Sábado, 23 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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FEITOS & DESFEITAS >

O ovo da intolerância

Por Paulo Bento Bandarra em 23/02/2009 na edição 526

Muitas vezes o ovo da serpente foi utilizado como metáfora para exprimir a constatação de um mal em processo de elaboração, em incubação. Nele, no ovo da serpente, no seu desenvolvimento, pode-se acompanhar a lenta e inexorável evolução do monstro que está se criando. Nos fins de 1977, o genial Ingmar Bergman, apresentou o filme O Ovo da Serpente demonstrando o surgimento do nazismo. O ovo parte da criação de algo que será supostamente bom, mas que na realidade vem a se transformar numa realidade perversa.

O papa Bento 16 lembrou o diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1350-1425) e um erudito persa, no qual o líder dizia que ‘Maomé não tinha trazido nada novo, exceto a ordem de estender a fé pela espada’, o que pôs em pé de guerra o mundo muçulmano. O bispo de Regensburg disse que essa aula magna ‘marcou um momento mágico na história universitária não só alemã’ e que na mesma o papa ressaltou mais uma vez a ‘íntima conexão entre fé e razão’. Será?

A cruzada anti-otomana sob a liderança do rei da Hungria Segismundo (1368-1437) fracassou na batalha de Nicópolis, em 25 de setembro de 1396. O herdeiro da coroa da Boêmia, imperador do Sacro Império Romano, tentou derrotar a revolução dos oprimidos, inspirados no padre Jean Huss pela força, mas os hussitas derrotaram as suas cinco cruzadas consecutivas nos anos de 1420-1431. O imperador bizantino Manuel II Paleólogo, ungido de Deus, assiste o fim se aproximar no Império Romano do Oriente. O reinado de Constantino XI Paleólogo representa a agonia do império bizantino, que ocorre em 1453 frente aos infiéis, mas fiéis a outro Deus, a Alá.

Do candomblé aos ortodoxos

Então vemos que a fé é uma força de intolerância importante no mundo, e o papel da imprensa deveria ser o de analisá-la de maneira racional e não repetir a fé. Mas não é o que ela faz. No islã ou em países totalitários não existe esta liberdade. Não existem garantias de liberdade e de imprensa livre. O risco de ser punido pelos governantes que vivem no poder destas ‘verdades’ não permite. E o nosso silêncio no Ocidente permite que a irracionalidade religiosa venha a tomar lugar da razão, da ciência e da tolerância. Veja-se aqui no OI o deitar e rolar dos criacionistas desinformando os leitores, trazendo a questão científica para o lado da fé. E fé sempre é irracional. Senão, não seria fé. Seria evidência. As pessoas não têm fé que se cai de uma janela ou que a tuberculose é produzida por uma micobactéria. Seja qual for a religião, a raça ou país!

Assim, alegar que as forças da natureza impessoais sejam uma questão de crença para igualar a fé em deuses é absurdo, como defende teólogo Douglas Reis, de Joinville-SC, nos comentários do artigo no OI (nº 525 – 17/2/2009) da jornalista Ágatha Lemos, assessora de imprensa da Educação Adventista para a região sul de São Paulo: MÍDIA & CRIACIONISMO Rivalidade ou mal entendido?

A médica Dayse do Valle Oliveira , de Cuiabá, MT – do :Comitê Executivo da ‘União Centro Oeste Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia’ desafia que ‘Para uma discussão verdadeiramente científica, seria necessário abordar o primeiro componente de cada modelo’ no artigo do jornalista adventista Michelson Borges faz no seu proselitismo no OI: Endeusando Darwin em clima de guerra. Devemos, portanto, obrigatoriamente, aceitar o desafio e analisar as afirmações que sustentam esta fé de um terço da humanidade para ver se existe racionalidade nela. Pois dela que partem afirmações na mídia, tomam conta do ensino, compram rádios e televisões, constroem templos e igrejas a cada esquina cobrando dos mais pobres seus parcos recursos, tudo alegando estas verdades divergentes e indigestas entre si. Até porque cristão é hoje em dia um conceito muito vago. Desde quem considera Jesus um homem comum até quem o defenda como Deus encarnado vivo. Está presente do candomblé até nos ortodoxos cristãos.

Papa diz que fé é racional

A alegação de homens que se tornaram deuses está cheia na história e na mitologia religiosa grega, egípcia, oriental. Asclépio ou Esculápio. Deus solar e da saúde, Aquiles, Deus da Coragem e da Bravura; Imuthes (Imhotep em egípcio) hoje ninguém mais lhes dão este título. Viracocha (criador de tudo), Quetzalcoatl, o Inca, o Faraó… Assim, crer em que Jesus do mito foi Deus faz parte das possibilidades das pessoas simples em se enganarem e serem enganadas por pregação, textos e imagens criadas com este fim. A cristandade não inovou isto, a não ser negando o judaísmo. Assim com as crenças em deuses que foram descartados com o tempo e melhor reflexão. O que mostra que não são imortais e nem que os sentimentos sejam bons conselheiros da verdade.

Assim, este homem que nada deixou escrito e sabemos apenas por seus propagandistas não mostrou dotes superiores. Podia menos do que o mito de Moisés. Fez muito menos e durou pouco tempo para um profeta do antigo testamento. Que, por sinal, nem sabemos de que forma foi escrito, pois não existem provas de que Matheus, Lucas, Marcos e João realmente escreveram os chamados evangelhos sinóticos, e assim mesmo foram escritos décadas depois de ocorrido os fatos. Fácil de inventar vaticínios, profecias de ocorrências anteriores do escrito. Nada de novo na história do ilusionismo. E aqueles textos que desagradaram o catolicismo foram destruídos definitivamente. O ensaio do futuro Index Librorum Prohibitorum (‘Índice dos Livros Proibidos’) anunciando o que seriam os milênios seguintes realizados pelos primeiros cristãos. A censura da cultura pelos sacerdotes. Alega, estes relatos fantásticos, que ele seria o messias prometido por Deus ao povo judeu, aquele Deus que os tiraram da escravidão do Egito e ordenara a não adorarem outro Deus. Interessante que os senhores das leis, a quem Deus confiara cuidar da tradição, da Arca da Aliança, de cuidar do Templo que mandara erguer e o manter pelo povo escolhido unido foi desprezado pelo messias dos judeus que se juntou com doze pessoas sem importância. Aqueles que Deus ‘revelara’ por 3 500 anos não reconheceram aquele que viria recolocar a casa de Davi novamente no poder terreno, restaurar o pode de Israel na Terra Santa, visto jamais ter prometido a vida eterna. Apenas pelos que não conheciam as escrituras foi aceito como sendo Ele. Os gentios que viram nele o messias de Israel jamais prometido para eles. E o papa Bento XVI afirma que a fé é racional.

O pavor da morte eterna

E a profecia não se realiza. Os judeus realmente não voltaram ao poder, perderam a terra prometida, foram exclusos e o templo orientado por Deus para ser construído foi demolido. Algo muito estranho para um mensageiro prometido por milhares de anos.

Inicia o cristianismo agora sendo aceito pelos gentios. Os góis. Aqueles que não eram o povo de Deus. Aqueles para o qual nunca tinham sido reveladas as palavras de Deus e nem sabiam reconhecer as escrituras. Como, por exemplo, os egípcios, os babilônios, assírios, gregos e os romanos. Todos aqueles que haviam escravizado os judeus ou dominado a terra prometida. Depois de três mil anos do pacto com Abraão, Deus escolheu os que ele nunca se manifestou ou tentou converter. Justamente os novos perseguidores do povo de Deus. Os cristãos e o Império Romano que nunca tinham tomado conhecimento das escrituras, pois não eram escolhidos, nem semitas e nem judeus. Estes acharam que Ele era mesmo Deus ou seu enviado. Verdade que foi estabelecida pela morte dos divergentes. Não pela razão, ao contrário do que afirmam os religiosos.

A verdade da divindade e do seu caráter de messias seria a sua tortura e crucificação. O messias fora prometida para redimir os judeus pelos seus pecados. Mas que pecados os gentios tinham que reparar se nunca tinham sido escolhidos e mostrado as tábuas da lei? Antes mesmo desprezado pelo mito bíblico. Não existe legitimidade nesta divida fantasiosa. Aqui novamente as coisas ficam incoerentes e sem sentido. Que dor um Deus sofre? Que dor um filho de Deus não é capaz de suportar sabendo que a noite estará com o Pai sentado ao seu lado? Que sabe que nada poderá atingi-lo de verdade? Os seus companheiros na Cruz nada tinham para mitigar a dor apavorados com a morte eterna. Mas Jesus sempre soube, no mito, do seu destino e da sua imortalidade como ‘sabem’ os homens bomba do islã que caminham para a morte destemidos. Que sofrimento foi este então? O alegado e primitivo ato sanguinário de matar pessoas e cordeiros para deuses que Deus mesmo realizou para si? Este é o Deus da criação do Universo? Isto que é a racionalidade da fé?

