Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

FEITOS & DESFEITAS > IMPRENSA PARAENSE

O jornalismo-relâmpago numa Amazônia veloz

Por Lúcio Flávio Pinto em 05/09/2011 na edição 658

Reproduzido do Jornal Pessoal nº 496, 1ª quinzena de setembro/2011; intertítulos do OI

Fui surpreendido, no último 18 de agosto, por dois contatos feitos por jornalistas do Diário do Pará. A primeira jornalista queria uma entrevista. A segunda, um artigo. As matérias seriam publicadas na edição de aniversário do jornal, no domingo, 28 de agosto. Apesar de muito atarefado, atendi aos pedidos, depois de tentar reduzi-los a um único, a entrevista. E ainda recomendei à jornalista que o encomendou, com premonição baseada na experiência: “trate dele com carinho”.

Carinho não houve. Os textos simplesmente não foram publicados em nenhum dos 15 cadernos da edição especial dos 29 anos. Por quê? Não sei. Os anfitriões não se deram ao trabalho de esclarecer – ou até se desculpar pelo mau jeito com meus textos. E seriam – artigo e entrevista – gratuitos, cortesia de confrade, relação que já foi sagrada nas redações e hoje ninguém lembra. Elegância, cavalheirismo, bonomia e fair-play foram extintos na imprensa paraense, penetrada pelos ranços do ódio e da disputa sem regras.

Para ajuntar minha contribuição às comemorações do jornal dos Barbalhos, publico a seguir os textos destinados ao Diário. O leitor que entenda, se puder, os motivos do veto.

O jornalismo é uma fonte confiável para a reconstituição da história ou serve apenas para o efêmero registro dos eventos cotidianos, servindo apenas – e quando muito – como roteiro e agenda? Diz-se que um jornal não resiste mais do que 24 horas nas ruas. Logo seu papel é usado apenas para fazer embrulho, ou em fins menos nobres. Aqueles que torcem o nariz para o produto mostram-se incapazes de buscá-lo quando precisam de informações.

Os acadêmicos, por exemplo. Poucos deles utilizam matérias jornalísticas nas suas bibliografias. Supõem que dessa maneira as protegem de menções que as desvalorizariam. Não deixam de ter alguma razão. Quando submetida a teste de consistência, a enorme produção jornalística se desfaz. Muito dela não resiste a uma checagem mínima quanto à sua exatidão ou relevância. Ou mesmo à sua coerência e lógica interna.

Com essas deficiências, porém, o jornalismo é essencial para a vida dos cidadãos e fonte necessária para sua história. Basta que vá de carona na dinâmica do cotidiano, atrelado às mutações do dia a dia, sintonizado com a mudança dos tempos. Não importa que o jornalista de vez em quando se desequilibre, vá ao chão e saia com escoriações generalizadas.

A história segue a alta velocidade e fazendo ziguezague. Mesmo um acompanhante bem dotado não consegue dar conta do recado. Sem o jornal, porém, o percurso perderia algumas de suas marcas necessárias, dos seus sinais de alerta. Ainda mais em áreas de fronteira, como a Amazônia, nas quais se pode passar do zero ao infinito num intervalo de tempo muito mais curto e fulminante do que nos centros já consolidados.

Amazonólogos às pencas

Sem o jornalismo, a agenda dos cidadãos pode ser privada de informações fundamentais para definir os seus atos, a sua presença e a sua própria razão de ser. E a sua possibilidade de fazer história, que sempre existe, mas nem sempre oferece a recorrência.

Há mais de 45 anos ininterruptos pratico o tipo de jornalismo assumido até as suas últimas consequências, ciente das suas deficiências, comprometido com todas as suas possibilidades. Convido meu leitor a submeter esse jornalismo ao teste de consistência mais rigoroso. Claro que meu convite só será aceito se o leitor se interessar pelo que escrevo.

Se houver a motivação, resultante de uma combinação de fatores (a clareza do texto, o tema da narrativa, o encadeamento dos fatos, a fruição argumentativa), mesmo que o leitor não concorde com as idéias que o jornalista apresenta, é muito provável que consiga relacionar o conteúdo da narrativa à sua própria vida. Assim poderá tirar dela uma contribuição para sua ação, e, com melhores ferramentas intelectuais, ultrapassar o conhecimento e a percepção do autor dos textos.

