Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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FEITOS & DESFEITAS >

O estrago que pode fazer um lead

Por Noenio Spinola em 12/05/2006 na edição 337

Senhor Rogério Gentile, editor de Cotidiano


Caro senhor,


A matéria veiculada hoje [12/5, ‘Jovem é preso após filmar sexo com menina de 15 anos’, ver abaixo] contém um erro de apuração que depõe contra a exatidão com que a Folha de S.Paulo trata os fatos.


O texto abre dizendo que ‘O operador da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) de São Paulo, Dhaniel Graziane da Silva…’ etc.


Cumpre informar que:


** A BM&F não tem operadores.


** Os operadores nas rodas de negociação da BM&F são empregados de instituições que os habilitam para ‘operar’ em rodas de viva-voz ou eletrônica.


** Os operadores são rigorosamente identificados através dos jalecos e crachás que usam, dos quais constam o nome da instituição que representam e as siglas que o identificam como operador, bem como o respectivo número.


Esta nota de esclarecimento não se destina a solicitar que a Folha desvie o foco dos que operam em seu mercado para a instituição que representam, mas tão somente para ressaltar que o erro de um, quando generalizado por imprecisão jornalística, fere a instituição e os demais que dela participam.


Acreditamos que estes esclarecimentos contribuirão para melhorar a ética jornalística, da mesma forma que a liberdade de imprensa contribui para vigiar os que ferem a ética e os princípios do relacionamento humano, objetivo com os quais estamos inteiramente solidários.


Cordialmente, Noenio Spinola, Diretor de Comunicação e Mídia.


c/c Ombudsman da Folha e Observatório da Imprensa


***


A matéria em questão


POLÍCIA


Jovem é preso após filmar sexo com menina de 15 anos


André Caramante [copyright Folha de S.Paulo, 19/5/2006]


O operador da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) de São Paulo Dhaniel Graziane da Silva Ruggio, 23, foi preso em flagrante no início da madrugada de ontem, no Tucuruvi (zona norte de São Paulo), após confessar à polícia que fez sexo com duas meninas, uma de 12 e outra de 15 anos, e que filmou e fotografou a relação com a mais velha.


Após assistir ao jogo entre São Paulo e Estudiantes na noite de anteontem, quando disse ter ingerido bebida alcoólica com amigos em um bar, Ruggio passou com seu carro, um Mercedes Classe A, pela rua Amaral Gurgel, ponto de prostituição de homossexuais no centro de São Paulo.


Ali, ele encontrou as duas meninas, que, à polícia, disseram estar perdidas, procurando um ônibus para ir à Ceagesp (zona oeste), onde iriam trabalhar descarregando caixas de frutas. Depois de oferecer carona às garotas e de convencê-las a entrar em seu carro, Ruggio foi para o Tucuruvi, onde vive em um apartamento com os pais.


No caminho, Ruggio, segundo seu depoimento, combinou com as jovens que pagaria R$ 50 para a mais nova e R$ 25 para a mais velha para que elas mantivessem relação sexual com ele. Ainda dentro do Mercedes, a menina de 12 fez sexo oral com o rapaz.


Quando chegaram à estação Tucuruvi do metrô, a mais nova foi deixada pelo operador, que, como garantia de que voltaria para pegá-la e pagar o programa, deixou seu celular com ela. Ruggio seguiu para a garagem de seu prédio com a jovem de 15 anos.


Antes de começar a relação sexual, o operador subiu até seu apartamento, pegou uma filmadora e uma câmera fotográfica digital e voltou ao carro, onde a jovem o aguardava. Durante cerca de duas horas, Ruggio praticou sexo com a menina e gravou e fotografou vários dos momentos em que estiveram juntos. A Folha teve acesso às imagens.


Por volta das 4h40, com a jovem de 15 anos, o operador resolveu voltar à estação para reaver seu celular. Ao encontrar a menina de 12, ele ficou nervoso e começou a agredi-la porque ela disse que o telefone havia sido roubado.


Algumas pessoas que passavam pela estação resolveram chamar a Polícia Militar quando viram Ruggio sacudindo e gritando com a menina. Ao revistar o Mercedes, os policiais encontraram a filmadora e a câmera com as cenas de sexo entre ele e a garota de 15.


Indiciamento


No 39º DP (Vila Gustavo), onde foi indiciado por atentado violento ao pudor, ‘apenas porque praticou felação com a menina de 12 anos’, segundo o delegado José Carlos Francoi, Ruggio assumiu que havia combinado um programa com as duas garotas. Caso seja condenado, ele poderá pegar uma pena de prisão, em regime fechado, que varia de seis a dez anos.


Ao delegado, as duas meninas, que moram com seus familiares na zona sul de São Paulo, disseram que faziam programas havia quase um ano e cobravam entre R$ 10 e R$ 15. A mais velha parou de estudar na 5ª série, a mais nova, na 6ª. Os pais de ambas serão denunciados pelo delegado à Vara da Infância e Juventude.


‘Eu não sabia que ela fazia programa, é uma novidade para mim. Ela sempre ajudou a levar um dinheirinho para dentro de casa fazendo ‘bicos’ em um supermercado’, disse a mãe da menina de 12 anos, ontem, na delegacia. Ela tem outros cinco filhos.


Para o delegado, Ruggio também é suspeito de praticar pedofilia, pois ele disse às jovens, quando as abordou, que estava acostumado a fazer sexo com meninas e a fotografá-las. Apesar de aparecer nas imagens feitas por Ruggio de maneira explícita, a jovem de 15 anos disse que não percebeu ter sido fotografada no carro. ‘Não tem como ela dizer isso, as fotos são frontais. Ele disse às meninas que estava acostumado a tirar fotos assim’, falou o delegado.


No momento em que prestava depoimento, Ruggio se dirigiu às jovens e, ainda segundo o delegado do caso, pediu ‘desculpas’ por tudo o que havia feito com elas.

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