Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA RADIOFÔNICA

O bom locutor de rádio

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 25/09/2007 na edição 452

Em tempos idos, o radialista passava por um concurso no qual eram verificados seu timbre de voz, sua interpretação do texto e sua comunicabilidade para que o mesmo fosse conduzido ao rádio. Vários são os exemplos de radialistas cearenses que se caracterizavam com a voz sempre melodiosa, impostada e fácil de ser compreendida. Hoje, as coisas mudaram; para militar no rádio, basta ter dinheiro para arrendar um horário ou para fazer um curso promovido pelo Sindicato dos Radialistas, o que muitas vezes faz com que vão para o rádio pessoas despreparadas em termos de linguagem, leitura e locução.

Diante dessa característica, uma pergunta vem à tona: o que é mesmo ser um bom locutor? Acreditamos que o bom locutor precisa ter algo mais do que a voz: precisa estar afinado com os anseios de seus ouvintes e precisa valorizá-los com palavras verdadeiras, com desenvolvimento da cidadania e com a postura ética na realização dos programas. Um bom locutor tem de ser honesto com seus colegas, tem de ser solidários em momentos difíceis enfrentados por membros de sua categoria e, sobretudo, tem de respeitar o sucesso que porventura os outros estejam fazendo e tentar imitá-lo para que o bom rádio seja uma meta de todos.

Rádio-cidadão

O ouvinte de rádio tem de distinguir o bom locutor daqueles que fazem rádio apenas para ganhar dinheiro, pois muitas vezes, em nome do dinheiro, eles esquecem-se dos dilemas de sua categoria e não vêem os problemas da classe, tendo em mente apenas o seu suposto sucesso. É preciso que todos os que fazem o rádio busquem uma melhoria deste meio de comunicação, procurando sair de alguns processos de desrespeito ao ouvinte em nome de uma suposta audiência pautada pela baixaria, pela agressão fácil e pelo desprezo ao próprio rádio que, combalido, resiste às incompreensões de seus supostos proprietários e dos empresários que se esquecem do rádio ao fazerem seus investimentos propagandísticos.

O bom locutor respeita seus ouvintes, evitando comentários maldosos em relação às suas participações, e procura fazer do seu espaço de trabalho um ambiente democrático e de pluralidade de idéias, mesmo contrárias às suas. O bom locutor faz o rádio com amor e não deixa que nada derrube os verdadeiros propósitos do rádio, que foi criado para aproximar e unir as pessoas. É preciso que os profissionais de rádio se dêem conta da importância da solidariedade e da fraternidade, evitando emitir opiniões preconceituosas e desrespeitosas para com o ouvinte e com o público em geral.

É necessário e urgente que a categoria dos radialistas se una em busca do bom rádio, participando das representações de sua categoria de forma decisiva e engajada para poder lutar por salários melhores e por dignidade na profissão e evitando que muitas vozes de qualidade sejam retiradas do ar pela insensibilidade daqueles que não querem investir do rádio e acham que ele está morrendo. É preciso também respeitar o colega de profissão mas questioná-lo, se preciso for, no momento em que o mesmo esteja fazendo o rádio pornofônico e agressivo ao ouvinte. O rádio vai sempre continuar no nosso dia-a-dia, mas o rádio que ficará será o rádio-cidadão, coerente e voltado para um mundo melhor, mais justo e solidário.

******

Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem