Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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FEITOS & DESFEITAS >

O dilema entre noticiar e ajudar

Por Heloisa Helena Silva de Almeida em 24/03/2009 na edição 530

Neste momento (17/3), 18h05, a Rede Bandeirantes de Televisão, por meio de seu helicóptero de jornalismo, mostra a inundação em São Paulo. Informam que o salvamento do Corpo de Bombeiros está com várias ocorrências para prestar socorro. Há um local, que está sendo filmado no momento, com diversas pessoas – inclusive criança de colo – em cima de seus carros já praticamente submersos. Minha pergunta: esse helicóptero de jornalismo não tem a obrigação de prestar o socorro já que o salvamento não se encontra disponível, pois está atendendo em outros lugares? Não é obrigação de todos nós, ao ver pessoas em perigo, procurar salvá-las? Como pode uma empresa jornalística, com meios para colaborar em um resgate, apenas se preocupar com a divulgação da notícia e, consequentemente, com a audiência que essa notícia trará? Gostaria de seu parecer, principalmente se eu estiver errada, pois ao ver um homem com uma criança pequena no colo, acenando para o citado helicóptero, e o comandante deste apenas descrevendo o que se passava lá em baixo, fiquei indignada. Será a notícia mais importante que uma vida?

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Eu gostaria de parabenizar toda a equipe do Observatório pelo trabalho fantástico que estão realizando sobre a imprensa como um todo. Um programa assim tão importante deveria ir ao ar mais vezes durante a semana. Como telespectador, me sinto no direito de dizer que toda a equipe de vocês, principalmente o senhor Alberto Dines, é uma luz para a escurecida imprensa brasileira. Continuem o ótimo trabalho pois há muito a se fazer. Ass: Um telespectador muito satisfeito. (Renato Monteiro, Recife, PE)

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Uma sugestão para o Dines ou o Weis: não está faltando uma boa reportagem nessa história do tarado de Viena que manteve a filha anos e anos presa no porão da casa onde morava com a mulher? Nasceram sete filhos e essa moça não saiu do porão nenhuma vez? Ninguém percebeu nada? Ou eu deixei de ler uma parte importante do noticiário? (Almyr Gajardoni, jornalista, São Paulo, SP)

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Acabei de assistir a dois programas da Globo – Jornal Hoje e VideoShow, em 18/3. O primeiro traz reportagem sobre a morte do Clodovil. Vários detalhes, entre eles um ‘breve currículo’: órfão, adotado, estilista, cabeleireiro, homem de televisão, deputado federal, homossexual assumido, etc. Homossexual assumido? Ouvi bem? Faz parte de ‘breve currículo’, como disse a apresentadora? Ora, quando morreu o Roberto Marinho será que a Globo redigiu para seus locutores ‘Macho assumido’ ou ‘Heterossexual assumido’? Não bastasse isto, a seguir vem o programa VideoShow e mostra um ator caracterizado de ‘estilista gay’, cópia exata do Clodovil, imitando seus trejeitos e maneirismos. Um mau gosto danado, se pensarmos que o corpo da pessoa, do cidadão que ele foi, ainda está esfriando no caixão. Baixaria da pior espécie. Merecem ser no mínimo advertidos por órgão que fiscalize este tipo de atividade. Quis dar a conhecer a vocês pela seriedade que transmitem. Não sou gay, nem simpatizante, mas respeito é bom e eu gosto. Que assim procedamos todos para merecê-lo também. (Rodrigo Pena, empresário, Belo Horizonte, MG)

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Em meio a um turbilhão de críticas e acusações, o arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho tenta justificar a excomunhão dos envolvidos no caso da menina de nove anos que foi estuprada pelo padrasto, em Pesqueira, interior do estado de Pernambuco. Para o arcebispo, ‘a lei de Deus está acima de qualquer lei humana’.

Em entrevista à revista Veja, o religioso se justifica dizendo que não foi ele que os excomungou, mas sim que esta pena é automática àqueles que praticam o aborto, segundo o código de direito canônico. ‘Eu não posso excomungar ninguém’, defende-se.