Terra de Deus passou para Roma

Pessoas normais, mortais, antes e depois, aceitaram o sacrifício e a tortura sem mais nada terem para se agarrar do que a sua coragem. Nada de extraordinário pela razão e pela psiquiatria. Vemos até hoje pessoas aceitarem ser crucificadas e se autoflagelar gravemente em várias religiões. Até mesmo católicos praticaram e cultuaram a autoflagelação. Nada, portanto, que podemos racionalmente atribuir um ato só possível a um Deus. Psicanalítico demais.

Mais grave ainda. Jesus teria praticado blasfêmia e heresia na vista do povo de Deus. E, por isto, foi condenado a morte. Não se defendeu e ainda afirmou que ele era o ‘rei’ dos judeus. Coisa que nunca foi nem antes e nem depois, até hoje. Mas por menos motivos os seguidores de Jesus submeterem milhares e milhares a torturas muito piores, por mais tempo, com mais crueldade, apenas por divergirem uma vírgula do estabelecido. Quem submeteu inocentes ao sofrimento e injustiças maiores em nome de Deus? Que Deus é este que não sabe escolher o seu povo? Um Cristo que nunca perdeu um filho para ver a dor verdadeira, inconsolável, incurável. Que nunca perdeu a mulher amada. Que nunca padeceu ao lado de um leito de um filho tendo o cérebro inexoravelmente comido pela tuberculose, pela lepra, pela meningite? E isto é a prova da bondade de Deus que protegeria quem seguisse a sua palavra? Quem humano não sofreria por seu filho? Para trazê-lo de volta? Que livre arbítrio possui o homem na ignorância do que lhe aflige, que aflige os seus? Muitos, como fez Tiradentes, o fazem por uma causa.

As determinações de Deus deixaram de ser seguidas pelos cristãos. Afinal, para quem não fora libertado do Egito pela intervenção de Deus, que jogara 10 pragas (matar os primogênitos) nos gentios, que abrira o Mar Vermelho afogando-os, que mandara fazer um genocídio com os cananeus para tomar as suas terras, não fazia sentido comemorar mais este ato de intervenção d´Ele. Passaram a comemorar a morte de Deus! Deus mandara guardar o sábado, os cristãos guardam o domingo. Mandou não matar, foi o que passaram a fazer com os divergentes. Ordenou não construir imagens, o cristianismo encheu seus templos e suas roupas delas. A palavra de Deus não mais se escrevia em hebraico, mas em latim clássico, mantido por séculos fora do entendimento das pessoas comuns até a reforma no continente e Henrique oitavo na Inglaterra. A terra de Deus era Israel, passou a ser a cidade de Roma. Os guardiões das leis deixaram de ser semitas para serem italianos.

Crê ou morre

Paulo de Tarso, Santo Agostinho e Thomas de Aquino institucionalizaram a escravidão e a servidão humana, a intolerância de crença e a supressão da idéia de cidadania greco-romana, inspirados por Deus. Povos foram escravizados, culturas destruídas numa orquestração demoníaca de lesa humanidade. A sociedade padeceu de um fixismo de classes sociais milenar. (Como foi o efeito das outras religiões). Os ideais de liberdade, de cidadania, de democracia só viriam a ser redescobertos contra o cristianismo pela revolução americana inspirada no iluminismo desafiador, que faz a difusão dos valores greco-romanos précristãos, na maçonaria. Uma revolução de peregrinos e puritanos fugidos da Europa que viam na liberdade um bem maior do que a fé. A explosão anticlerical e ateia da revolução francesa que modificou as relações humanas na base da igualdade, fraternidade e humanidade até então negadas pelo cristianismo. A pregação da liberdade feminina pela igualdade. A partir dela que os povos se libertam, melhoram de vida, perseguem os ideais democráticos contra os senhores da Terra ungidos pelo Senhor do céu pelo clero para reinarem sobre os servos começam a ter fim. O retorno às idéias de liberdade, tolerância e cidadania dos Gregos e Romanos sufocado e banido pelo cristianismo. Ideais suprimidos pelo bem maior, a servidão a Deus e a anulação do ser humano por ele pelo pecado inventado pelos judeus para judeus. Pela recompensa futura pagava a pena sofrer e ser humilhado. Só hoje, passados dois mil anos, se prega a volta do ecumenismo, de um novo panteão romano destruído pelos cristãos. Dois mil anos perdidos pela intolerância do monoteísmo bíblico.

Dizem os defensores do cristianismo que isto foram erros de homens, Como se o seu alegado Deus não tem a propriedade de conhecer, de saber o futuro, de fazer escolhas certas por esta faculdade. No entanto, escolheu pela segunda vez o povo errado, não conseguiu, vindo pessoalmente, se fazer entender e ser acreditado. Assim como Moisés, que acabara de passar trinta dias conversando com Ele, ao descer do Monte Sinai, o primeiro ato que pratica é jogar ao chão as Suas ordens. Contrariando o mandamento de Deus, mata milhares de judeus que foram induzidos pelo seu irmão Aarão, a adorarem o bezerro de ouro. (Por que um homem de fé não esperou que Deus o fizesse?) Assim os novos escolhidos cristão passam a abater os seus adversários impiedosamente. Não conseguindo se comunicar, por um defeito de Deus, envia novo emissário, Maomé, agora, novamente um homem apenas inspirado como Abraão e Moisés, para fazer tudo diferente, com um novo livro. A única coisa igual é o crê ou morre.

Evangelização escravizante

Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos.

Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.

E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram. Levantando-se, os moços cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram.

E, passando um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que havia acontecido. E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti.

E logo caiu aos seus pés e expirou. E, entrando os moços, acharam-na morta e a sepultaram junto de seu marido.

E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas.

Este é Pedro, o primeiro papa, que alega que Cristo iria erguer a Igreja sobre esta pedra. Que elegera os humildes. Deus não mata por dinheiro, mas Pedro não vacila e mata o casal. Este é o alegado escolhido de Deus? Ou mentiu? E usou o seu Santo Nome em vão para ameaçar os incautos? Ou usou a mentira para assustar os ingênuos para darem o que não tinham pelo medo do castigo? Em qualquer das hipóteses Pedro é dantesco. É o ovo colocado.

Tomás de Aquino, na Suma Teológica, no sub-título Part II.2, Question 64, Article 4 intitulado: Whether it is lawful for clerics to kill evil-doers? (Se é válido para clérigos matarem pecadores?) (edição em inglês) mostra que houve, sim, um crime bárbaro. Assim que assumem o poder do império pelas mãos de Constantino ao usar como símbolo as letras gregas XP (Chi-Rho, as primeiras duas letras de Χριστός, “Cristo”) entrelaηadas com uma cruz apareceram-lhe enfeitando o sol, juntamente com a inscrição ‘In Hoc Signo Vinces‘ – latim para ‘Sob este signo vencerás’, passam a perseguir de forma oficial os demais cristãos, pagãos, judeus, o conhecimento e as bibliotecas. Mas não é justamente o que faz culminando com a Santa Inquisição por mil anos? Sistematicamente perseguir, torturar e matar pecadores na sua visão fanatizada? Mas a escravidão, a servidão se mantém institucionalizada neste tempo. Povos são conquistados, destruídos, escravizados em nome da conversão a palavra de Deus. A evangelização escravizante.

Pedofilia dentro da igreja

Interessante que todas as tentativas das cruzadas para reconquistar a Terra Santa, usando o símbolo alegado de dar a vitória a Constantino, para recriar o reino de Deus na Terra, falharam. Os cristãos falharam em cumprir a profecia como o novo povo escolhido. Rapidamente este novo símbolo levou a queda do Império Romano do Ocidente ao se cristianizar e usá-lo na Europa. Eduardo I da Inglaterra, católico e Cruzado, impôs um novo sistema de impostos aos usurários judeus, o que deixou muitos deles na bancarrota. Quando não puderam mais contribuir, Eduardo acusou-os de falta de lealdade ao estado e passou a persegui-los. Cerca de 300 chefes de família foram assassinados na Torre de Londres e muitos mais no resto de país. Em 1290, Eduardo expulsou os últimos judeus de Inglaterra. Sir William Wallace (1276-1305) o Coração Valente, teve a mulher amada assassinada pelos homens de Eduardo. Foi enforcado até ficar quase inconsciente, e então, reanimado e amarrado a uma mesa, estripado, e suas entranhas queimadas, ainda presas a ele vivo. Provavelmente foi também castrado e, então, finalmente, foi libertado do seu sofrimento inimaginável, pela decapitação. Seu corpo foi esquartejado, e os pedaços, enviados para Newcastle-upon-Tyne, Berwick, Perth e Stirling. Sua cabeça foi colocada em um pique na Ponte de Londres, de modo que todos a vissem, como advertência para outros possíveis traidores.

Passado dois mil anos os judeus, por liderança de Ben Gurion, voltam para a terra prometida. E a recém os cristão aceitam o ecumenismo que existia no Império Romano e na Grécia e destruído por eles de imediato.

