Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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O dia em que a mídia parou

Por José Valmir Dantas de Andrade em 22/09/2009 na edição 556

O roqueiro e filósofo baiano Raul Seixas compôs uma música que tinha por título ‘O dia em que a Terra parou’. Ali, canta o músico que todas as instituições da Terra não funcionaram naquele dia; naquele dia nada, nada mesmo teve funcionalidade. Hoje, nós não poderíamos afirmar que a mídia parou, ou que está parada. De fato, ela está bem ativa, bem movimentada. Em alguns casos, mesmo, ela chega a fazer um alarde acima da média, em outros nem tanto. Neste momento, faz-se jus à sociedade fazer algumas chamadas de atenção ao comportamento da mídia diante da conjuntura política que ora se desenvolve no Brasil e, sobretudo, na América do sul.

Há coisas de muita importância que a mídia veicula e dá uma boa dose de ênfase; há coisas de média importância que a mídia veicula, também com certa dose de ênfase; e há coisas de pouquíssima relevância que a mídia veicula sob a forma de um embromation. Assim, também existem coisas de crucial relevância que a mídia não dá o mínimo de ênfase, o mesmo valendo também para coisas de média e pouca relevância.

No quadro conjuntural político, estratégico nacional e continental atual, a mídia tem dado ênfase a algumas coisas de caráter eminentemente importantes. Mas outras coisas, também de não menos relevância, ficam fora de foco. Aqui, a nossa mídia pára, se queda meio silenciosa. Quando setores do PT, da sociedade e de boa parte do Congresso cogitaram a possibilidade de o presidente Lula concorrer a um terceiro mandato, a nossa mídia alardeou o caráter de golpismo na possibilidade de uma emenda constitucional que viesse sacramentar um terceiro mandato ao atual presidente do Brasil. Quando o venezuelano Hugo Chávez aprovou, por meio de referendo popular, a sua reeleição por mais de dois mandatos, houve aqui muita repercussão por parte da nossa mídia.

Dois pesos e uma medida

Mas neste momento, o líder colombiano Álvaro Uribe está em vias de aprovar uma manobra que lhe outorga a possibilidade de concorrer a mais do que dois mandatos e quase, mas quase mesmo, ninguém da mídia fala sobre o assunto. Recentemente, este chefe de nação autorizou a invasão do espaço territorial do Equador. Nesta ocasião, a mídia fez uma cobertura tímida; fosse o presidente Chávez que tivesse cometido este deslize e a mídia brasileira já estaria cobrando do chefe da nossa nação a atenção total para com a Venezuela.

Setores do Congresso e da mídia estão cogitando a possibilidade de o presidente Lula ter adquirido caças para defender-se de um eventual ataque venezuelano. Não faz sentido, esta cogitação. Se há alguém, hoje, que trabalha para construir a unidade da América do Sul, este alguém se chama Venezuela, junto com o Brasil. Hoje, a Colômbia autorizou a instalação de nove bases militares estadunidenses em seu território, um feito de grande impacto que deveria ter uma grande repercussão da mídia, mas quase não se fala disto. Fossem estas bases instaladas noutro país que não a Colômbia, a mídia já estava criando pânico em toda a nação. É por estas e outras que inferimos: a mídia não é imparcial, ela dá dois pesos para uma mesma medida.

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Professor , Fátima, BA

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