Se assim for, a função e a missão do jornalismo estarão realizadas: colocar as pessoas diante da realidade. Cada um, encontrando seu lugar, que trate de pôr em prática sua vontade. Esta é a melhor herança da polis dos pais do nosso modo político de ser, os gregos antigos.

A maioria dos meus livros tem sido uma seleção de artigos e reportagens que escrevi para a grande imprensa e, nos últimos 24 anos, completados nesta primeira quinzena de setembro, no Jornal Pessoal, quinzenário que começou a ser publicado na 1ª quinzena de setembro de 1987, apenas cinco anos depois do Diário do Pará.

Um dos últimos livros que lancei, sempre em edição do autor, eu decidi publicá-lo de súbito, quatro dias antes de mandá-lo para a gráfica. Quando limpava meu latifundiário correio eletrônico, me dei conta de que dezenas de artigos escritos para um site de jornalismo editado em São Paulo (e já extinto) constituíam um razoável roteiro do que aconteceu na Amazônia e no mundo a ela conectado, entre 2004 e 2008, o período de abrangência dos textos.

Eu podia reescrever esse material, fundir suas partes ou organizá-lo por assuntos. Preferi manter a sucessão cronológica, mesmo à custa de alguma repetição ou incongruência. Minha intenção era mostrar como o significado dos acontecimentos isolados se aclara; como fatos na aparência desconexos se ligam e – também – como é árduo conseguir saber o que está acontecendo diante dos nossos olhos, sem que muitas vezes consigamos sequer ver os acontecimentos (dentre outros motivos, porque a percepção da realidade concreta – conforme o fecundo conceito-matriz de Marx – exige o uso das lentes da ciência na Amazônia).

Como informação continua a ser poder, e é cada vez mais poder, ela não é oferecida “de grátis” na rede mundial de computadores. Às vezes chega-se a ela tateando pelo sempre problemático método de ensaio e erro, ou tendo que pôr abaixo uma montanha de press-releases, afastando balões de ensaio ou tangenciando dogmas e mitos.

É muito fácil e cômodo, de posse de uma teoria explicativa, passar a aplicá-la a torto e a direito sobre toda e qualquer realidade, que mais se induz do que se deduz, sem qualquer forma efetiva de aproximação dialética, que não seja a retórica ou formal, por isso mesmo mecânica.

A Amazônia é a vítima do imperialismo e o produto do colonialismo. Sob essa sentença, tudo mais se ajusta e está entendido. Tenho a pretensão de mostrar que não é bem assim. E ainda que fosse assim, há um caminho a percorrer entre o zero e o infinito, do estabelecimento do imperialismo ou o colonialismo na jungle à sua saída ou expulsão, sabe-se lá quanto tempo depois (se “depois” moral positivo houver). Nesse interregno, milhões de pessoas terão que viver cada dia e enfrentar todos os seus desafios, para os quais freqüentemente precisam mobilizar todo seu saber e talento. E acreditar que com seu uso irão melhorar de vida.

Mas qual se, a pretexto de realizar o grandioso fim último da história, a ignoramos até lá, em sua concretude e especificidade, na soma de labores e suores que a constitui. Há amazonólogos às pencas espalhados pelo país e o mundo inteiro, porque o esquema explicativo já está pronto. Basta aquecê-lo no microondas do saber e servi-lo.

Boa pergunta

Enquanto isso, batalhas e mais batalhas deixarão de ser enfrentadas por falta de informações sobre a complexidade dos processos e a intrincada rede de conexões internacionais, que emerge nas rústicas e (só na aparência) provincianas paisagens amazônicas.

O dia a dia dos empreendimentos de ocupação, que é o nome verdadeiro dos “grandes projetos”, é muito complexo mesmo. Nenhuma de suas engrenagens funciona ao acaso ou isolada. Às vezes um sopro no meio da mata tem como origem um vendaval lá fora. Sobretudo nos setores produtivos mais internacionalizados, como a geração de energia, a mineração e a extração florestal, a complexidade desafia as mentes mais sagazes e as capacidades intelectuais mais bem articuladas ou organizadas. A porta do entendimento desses processos é lacrada e só se abre com acesso a um código sofisticado.

