Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

O ministro fardado

Por Paulo Motta em 19/01/2010 na edição 573

Escrevo ao Observatório pois não vi em qualquer órgão da imprensa uma crítica ao fato do ministro da Defesa insistir em usar uniforme militar. Na minha opinião existem aí dois erros:

1. O uso do mesmo é exclusivo do militares, conforme a lei.

2. Não sendo o motivo anterior suficiente é preciso lembrar o motivo da pasta da Defesa ser ocupada por um civil; ela representa o poder do povo sobre as Forças. Usando uniforme, o ministro passa, na minha opinião, uma idéia de inferioridade, algo como pedindo desculpas por ser civil ou querer ser um igual.

O fato ‘passa batido’ ou parece ter menor importância para a mídia, mas como cidadão isto me ofende e não vejo na imprensa sequer uma nota sobre o fato. Só para registro, sou um civil, alistado na Marinha aos 18 anos como manda a lei, dispensado na terceira categoria.

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Parte da imprensa, ao tentar ridicularizar o presidente Lula, promove o contrário. Quem do povo nunca carregou uma caixa de isopor na cabeça, ainda mais na praia? O povo se vê na foto em que o presidente carrega uma caixa de isopor na cabeça. Nunca antes na história desse país o povo esteve tão bem representado. Por isso ‘o cara’ só tem 80% de aprovação. Quem não recorda a imagem do presidente abaixando-se para pegar os óculos do FHC no momento da passagem da faixa presidencial? Foi a primeira demonstração espontânea de simplicidade do presidente Lula. Dizem que a primeira imagem é a que fica. (Gerson Carneiro, técnico judiciário, Campinas, SP)

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A discussão sobre o PNDH acabou virando um bate-boca improdutivo em que cada parte sustenta sua opinião na imprensa e na internet de maneira irracional. Penso que chegou a hora de organizar o debate. Mas para fazer isto algumas premissas precisam ser aceitas. É preciso fazer uma distinção entre política e opinião pessoal. A opinião pessoal sempre depende de uma preferência pessoal. A política, por sua vez, depende da necessidade pública, da possibilidade econômica e da oportunidade social e cultural. Política e opinião pessoal são coisas diferentes que tem diferentes conseqüências. As opiniões pessoais nunca são negociáveis. As políticas sempre são.

Os militares (e as vozes da direita na mídia) são contra a punição dos torturadores: O que eles têm para dar à população em troca da impunidade de seus amigos torturadores? O que eles querem para sacrificar os algozes dos dissidentes durante a ditadura? As vítimas, os parentes das vítimas, os militantes de esquerda (e suas vozes na imprensa) são a favor da punição dos torturadores: O que eles podem oferecer aos militares para obter o que desejam? O que a população ganha em troca por apoiá-los contra os militares? A solução deste impasse não depende da opinião do ministro Jobim, nem da opinião do próprio presidente Lula (que disse que o PNDH não pretende acarretar uma caça as bruxas). A punição ou não dos torturadores é uma política. Vamos fazer política? Eu ofereço o que for necessário para ver alguns militares enjaulados por seus crimes. E vocês? (Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado, Osasco, SP)

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Analista de sistemas, Niterói, RJ

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