Segunda-feira, 28 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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FEITOS & DESFEITAS > GRAU DE INVESTIMENTO

O Brasil sobe na tabela

Por Luciano Martins Costa em 02/05/2008 na edição 483

O ingresso do Brasil no seleto clube dos países de primeira classe como destino de investimentos é o inevitável destaque nos mais importantes jornais brasileiros e na imprensa internacional.


Ao alcançar o chamado grau de investimento, o Brasil se qualifica para integrar o roteiro do capital global como alternativa segura, por ter conseguido modernizar seu sistema financeiro, melhorar suas contas públicas, oferecer garantias legais ao assumir e cumprir acordos internacionais, e por oferecer uma bolsa de valores classificada entre as mais inovadoras e confiáveis do mundo.


As primeiras conseqüências dessa conquista já estão nas primeiras páginas de sexta-feira (2/5). O Estado de S.Paulo anuncia que as ações de empresas brasileiras voltadas ao mercado interno subiram até 9,2% na Bolsa de Nova York. O Globo vai no mesmo tema, noticiando que títulos do Brasil disparam nos Estados Unidos. Apenas a Folha de S.Paulo, para não desmentir seu temperamento ranzinza, conseguiu escapar do ufanismo. O jornal paulista preferiu dar como manchete o temor dos exportadores brasileiros de que o país sofra uma invasão de dólares.


Essa conquista era prevista por profissionais do mercado de ações há mais de dois anos.
O presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, Geraldo Soares, dizia, pelo menos desde 2006, que esse objetivo seria alcançado em meados de 2008. Mas os jornais de quinta e sexta parecem não ter se preparado para a notícia. Quem se interessar em conhecer melhor o que significa entrar na elite dos destinos do capital internacional terá que esperar as edições do fim de semana.


Palavra de ordem


Trata-se, de fato, de um momento histórico.


No meio de uma crise financeira que tem como epicentro a maior economia do mundo, e na iminência de uma onda de instabilidades provocadas pelo aumento dos preços de alimentos básicos, a conquista de um dos mais elevados grau de investimento coloca o Brasil em condições de se lançar num longo processo de desenvolvimento.


Isso significa que os recursos externos para financiar projetos estarão mais disponíveis.
Mas por enquanto a alegria é de poucos. O Brasil ainda não tem uma estratégia sustentável de desenvolvimento, que assegure uma distribuição melhor das oportunidades.


Os jornais anunciam a oferta de mais uma dezena de bilhões de dólares em financiamentos pelo Banco Mundial. Mas boa parte dos projetos do PAC, por exemplo, esbarra em riscos ambientais aos quais a imprensa não dá muita importância.


A palavra de ordem é crescer, e o mercado está em festa. A sociedade espera ser convidada.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/05/2008 ubirajara sousa

    Já está na hora de alguém perguntar à Regina Duarte se, o medo que ela tinha, permanece. Quanto ao psdb, o desprezo dos ‘aloprados’ será uma boa.

  2. Comentou em 03/05/2008 Vinícius Pereira

    Muito fraca a reportagem. Uma das piores que já li no OI. Não faz comentários sustentados por qualquer teoria econômica, vai pelo achismo e pelo oba-oba da pura e simples comemoração governamental e da elite dominante do país. Parece que, apenas por não deixar de falar alguma coisa sobre o tema, jogaram qualquer nota abordando o assunto. Parece até reportagem paga! Decepcionante! Num mundo de tantos sites interessantes para se visitar, algo asim afasta qualquer marinheiro de primeira viagem. Pior mesmo é que estou sempre insistindo para alunos e colegas de profissão visitarem o OI. Espero que eles não tenham decidido justamente hoje!!! Hoje cabe para o OI aquela expressão do Casseta e Planeta: Fala Sério!!!
    Vinícius.

  3. Comentou em 03/05/2008 Luciano Prado

    Se não servir prá nada, pelo menos prá rir muito tá servindo esse tal de ‘investiment grade’. O Clóvis Rossi, missionário na Folha, acha que não deviamos receber o tal título por causa do mosquito do César Maia. A Míriam Leitão perdeu o feriado. Mas tem os que acham que o país vai quebrar por conta do câmbio flutuante que já está levando os exportadores à falência. Tá uma graça.

  4. Comentou em 02/05/2008 antonio nunes

    Em complemento à mensagem anterior pergunto :cadê o CANSEI? E teve gente que se dizia séria que embarcou nessa, não é OAB/SP, entre outras?
    Nada como o tempo, senhor da verdade e da politicagem.

  5. Comentou em 02/05/2008 Filipe Fonseca

    Caro Thiago Conceição, a idéia de que o Lula ‘não fez nada’ em relação à política econômica de FHC está equivocada. Lembremos a política econômica do governo FHC: 1) câmbio artificialmente valorizado – medida tipicamente populista, com vistas à reeleição de 1997, que provocou a rápida e desastrosa desvalorização do real em 1998; 2) política de tomada de empréstimos ao FMI – o que foi feito mesmo sem necessidade, provocando um desnecessário atrelamento da política econômica às metas e às crenças pouco fundamentadas dos diretores do fundo; 3) política de transferência de renda ao setor bancário – premiando a irresponsabilidade e socializando os prejuízos de instituições pouco afeitas à legalidade; 4) política de geração de empregos de características populistas – marcada pelo gradativo abandono da educação pública e pela conseqüente geração de (poucos) empregos de pouca capacitação intelectual e baixa renda, o que colocava o Brasil justamente na contramão dos grandes ‘exemplos’ da era FHC, os ‘tigres asiáticos’. Há muitos outros fatores que poderiam ser citados, Thiago, mas acho que pelo que expus já dá para notar a diferença. Pessoalmente, eu vejo o governo FHC como um governo satisfeito em construir um país de balconistas, condenado à pobreza, sem grandes aspirações para além da estabilização da inflação – reduzida no governo Itamar Franco – e das privatizações.

  6. Comentou em 02/05/2008 antonio nunes

    para que divulgar por minúcia esta informação aos brasileiros, bem como suas consequências de curto, médio ou longo prazos, se noticiar a compra da tapioca, a crueldade paterna ou mesmo uma informação contra FHC, tornam-se mais importantes e relevantes para a mídia nacional, do que as perspectivas de crescimento e estabilidade futuras? Empresários e profissionais liberais, aqueles mesmo que viviam quebrados no governo anterior, são os que mais criticam o atual, em tempos de resultados financeiros positivos há muito não vistos em nosso país , vai entender… haja preconceito….A bolsa, o crescimento econômico, a estabilidade macroeconômica, que não têm partido, ao contrário da maiorias dos meios de comunicação do país, dá a resposta que muitos não querem ouvir.

  7. Comentou em 02/05/2008 Clovis Eduardo

    No dia em que recebi a notícia, o Jornalismo da Globo mostrou essa conquista como derivada da política econômica iniciada por FHC em 94, passou do JN ao Jornal da Globo repetindo o mesmo, uma vez ou outra algum especialista econômico ou cientista político (que ninguém sabe da ondem vêm senão os responsáveis pela matéria, se é que são especialístas mesmo) sussurrou que a política iniciada pelo Governo Lula teve parte neste processo histórico.

    O Presidente Lula, mesmo não sabendo pronunciar a palavra, sabia muito bem o que estava dizendo.

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