Espero que o leitor dos meus precários e pobres livros partilhe a sensação de surpresa que tenho ao reler todo material que neles reúno (sempre com a adiada aspiração por uma obra inteiramente nova, como a que escrevi sobre o Jari do milionário americano Daniel Ludwig, no distante 1984) e selecionar os artigos. Eles podem ter o mesmo significado das pedrinhas que servem de guias para o João e a Maria daquela lenda inevitável das nossas infâncias.

Um leitor muito mais exigente talvez reaja mostrando que no lugar das pedrinhas eu semeei miolo de pão, que um pássaro faminto tratou de engolir, desfazendo o caminho de volta dos dois irmãos perdidos na mata. Neste caso, espero do leitor (dos livros e do Jornal Pessoal) a gentileza de me alertar e contribuir para que eu busque as pedrinhas devidas, se de tal tarefa puder me desincumbir. É assim que se dialoga, se polemiza e se avança. Juntos, muito melhor do que sozinhos.

A Amazônia precisa com urgência dessa relação – digamos assim – heurística ou gnoseológica. Não pode ser tratada apenas à base de caldo de galinha ou sanduíche natureba do cardápio das trivialidades auto-suficientes, das sentenças refratárias à elucidação, do trinfalismo salvífico dos profetas do vazio. Nem pode também ser deixada à sanha dos seus colonizadores: seja o madeireiro rude, que põe abaixo enormes árvores centenárias sem um ai de inteligência ou sensibilidade, como a multinacional planetária, que derrama glacê colorido e vistoso sobre suas vilanias.

É preciso que haja uma base material comum a todos, os que põem em prática o ainda em vigor modelo de integração ou ocupação, à base da pilhagem, e os que perseguem uma forma alternativa, sob utopias ainda vagas, como o desenvolvimento sustentado. Essa base comum são os fatos, as informações. Não os penduricalhos da internet ou a louçania dos press-releases, mas aqueles dados que emergem ou são filtrados dos documentos e dos próprios atos que materializam as filosofias e os programas e projetos.

Para quem não torcer o nariz nem jogar fora o jornal, à mera menção da expressão malsã, o jornalismo verdadeiramente independente e comprometido com a verdade poderá fornecer informações que não se encontrará em nenhuma outra publicação. Talvez o leitor se defronte com uma forma original de interpretar essas informações clandestinas, que são desconhecidas, manipuladas ou permanecem escondidas em caixas-fortes corporativas ou nos cofres embutidos na parede floreada de uma elite que despreza a participação coletiva.

Ao chegar a algumas dessas informações, depois de uma penosa e demorada investigação (esta, a razão de ser de todo e qualquer jornalismo), tomei um choque, seguido de outro abalo ao juntá-las a outros nós soltos ou a peças de intrincados quebra-cabeças, muitos dos quais ainda não consegui montar (mas ainda não desisti do trabalho).

Só para dar um exemplo. Durante muito tempo fiquei intrigado: por que a maior empresa privada brasileira, a antiga estatal Vale do Rio Doce, a segunda maior mineradora do mundo, a maior do continente, a principal fornecedora de dólares para o Brasil (à custa da exaustão de riquezas naturais do Pará), sabotou e sufocou sua empresa internacional de navegação, das melhores do mundo, a Docenave? Por que esse estrangulamento aconteceu depois que a estatal foi privatizada, em 1997? Por que tal destino se deu, apesar de perdas de bilhões de dólares para as contas nacionais?

Fio condutor

Tenho algum orgulho profissional de dizer que o distinto leitor não encontrará a resposta em nenhum lugar do mundo cibernético. Ela foi esboçada numa das edições do Jornal Pessoal e num dos meus livros mais recentes. E é muitíssimo importante. Tão essencial que o principal personagem desse livro (Amazônia Sangrada) é a antiga CVRD, conforme continuo a tratá-la.

