Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > ECOS DE GAZA

O Brasil entre israelenses e palestinos

Por Leonardo Passos em 20/01/2009 na edição 521

Como é consabido por todos os cidadãos do mundo, o esdrúxulo conflito presenciado na Faixa de Gaza tem deixado consideráveis baixas em ambos os lados antagônicos (a saber, Israel e Cisjordânia), sobretudo no palestino, haja vista a minudência dos artefatos bélicos deste se posto em analogia ao poderoso exército israelense. Não obstante o sentido surreal do vaivém dessa empreitada que já dura cerca de cinqüenta anos, as vítimas mais suscetíveis ao poder de fogo das inconciliáveis nações vêm sendo seus próprios civis, que terminam por pagar o preço do intolerável sentimento de intransigência do contexto político no qual estão inseridos.

Com efeito, algumas nações do mundo, especialmente as que albergam povos judeus, como França e Inglaterra, iniciaram vários movimentos com o intuito de pôr termo a esta peleja instaurada há quase um mês. Entretanto, na esteira da solidariedade cosmopolita perpetrada pelos países anteriormente mencionados, o Brasil, representado na pessoa de seu ministro das Relações Exteriores, inseriu-se voluntariamente no âmbito desse dilema de extremismos religiosos e políticos do outro lado do mundo.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: por que o Palácio do Planalto, por intermédio do Itamaraty, sem nada a ver com este fato isolado, engendra uma viagem de alguns dias ao cenário do embate em comento, em conjunto com os membros dos demais países defensores do imediato cessar-fogo, alegando ‘preocupação’ com a atual situação vigente nestes territórios?

Mídia adormecida

Como bem se depreende do exposto, o Brasil, apesar de ser um dos integrantes do chamado ‘Bric’ – Brasil, Rússia, Índia e China –, grupo que reúne as economias emergentes mais notórias no momento, caracteriza-se na atual circunstância tão-somente como um transeunte em uma região hostil na qual, certamente, a ‘solidariedade’ brasileira não irá agregar valores substanciais ao processo de pacificação do conflito. Isto posto, mais uma vez se observa o dispêndio da máquina pública em situações nas quais a presença do Itamaraty se afigura meramente simbólica em face daqueles que realmente detêm o poder de solucionar o problema.

Portanto, assim como o fizeram no Haiti, determinados representantes do povo acham por bem ‘assumir’ um encargo indubitavelmente com resquícios de interesses de promoção socioeconômica ante órgãos internacionais, como, por exemplo, a participação no Conselho de Segurança da ONU, de forma a exaltar a gestão do atual governo e refletir, conseqüentemente, indicadores de aprovação da administração do país.

Por fim, mais um questionamento cabe ser levantado: onde está a mídia para apontar esse joguete de interesses da mascarada aristocracia brasileira que ‘reina’ somente pra inglês ver? Parece que adormece justamente nas principais ocasiões de fazer a diferença…

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Administrador de empresas, João Pessoa, PB

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