Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
Menu

FEITOS & DESFEITAS >

O desastre que a imprensa não viu

Por João Benedicto Damião Alonso em 09/12/2008 na edição 515

Estranhamente, a mídia carioca nada noticiou sobre a maior mortandade de peixes de todos os tempos do Rio Paraíba do Sul, ocorrida há 15 dias. O fato, que aconteceu em 90% do percurso do rio em território fluminense, foi provocado pelo despejo de milhões de litros de um produto venenoso por uma empresa de Resende. Todas as cidades banhadas pelo Paraíba sofreram com o corte no fornecimento de água por quatro dias. E, pior que tudo, milhares de toneladas de peixes nobres do rio, como robalo, dourado, bagre, tainha etc. podiam ser vistos boiando. Imaginem o que isso significa para o povoamento do Paraíba do Sul e para a vida dos pescadores. Notícia desse porte não mereceu nenhuma nota por parte, principalmente, das emissoras de TV. Por que será?

***

No domingo (30/11), o jornal O Globo publicou reportagem com chamada de capa, altamente inverídica, vinculando o trabalho da auditora-fiscal da Receita Federal Maria Lucia Fattorelli (que havia sido cedida ao governo equatoriano, para participar da Comissão de Auditoria da Dívida do Equador) a um suposto ‘calote’ do Equador ao BNDES. Em primeiro lugar, não houve calote, mas o questionamento jurídico de um contrato cuja auditoria apontou graves irregularidades. Em segundo lugar, apesar da auditora ter afirmado reiteradamente, na entrevista telefônica ao jornalista, que não havia participado da subcomissão responsável pela análise dos empréstimos do BNDES, o jornalista veiculou matéria inverídica, e altamente danosa à referida auditora, vinculando-a ao suposto ‘calote’. Na realidade, a auditora trabalhou na subcomissão de dívida comercial, ou seja, a dívida com bancos privados internacionais.

A auditora tem sofrido muito, tendo de enfrentar situações vexatórias, tendo de explicar a verdade a amigos, colegas de trabalho e superiores hierárquicos. Ainda hoje, passou mal e foi parar no hospital, pois até sua saúde ficou debilitada por conta desta matéria de O Globo. Foi pedido direito de resposta, no mesmo espaço e dia da semana. Achamos muito difícil que a retificação seja publicada, até porque apenas pequenos trechos da nota de resposta foram veiculados hoje na seção de cartas do jornal, sem que fosse retificada a informação sobre o verdadeiro trabalho da auditora no Equador. Não temos a quem recorrer. Pedimos, portanto, que o tema seja tratado no próximo programa, de terça feira.

A nota completa de resposta ao Globo, assinada por grandes entidades e personalidades nacionais e internacionais, se encontra na nossa página na internet. (Rodrigo Ávila, economista, Brasília, DF)

***

É dispensável minha modesta apreciação sobre o Observatório da Imprensa no rádio e na TV. Ele fala por si mesmo e muitíssimo bem. O que me inquieta há anos, muitos anos, é a nossa contumaz hipocrisia em sondar nosso próprio âmago social. Refiro-me particularmente à insuportável guerra civil que nos castigam o tráfico de drogas e seus tentáculos. Fala-se quase tudo e quase de tudo a respeito dele, bem como se gasta rios de dinheiro e desperdiçam-se milhares de vidas no combate a ele e por causa dele. Mas afinal, qual é a radiografia do consumo de drogas por nós brasileiros? Quem consome mais o quê? Onde? Certamente não é a meia dúzia de estudantes universitários cariocas, como postula o lamentável Tropa de Elite. Quanto sai e quanto fica por aqui mesmo para consumo interno? Por que esse aspecto do assunto é tão escamoteado? Não seria hora de convocar a população a precaver-se contra o tráfico e o consumo de drogas, mediante debates, conscientização, sei lá mais o quê, como se faz com as campanhas contra a dengue, poliomielite, câncer de mama e de próstata, excesso de bebida etc? (Geraldo Antonio Andreasi Fantin, professor aposentado, São Paulo, SP)

***

Recentemente, comentários – não necessariamente críticos – a um artigo do blog de Reinaldo Azevedo, no site da Veja, que tratava de fiscalização do orçamento das subprefeituras de São Paulo, foram enviados por alunos do 9º ano da Escola da Vila como trabalho final, após pesquisa e estruturação. O jornalista respondeu-os em dois artigos (aqui e aqui) intolerantes e discriminatórios, atacando e insultando a Escola da Vila sem ao menos mostrar os comentários feitos pelos alunos. Gostaria de denunciar o blog, que possui comentários – aceitos pelo dono – praticamente fascistas contra esquerdistas e extremamente discriminatórios. O blog dos alunos, que tem os comentários originais e respostas de um membro da comunidade de pais da escola e do grêmio, é o Culatra – Democracia e Discriminação. (Leonardo Cordeiro, estudante, São Paulo, SP)

******

Jornalista, São Fidélis, RJ

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem