Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > TRAGÉDIA EM ANGRA DOS REIS

O filho médico do farmacêutico

Por Teócrito Abritta em 12/01/2010 na edição 572

‘Em uma pequena cidade do interior brasileiro, um farmacêutico prático vivia com dificuldades para dar à sua família o que considerava o mais valioso bem, que era a educação e uma formação profissional.

Finalmente, após anos de dificuldades, o seu primogênito volta com um diploma de medicina, pronto para ganhar a vida ajudando a comunidade e a educação dos irmãos mais jovens.

Um belo dia o jovem doutor chegou à casa esfuziante por ter curado uma ferida crônica de um fazendeiro da região. O farmacêutico ao tomar conhecimento da cura ficou lívido e disse: foi cultivando esta ferida durante anos que você se formou em medicina. E agora os outros irmãos?’

Simples historieta ou realidade? Infelizmente, uma imagem bem atual, se pensarmos nas feridas crônicas como o abandono, humilhações e explorações do nosso povo e no desonesto farmacêutico como nossas autoridades.

Quem ligou a TV Globo nestes dias foi violentado por esta triste história, onde todos os políticos omissos tentavam aparecer em meio às cenas de sofrimento, dor e destruição. Esta estação de televisão teve a coragem de apresentar o desconhecido vice-governador do Rio de Janeiro, Pezão, que tentava falar e justificar a omissão do Estado perante a tragédia de Angra dos Reis e Ilha Grande. Só que o desconhecido Pezão não era capaz de falar coisa com coisa, limitando-se a exaltar os mirabolantes planos do governo para o futuro – ah, sempre o futuro – e das verbas salvadoras que seriam enviadas por Lula. Ano eleitoral, ano de aparecer!

Sugestões para entrevistas

Mesmo já tendo escrito sobre estes temas neste Observatório (ver, por exemplo, ‘A redenção do governador‘ e ‘A arte ou desastre da crônica‘), ficam aqui algumas sugestões para entrevistas com políticos da TV Globo:

** Perguntar ao governador Sérgio Cabral como, depois de treze anos de governo do PMDB, nada foi feito para prevenir tragédias causadas por chuvas, ainda autorizando, pelo Decreto nº 41.921/09, publicado em junho de 2009, a construção em áreas não edificáveis da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, que inclui uma faixa de mais 80 quilômetros do litoral de Angra, a face da Ilha Grande voltada para o continente e as mais de 90 ilhas da baía.

** Perguntar à secretária estadual de Ação Social, Benedita da Silva, sobre a razão da sua visita a Angra dos Reis, após seis dias da catástrofe e após três anos ocupando esta secretaria estadual, sem nunca antes ter dado o ar de sua graça. Seria por estarmos em ano eleitoral?

** Esta TV poderia também entrevistar o Sr. Paulo Duque, senador suplente de Sérgio Cabral, para falar sobre seus projetos em defesa do estado do Rio de Janeiro no Senado Federal.

** Perguntar ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sobre os licenciamentos ambientais concedidos quando secretário no Rio de Janeiro e sobre as ‘flexibilizações’ das leis ambientais no governo Lula, como fatores de agravamentos de tragédias.

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Físico e escritor, Rio de Janeiro, RJ

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