Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > MÍDIA & REPRESSÃO

O ‘cerco policial’ que a imprensa não viu

Por Fabio de Oliveira Ribeiro em 26/01/2010 na edição 574

Na terça-feira (19/1/) todos os telejornais mostraram a brutalidade da Polícia Militar ao reprimir uma justa manifestação popular. Além de perderem todas as suas coisas na enchente, os pobres paulistanos ainda tiveram que suportar as bombas de gás, os tiros com projéteis de borracha e as cassetetadas dos policiais comandados por José Serra (ver aqui). Curiosamente, no mesmo dia a PM de São Paulo começou a testar veículos anfíbios para poder ‘cuidar’ melhor dos alagados (ver aqui).

Os governos municipal e estadual não cuidam de prevenir as enchentes, que se tornam mais freqüentes na cidade de São Paulo. Mesmo assim, o governo estadual se empenha em capacitar a PM para reprimir os descontentes. E se a enchente ocorresse no Palácio dos Bandeirantes? A PM iria descer a borracha no lombo de um governador exasperado?

Em razão dos recentes acontecimentos, podemos chegar à conclusão que os paulistas das áreas sujeitas a alagamentos não são cidadãos. São criminosos em potencial, nada mais que isto. O poder público não está preocupado com as tragédias provocadas pela sua inoperância. Trata apenas de submeter as vitimas das enchentes a um permanente estado de cerco policial.

Os ‘enchentados terroristas’

Enquanto o povo sofre sob a água ou sob as pancadas dos policiais, José Serra parece cuidar exclusivamente de seus interesses eleitorais. As propagandas de seu governo (e, por reflexo, dele mesmo) ocupam os horários ‘nobres’ nas redes de TV. Nenhum juiz eleitoral toma qualquer medida. Gilmar Mendes não foi ao Jornal Nacional da Globo dizer ‘Isto não pode!’ Muitos jornalistas em Sampa parecem ter esquecido as obrigações que decorrem de sua profissão. Não querem macular a imagem do governador?

O aquecimento global veio para ficar. Suas consequencias estão nas manchetes dos diários paulistas. Gostemos ou não, o poder público municipal, estadual e federal tem que lidar com este problema. Mas lidar com o problema não é reprimir a população exasperada, mas prevenir novas enchentes.

O que o senhor José Serra fará se for eleito presidente? Se fizer o mesmo que tem feito em São Paulo, o Brasil literalmente afundará enquanto o presidente ordena ao exército que ataque os ‘enchentados terroristas’ que não sabem ou não querem sofrer calados.

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Advogado, Osasco, SP

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