Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

FEITOS & DESFEITAS > COBERTURA INTERNACIONAL

O míssil do Irã

Por Fernando Dias Campos Neto em 17/08/2004 na edição 290

Ontem, ao chegar em casa, liguei a TV na Globo News, Jornal das 10 , às 22h. Mas permanecia fazendo uma coisa ou outra, de modo que parei surpreendido diante de uma a notícia que acompanhei até o fim.

Tratava do ‘Meteroro’ – talvez uma alusão à Caaba –, um míssil de grande porte que o Irã lançava experimentalmente. A telinha mostrou as imagens e acrescentou as advertências que o país fazia a Israel, caso o atacasse. Algo como martelá-lo muito.

Naturalmente, fiquei esperando mais notícias nos jornais de hoje e – nada! É que o míssil mostrado na reportagem parecia grande o suficiente para determinar duas perguntas:

1) Ele pode transportar ogivas nucleares?

2) Só até Israel ou até a Europa?

Fica-se sem saber! Mas pensemos um pouco, nós que como todos os bons cidadãos queremos a paz no mundo.

Isaac e Ismael

Com a possível adesão do Irã ao clube atômico, do qual Israel já faria parte, aquela região do petróleo adquire uma identidade racial, semita. Em outras palavras, o que Kruschev percebeu em relação à Guerra Fria: tem de haver coexistência pacífica (não sei se posso dizer ‘guerra de posição’ gramsciana), em vez de conflitos atômicos sem vencedores.

Então, o fundamentalismo islâmico teria que ceder lugar a outras prioridades históricas. A religião conduziria ao extermínio de todos os religiosos! O fundamentalismo islâmico pregaria o genocídio radical de seus melhores fiéis. A destruição total de seus lugares santos. O meteoro destrói o Meteoro!

Se visto pelo lado racial, os habitantes daquela região de povos semitas e irmãos poderiam se unir em torno da ambição que os cerca devido às jazidas de petróleo. O Ocidente teria que negociar com ‘um mercado comum’ que congregasse Israel, Irã e os outros povos árabes.

Obviamente, há algo aí de uma velha aficção pelo Estado, mas que é marxista, no sentido de que não podemos queimar etapas como o capitalismo e o socialismo. Os Estados-Nação da região, em uso de NBQ [armas nucleares, biológicas e químicas], num instável equilíbrio armado, passariam a negociar a sua soberania e o seu desenvolvimento social – juntos!

E só o capitalista desumano, que visasse apenas a majoração de lucros no terreno do petróleo, das armas e das drogas, é que poderia querer intrigar Isaac e Ismael…

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