Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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FEITOS & DESFEITAS >

O colunista dispensável

Por Gisele Berto em 22/04/2008 na edição 482

Foi-se o tempo em que mulher não entendia de futebol. Não gostava. Perguntava por que ninguém tocava a bola para o homem de preto.

Hoje, e cada vez mais, a mulherada está presente. Nas arquibancadas, nas diretorias de clubes, participando da vida política dos times, na arbitragem e, especialmente, nas tribunas de imprensa e nos campos, microfone em mãos.

Essas vencedoras lutaram – e lutam – em um ambiente especialmente machista e enganador, que faz de conta que todos os profissionais são iguais, mas segrega sem dó as profissionais que tentam vencer nesse ramo.

Nesse contexto, foi com admiração que fiquei sabendo, por colegas, do conteúdo da coluna do senhor Chico Lang no site da Gazeta Esportiva.

Por não admirar – longe disso! – o trabalho dessa pessoa, não costumo me dar ao trabalho de ler profundamente o que esse senhor escreve, se é que esse tipo de coisa que ele vomita tem algum tipo de profundidade. De toda forma, acompanhei a coluna desse senhor em que ele trata do jogo entre São Paulo e Palmeiras e dos erros supostamente cometidos pela arbitragem. Para esclarecer, não sou torcedora de nenhum dos dois times. Mas me causou profunda revolta ao ler, entre as linhas desse valioso espaço que já foi a Gazeta Esportiva, que, segundo a opinião desse senhor, a bandeirinha Maria Elisa, ‘carinhosamente’ tratada por ele de ‘Dona Maria’, ‘deveria ir para o tanque lavar roupa, assim deixaria o futebol em paz’, apesar de todas elas serem ‘saradas, uns tesões mesmo’.

Prefiro a Palmirinha

Não satisfeito em nos brindar com essa opinião muito sensata, coerente e livre de preconceitos no site, ainda repetiu, letra a letra, no programa de TV.

Se queria mais page views, conseguiu. Se queria mais audiência para o programa de TV, parabéns. Mas se for esse tipo de audiência que a TV Gazeta quer, realmente sinto pena.

A Fundação Cásper Líbero sempre teve a tradição de formar grandes jornalistas e repórteres na área esportiva. Muitos deles, mulheres. Grandes mulheres, que escolheram se envolver no meio do futebol.

E eu, que tenho orgulho de ostentar a minha formação por essa mesma Fundação Cásper Líbero, sou obrigada a ler e ver, com nojo, as opiniões preconceituosas desse senhor, arremedo de jornalista e, surpreendentemente, chefe de reportagem da Gazeta Esportiva.

Isso tudo apenas para dizer que lamento profundamente o fato da Fundação estar rasgando sua história de pioneirismo com esses tipos no comando do jornalismo esportivo da emissora. O que nos restará para assistir na grade da TV Gazeta? Programas de fofoca? Best Shop TV? Desculpem, mas acho que prefiro a Palmirinha!

******

Jornalista

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