Para o arcebispo, o aborto deve ser tratado como homicídio, um pecado gravíssimo assim como o estupro. Contudo, ele reitera que tirar a vida de um inocente é algo muito mais grave.

A grande discussão entre Ciência (medicina) x Religião (Igreja) está justamente nesta definição de vida. Onde ela começa? Para a Igreja, um feto em formação, com semanas de existência, já é considerado um ser humano e, por isso, deve ser protegido como uma vida que está sendo tirada na hora do aborto. Mas por que a Igreja não trata o feto da mesma maneira em outras ocasiões?

O deputado José Genoíno (PT-SP) disse em entrevista ao Programa Livre, do SBT, em 1998, que não tem notícia de padres que já tenham encomendado a alma de um feto, mesmo os de abortos involuntários, nem tampouco tenham celebrado rito ou sacramento para indicar o rito de passagem de quem estava vivo e morreu. ‘A Igreja não trata aquele feto como vida, senão o trataria como alma a ser encomendada’, justifica.

Exceto o aborto, os outros oito motivos para a excomunhão, segundo o Código de Direito Canônico, são todos relacionados à vida religiosa, como heresia, violência física contra o Papa e violação do segredo da confissão, por exemplo.

Se a Igreja defende tanto assim a proibição do aborto, afirmando ser a defesa da vida, uma coisa chamou a atenção na entrevista: nem o arcebispo, nem as cinco pessoas que o acompanhavam, soube responder qual o nome da principal envolvida nesta história, a menina que foi estuprada e ficou grávida do padrasto. (Rafael Xavier dos Passos, estudante de jornalismo, Florianópolis, SC)

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Fico indignada com a mentalidade da Religião Católica em pleno sáculo 21. Num mundo globalizado, onde temos várias opções para viver, trabalhar, divertir-se, a Igreja continua num mundo a parte. Arcaico, Inquisitório, repressivo e fundamentalmente incoerente.

A função da Igreja é rezar, orar pelas pessoas e não ditar regras. Isto era antes. Nós, seres humanos, somos capazes de diferenciar o que é certo e errado. Usamos do nosso livre arbítrio. Se Deus pregava a justiça e o amor ao próximo, como a igreja deixa seres humanos morrerem? Exemplo: não usar camisinha, anticoncepcional, estuprar pode e quando a vida está em perigo não pode por que é uma vida? É muita dicotomia para uma Religião.

Sou católica e desprezo o descaso com a vida humana, uma igreja que se acha onipotente, que está acima de tudo e todos, e até podemos dizer uma cidade Estado, o Vaticano. Se pegássemos todos os bens que possui, desde o tempo da 2ª Guerra Mundial, poderíamos fazer com que os povos do mundo que vivem em vidas sub-humana melhorassem. Para que uma Igreja necessita de tanto dinheiro, se nem Jesus Cristo queria nada para si?

Como em todas as organizações, o problema esta nos seus organizadores, mandantes (Papa, Cardeal, Bispos, etc). Eles não pensam no povo e nunca pensarão. O povo deveria abrir seus olhos e seguir o seu coração e não ficar implorando para santos, santas, padres ou qualquer outra denominação. Quer orar ou rezar, faça de coração e não com intermediários. A religião é apenas para arrancar dinheiro e se auto sustentar. Desde quando Deus pediu algo? Que eu saiba a Bíblia foi escrito por homens, e quem prova que isto tenha sido feito por Ele mesmo?