É uma resistência simbólica, que não me deixa acatar o novo nome de fantasia da empresa, simplesmente Vale. Talvez para sepultar de vez uma história terrível, ainda tão recente, mas já envolta por brumas artificiais, fabricadas pela máquina de relações públicas, marketing e jornalismo domesticado da corporação.

Talvez algum leitor não se ligue na seqüência dos números que costumo apresentar, para me prevenir contra os sacerdotes da econometria, devolvendo-lhes a arma que costumam usar com agressividade (como se fossem deuses, muito acima do comum dos mortais), preferindo passar por cima deles para pousar seu raciocínio em conceitos e diktats absolutos, que dão a certeza de um catecismo secular.

Peço a esse leitor que se permita seguir a trilha dos números conforme o rito interpretativo que a eles se atém, até estar convencido da verdade ou, pelo contrário, se sentir provocado a procurá-la em outro lugar, em rumo próprio. É sedutora a tentação de subir num palanque ou numa banca de debates e proclamar conclusões sobre a Amazônia.

Depois de mais de quatro décadas nesse circuito, já não reajo com a bonomia de antes ao decálogo dos iniciantes. Exijo que apresentem tempo de serviço dedicado à “causa”. Se não são gênios, nada poderão dizer de enfático sobre a Amazônia se não tiverem anos de peregrinação por estradas pedregosas, como as que se apresentam disfarçadas de balanços, atas, estudos de viabilidade e projetos, ou se exibem como esfinges em solos, subsolos e sobressolos, se me permitem um dedinho mínimo de Guimarães Rosa ao tucupi.

Ou na pobreza dos marginalizados, na violência dos desassistidos e numa algaravia de criminalidades, das que são praticadas com um revólver 38 às que são urdidas nos livros dos cartórios de imóveis, onde um simples golpe de mão transfere do patrimônio público para a propriedade de particulares imensas extensões de terras, do tamanho de países.

A Amazônia, como a arte, é resultante de 99% de transpiração, ou até mais, se Picasso cunhasse a frase nestes trópicos úmidos, suados e sofridos de Lévy-Strauss, intérprete da nossa melancolia, doce e imobilizadora.

Ao fazer a releitura dos artigos, costumo ser acometido pelo pecado da luxúria, combinado com a hipérbole da pretensão: será que estes textos não podem servir de fio condutor da voz amazônica, a ser transmitida a auditórios mais amplos? Embalado pelo impulso, é assim que tenho organizado meus livros-relâmpagos e os entrego ao leitor, na esperança de que ele possa ajudar a iluminar o horizonte, mesmo que seja pelo tempo instantâneo de um relâmpago, de um raio de jornalismo, que tem o céu como horizonte. E limite.

***

Um desafio para o jornalismo: descobrir a Amazônia no mundo

[Segue-se a entrevista que o Diário do Pará não quis publicar.]

Como você avalia o papel do jornalismo hoje no Brasil?

L.F.P.– Num mundo no qual as informações são abundantes, contínuas e até ininterruptas, chegando ao cidadão por muitas vias, o jornalismo continua a ter uma importância vital. Ele deve assumir o compromisso de que apurará as informações essenciais para definir a pauta do dia (que é também a agenda da história), checando cada uma dessas informações com sua competência específica. Só o jornalismo profissional tem fontes estabelecidas em todas as instâncias da sociedade. Como os fatos têm origem em pessoas, o jornalista pode confirmar a veracidade da informação antes de se preocupar em contextualizá-la, mostrando para o seu leitor o que ela representa. E separando o boato e mesmo a dedução empírica da realidade.

E na Amazônia, mais especificamente no Pará, esse papel se difere?

L.F.P.– Difere. A Amazônia é uma região de fronteira submetida a um processo colonial. Significa que sofre mudanças constantes, profundas e, às vezes, súbitas. Mudanças que são promovidas principalmente pelos colonizadores. Sendo eles agentes externos, relacionados a uma realidade mais ampla e complexa, ao decidir atuar na região buscam resultados de grande porte e de efeitos imediatos e intensos.