Fiodor Mikhailovich Dostoievski escreveu que ‘se Deus não existe, então tudo é permitido’, na sua obra Os Irmãos Karamázov, uma idéia já pensada em John Locke, no ‘Ensaio sobre a Tolerância’, 1689. Uma falsa alegação desmascarado nos países comunistas adeptos do ateísmo e nos estados democráticos. Não existe evidência de que nestes países existam maiores crimes, menos solidariedade humana, menos humanismo. Os ideais da Revolução Francesa foram inspirados no ateísmo: ‘Liberté, Egalité, Fraternité’ (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). No entanto a fé não deteve a pedofilia dentro da igreja.

Educação alienante

Se deuses não existiam, não haveria recompensa pela servidão, humilhação, sofrimento. Não haveria punição para quem não pagasse o dízimo. Reis e imperadores impostos pela religião não teriam direitos divinos, como vendidos pelo clero por milhares de anos. A grande mentira (mais uma). As religiões, na verdade, cristalizaram as relações humanas entre senhores, como o Senhor Deus, e a servidão dos vassalos e serviçais, tanto no judaísmo, como no cristianismo, islamismo, hinduísmo e budismo. O budismo no feudalismo chinês, tibetano ou japonês.

O que caracteriza o Torá, um livro escrito por judeus como um manual para ser judeu, mitológico, fantástico, misturando história deste povo com mitologia. Mas que causou profunda inveja nos cristãos. Pensarem que não seriam escolhidos.

Podem homens dominado pela mentira lutar pela liberdade? Pode pessoas criadas desde crianças dentro da mentira como se fosse verdade virem a se libertarem dela algum dia? Como podemos permitir, em nome da liberdade dos pais, entregar crianças do futuro do país cultivar crenças intolerantes, falsas, obscurantistas?

Não é racional analisar a liberdade, a sociedade, a ciência a luz das religiões e por religiosos, mas é possível analisar cientificamente a religião a luz da ciência. Como pode se analisar a religião a luz de suas próprias afirmações e fontes humanas.

O procurador de Justiça do RS Gilberto Thums aciona as práticas do MST consideradas abusivas pelo Ministério Público Estadual. Partiu dele, em 2007, a proposta de declarar a ilegalidade do movimento, devido à constatação de que fere princípios democráticos. O MST contrata os professores que tenham alinhamento ideológico para ensinar teorias marxistas unilaterais. O Estado não tem nenhum controle sobre o conteúdo programático, então essas escolas fazem uma lavagem cerebral para passar teorias marxistas. Os estudantes recebem uma educação alienante. São células que vão alienando as crianças. É uma maldade o que se faz. Se um adulto opta por ser radical de esquerda, não tem problema. Mas não se deve condicionar uma criança a isso. Não acho que o povo queira que seus tributos sirvam para aumentar os conflitos no futuro. Temos de orientar as crianças sobre a possibilidade de se integrarem ao mundo que está aí, ao mundo produtivo. O MST quer implantar uma sociedade socialista, disse o mesmo.

Ampliar a liberdade efêmera

Assim deve se entender o ensino religioso dentro da sociedade. Um alimentar de fanatismo, de ódios, e intolerância para voltarmos a uma sociedade medieval dominada pela fé e pelo irracional. Pelos donos da verdade. A alegação que a religião faz bem as pessoas nega a história da humanidade e das religiões. O que assistimos hoje em dia no mundo é justamente o retorno da intolerância e do fanatismo religioso por esta falha da educação nos países e da mídia omissa e beata. A luta dos criacionista no Brasil e no OI tem este objetivo de fazer preponderar a visão de Deus cristão na ciência e na mente das pessoas para melhor serem dominadas. Este é o fundamento de compararem Darwin com Deus e a ciência como uma religião. Para assustá-las como Pedro fez com Ananias e Safira. Provocar medo que a ciência pode fazer aos crentes, o que as religiões fazem. Para acusar a Igreja Católica e o Papa de ser a Besta e criar a ojeriza ao diferente. A paranóia do diabo, do maligno oculto. O ovo em incubação.

‘Liberdade é a melhor de todas as coisas a ser conquistada, a verdade, lhe digo então: nunca viva com os grilhões da escravidão’ (Sir William Wallace).

‘Proteger, preservar e, onde for possível, ampliar a liberdade efêmera e limitada do indivíduo face à ameaça crescente a essa liberdade, é uma tarefa muito mais urgente que sua negação abstrata, ou o pôr em perigo essa liberdade com ações que não tem esperança de sucesso’ Max Horkheimer (1895-1973).

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Médico, Porto Alegre, RS

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