O povo ainda é ludibriado por suas necessidades, tanto físicas, mentais, religiosas e financeiras. A grande fraqueza do ser humano está em acreditar que mexe com a parte espiritual, pois ele não sabe o que quer da sua própria vida, precisa que outros digam o que fazer e não fazer. Só peço que o povo aprenda a crescer e pensar no que realmente é verdadeiro. (Claudia Lima, São Paulo, SP)

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A Constituição Federal de 1988 foi bem clara ao afirmar, em seu Art. 19, inciso I, que ‘É vedado à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios: estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público’. Portanto, a existência de programas de cunho religioso na TV Brasil, uma emissora pública, é uma afronta à Constituição. O Estado Brasileiro é um Estado Laico! (Paulo Augusto Cunha Libanio, servidor público, Brasília, DF)

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A Veja SP noticiou recentemente os locais mais badalados das baladas noturnas famosas de Sampa, onde chega-se a gastar uma grana preta numa só noite. Espetáculos sadomasoquistas financeiros, onde se chega a pagar 500% a mais numa garrafa de champanhe ou mesmo em uma simples garrafa de água mineral.

No outro extremo, quem passa pelo Largo do Arouche após 22 hs, dá de frente com a exposição de meninas e meninos, que por dez reais oferecem seus corpos para outro tipo de espetáculo sadomasoquista: o do sexo promíscuo e de sarjeta.

Em Brasília, um AVC leva desta para melhor (I hope so), o estilista-deputado-gay Clodovil Hernandez. No outro extremo, a Folha noticia que seu lugar deverá ser substituído por coronel da polícia militar da Rota, anti-homossexual de carteirinha, seguidor roxo do ideário da organização mais radicalmente oposta à figura de Clodovil: a famosíssima TFP – Tradição Família Prosperidade. Anti-aborto. Anti-GLS. Anti-PC. Anti-MST. Anti-CNBB. Anti-CIMI. Anti-divórcio. Esqueci algum anti?

Como se vai de extremo a outro? E a imprensa engajada na sobra dos neo coronéis de hoje, nada ressalta. Tudo bem?

De extremo a outro, lá vai o barco sadomasoquista brasileiro rumo a uma catarata de Iguaçu sócio, político, religioso. Vamos pular fora? (Flávio Costa, São Paulo, SP)

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Escrevo para vocês porque o JB não tem um endereço para contato na sua edição online. Vejam a manchete de hoje: ‘John Kerry pede asilo a gay brasileiro casado nos EUA’. Esta frase quer dizer, ao contrário do que o articulista escreveu, que o John Kerry foi quem pediu asilo (para ele) ao gay brasileiro (que supostamente estaria na posição de conceder o asilo). Vendo uma manchete destas sinto um profundo desânimo ao perceber que nossos jornalistas já não sabem mais escrever o português. E o pior é que este tipo de erro de linguagem está se tornando muito comum. É para isto que se exige que, para escrever hoje num jornal, a pessoa deva ter feito um curso universitário de jornalismo? E o JB deveria, como fazem outros meios de comunicação, ter um link para que os leitores pudessem escrever relatando estes deslizes, sem ser nos comentários das notícias. Obrigado, e desculpem a minha indignação. (Wilson Baptista Junior, economista, Belo Horizonte, MG)

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Em nossa pequena cidade tem uma rádio que era pra ser comunitária, mas o presidente é o mesmo desde a sua fundação, em 1998. No dia 19/3/09, procurei a direção da Ass. Comun. Rádio Dinamica e solicitei um horário que está vago há mais de três anos por falta de gente para preenchê-lo, para fazer um programa de rádio, das 20 às 22 hs, voltado à cultura, informações, meio ambiente e curiosidades locais. A resposta do sr. Presidente é de que ‘este horário que vocês está pedindo já foi pedido por outro’. Estão colocando em rede com rádio nacional após às 18 horas. A emissora local não cumpre os conceitos da Lei 9612/98 e pratica o ‘proselitismo’, não respeita qualquer tipo de legislação e fica à disposição do poder público local, onde o Executivo fica horas divulgando suas ‘informações’, bem como os políticos (deputados) afinados com os interesses da emissora, ou da Prefeitura. É revoltante, e não quero fazer um programa de polêmicas, quero transferir conhecimento e mudar a formatação atual do que se fala hoje por aqui. Preciso de ajuda, por favor! Para tal invoco o Art. 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. (Ruy Sousa Ojeda, servidor público e radialista, Ponte Branca, MT)

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Advogada, São Gonçalo, RJ

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