É o que caracteriza o “grande projeto”. Um grande projeto, como a hidrelétrica de Tucuruí, por exemplo, fez o Pará saltar do zero energético para a condição de 5º maior produtor nacional. O jornalismo comprometido com a realidade tem que se manter muito atento para perceber o surgimento dessas iniciativas, acompanhar sua maturação e relatar o que elas representam para o cidadão, fazendo com que ele inclua esse tema na sua agenda. Cumprir essa missão exige grande qualificação, capacidade de deslocamento e atualização às questões mundiais, já que é o do centro do mundo que foram tomadas várias das decisões mais relevantes da Amazônia nos últimos tempos.

Você acredita que a imprensa ainda seja um porta-voz da comunidade, que anseia melhores condições de vida?

L.F.P.– Primeiro precisa verificar, com senso autocrítico honesto e rigoroso, se realmente está sendo esse porta-voz. Se não é, deve corrigir sua diretriz editorial. Para isso, precisa ir ao povo, ouvi-lo, dialogar com ele, trazê-lo para o debate, torná-lo personagem, dar-lhe a prioridade que lhe é devida. Afinal, é o ponto de partida e o ponto de chegada do jornalismo.

O que você acredita ser uma boa prática de jornalismo?

L.F.P.– Ter os fatos como o centro, o vértice da sua atividade. Jamais deixar de publicar os fatos relevantes que identifica. Encontrar um jeito de registrá-los, mesmo que isso acarrete certos riscos, inclusive comerciais e políticos. Se houve um acontecimento importante num dia e ele não apareceu na imprensa, não será o fato que estará ameçado de desaparecer, mas a imprensa.

De que forma esse bom jornalismo ocorre no Pará?

L.F.P.– Ocorre quando o jornalista vai atrás do fato, onde quer que ele aconteça (e os mais importantes acontecem longe da sede dos órgãos da imprensa), e da explicação onde for possível encontrá-la. Se ocorre um conflito em Tucuruí, a empresa jornalística tem que despachar logo os seus enviados especiais. E se a explicação para determinados fatos se acha em algum lugar do mundo, é preciso ir buscá-la. Nem que através da internet. Ser imediato e suficiente, é ao atender esses requisitos que se faz o melhor jornalismo.

Você acredita que atualmente é feito um(a) estudo/pesquisa mais aprofundado(a) do jornalismo na Amazônia?

L.F.P.– Felizmente já há vários trabalhos acadêmicos a respeito. É preciso impor a ótica científica sobre a produção da imprensa. Mas sem perder o referencial primário, o conhecimento da realidade. A crítica à distância não é suficiente.

E na prática? No que você acredita que o jornalismo tenha evoluído ao longo dos anos?

L.F.P.– Tecnicamente, sim. Também no potencial de recursos que oferece. Mas sinto que falta a qualificação pessoal. E uma dose mínima de amor à profissão. O jornalismo está entre aquelas profissões com um alto componente vocacional. Ou que exigem paixão e dedicação especiais. O jornalismo como ofício e prazer. O prazer de exercer esse ofício. Acho que é o que mais falta. Também maior contato pessoal do jornalista.

O que você acha que falta no jornalismo do Pará? O que é preciso melhorar?

L.F.P.– As empresas precisam se convencer que o bom jornalista não se forma na redação, ligado a um telefone ou à internet. Ele precisa ir à rua e viajar, quando há um acontecimento importante fora da sede. Precisa formar fontes em contato direto. Necessita da experiência que só uma viagem como enviado especial possibilita. Precisa dispor de documentos e livros. Tudo isso só é possível com investimento. Informação não é gratuita, apesar da ilusão do mundo virtual. E boa informação é cara.

E em relação ao sindicato? Você acha que ele cumpre o seu papel? De que forma o sindicato pode ajudar na atuação da área?

L.F.P.– O sindicato não pode ser apenas uma entidade corporativa e profissional, embora nem sempre consiga sequer desempenhar essa tarefa. Precisa acompanhar o trabalho dos seus associados, suprir-lhe as necessidades e deficiências, trazê-lo para a atividade sindical, motivá-lo para a militância na causa da imprensa, da liberdade, da crítica, da diversidade de opiniões. E se tornar uma referência nessas matérias para toda a sociedade.

***

[Lúcio Flávio Pinto é jornalista e editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)]

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