventos que merecem um olhar menos fragmentário, sobre a administração pública que é, ou deveria ser, de interesse de todos. (Afonso Caramano, funcionário público, Jaú, SP)

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Alberto Dines merece o aplauso de todos os que amam a imprensa como ela tem que ser – livre, atenta, militante, transparente e insubornável como ele mesmo é insubornável. A imprensa brasileira seria acéfala sem o trabalho cotidiano de autocrítica executado no programa radiofônico Observatório da Imprensa.

Na segunda-feira (13/10), o Observatório faz referência à capa dos grandes jornais em São Paulo e no Rio, que no domingo (12) comemoraram, em letras garrafais, os 200 anos do Banco do Brasil, propaganda regiamente paga pelo governo, com nosso dinheiro.

Indaga o texto assinado por Dines qual é, afinal, a posição daqueles jornais. Estarão abdicando de sua independência? Cerrando fileira com o poder? Resvalando para a venalidade? Ou resolvidos a praticarem o suicídio coletivo? E prossegue a crítica. Tudo bem em comemorar os 200 anos do Banco do Brasil. Mas como entender a omissão dos maiores jornais aos 200 anos da criação da imprensa no Brasil? Estarão desmemoriados?

Com efeito, no ano de 1808, Hipólito José da Costa fundou, em Londres, o Correio Braziliense, o primeiro periódico brasileiro. Façanha histórica que jamais poderia ser esquecida pela imprensa do país, que não tem o o direito de omitir a própria certidão de nascimento, sem dizer uma palavra a respeito, toda absorvida pelo aniversário do grande Banco oficial.

Alberto Dines é, talvez, o único profissional de sua área, que ainda acredita no destino missionário e apostolar da imprensa. E é sustentando esta crença rara e fora de moda que dá a maior prova de sua coragem, de sua integridade e de sua lucidez cortante como lâmina do mais puro cristal. A Dines, todas as honras agora invocadas por este escriba que outrora o criticou sem razão. Antes o excesso de zelo, do que a falta de zelo. (Gilberto de Mello Kujawski, jornalista, São Paulo, SP)

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Quanto à matéria do jornalista Evandro Éboli, ‘Projeto aumenta soldo de generais em 209%’, o lead que saiu no jornal impresso O Globo (16/10/2008), ‘O País’, pág. 13, e a chamada no site de Globo.com apresentam uma idéia equivocada do processo legislativo.

No corpo do texto, apesar de não explicar exatamente os efeitos, ficou corretamente registrado que trata-se de admissibilidade da CCJ da PEC para criar a Comissão Especial que a discutirá no mérito, ou seja, não aprovaram e sim aceitaram criar uma comissão especial para discutir o texto proposto. Porém, também ficou errado que a matéria passaria por outras comissões, quando passará apenas pela comissão especial a ser instalada e depois segue para discussão em dois turnos no Plenário. Depois, ainda segue para o Senado Federal.

‘CCJ da Câmara aprovou emenda’ é uma idéia diferente de ‘CCJ da Câmara admite emenda e cria comissão especial para discuti-la’. Ainda, as comissões especiais não aprovam nada, apenas emitem parecer sobre a proposta e suas modificações (artigo 34 do Regimento Interno da Câmara). O leitor merece saber a verdade. (Cláudio Bandel Tusco, delegado de Polícia Federal, Brasília, DF)

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Estudante, Natal, RN

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