Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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FEITOS & DESFEITAS >

O debate sobre o futuro do jornalismo

Por Charles Cadé em 14/04/2009 na edição 533

‘Quando alguém quer saber como vamos substituir os jornais impressos, está realmente querendo escutar que não estamos vivendo uma revolução. Quer que seja dito que os sistemas antigos não vão quebrar antes que novos surjam no lugar. Quer ser informado que as antigas barganhas sociais não estão em perigo, que as principais instituições serão poupadas, que os novos métodos de propagação da informação irão melhorar as práticas anteriores. Está esperando uma mentira.’ (Clay Shirky no texto ‘Jornais e pensando o impensável‘).

Curiosamente, o texto foi publicado no dia 13 de março, uma sexta-feira 13. A situação dos periódicos impressos nos EUA é bem pior que no Brasil. O New York Times, por exemplo, viu seu lucro despencar 50% em apenas um ano.

Não faz sentido falar da crise da imprensa sem contextualizar o que está acontecendo. O mundo, em especial os EUA, está vivendo uma crise econômica. A imprensa é mais um segmento da economia que está sofrendo com ela. Além disso, há veículos que apresentam dificuldades anteriores. Não ver o todo fará com que causa se misture com conseqüência, tornando mais difícil encontrar novos caminhos.

No Brasil… A circulação média diária de jornais no ano passado cresceu 5% na comparação com 2007, de 4,14 milhões de exemplares para 4,35 milhões de exemplares, segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação). A circulação das revistas semanais cresceu 3% no mesmo período. Entretanto, no começo desse ano, a maioria dos jornais teve decréscimo.

Novos caminhos para a informação

De toda forma, esses números ainda são bem menores que os apresentados logo após o Plano Real, quando a tiragem alcançou índices bastante altos. Acima de tudo, é complicado tentar equiparar realidades tão distintas. No Brasil, ainda se fala em analfabetismo.

Entre as revistas semanais populares, o crescimento de circulação em 2008 foi de 11%. Os chamados jornais populares respondem por cerca de 50% da circulação média dos diários do país. Há espaço para crescer. Até porque a classe C aumenta no país.

O consumo diário de jornais no Brasil a cada mil habitantes é de 53 exemplares, segundo a Associação Mundial de Jornais. Valor bastante inferior ao do México, 148 exemplares. Nos Estados Unidos, o número chega a 241, e, no Reino Unido, 335 exemplares.

Há possibilidades de crescimento também nos jornais gratuitos. Enfim, há oportunidades. Precisamos de mais informações, dados, estudos sobre o que está acontecendo e menos histrionismo, ficando exacerbado diante de qualquer notícia que surja sobre a propalada crise do jornalismo.

Martin Sorell, um dos homens mais poderosos da publicidade, acredita que em 2010 o preço da publicidade no papel vai cair tanto que haverá um renascimento. Jornais e revistas estarão incrivelmente atraentes por isso.

E estamos falando apenas da mídia tradicional. O meio digital, o grande desafio atual, também oferece oportunidades. Enquanto se tenta escrever o epitáfio do jornalismo, perde-se a chance de criar novos caminhos para a informação. Como um médico que fala de doença, e não de saúde.

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Jornalista, Fortaleza, CE

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