Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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O ovo da serpente

Por Norma Couri em 25/09/2018 na edição 1006

“Os Invisíveis” (Claus Räfle) contando os horrores da Segunda Guerra, as perseguições e violências do 3º Reich, estréia no Brasil dois dias antes das eleições, e não por acaso.

O excelente “docudrama” alemão nos remete a um quadro de totalitarismo que estamos prestes a vivenciar e que já assusta muita gente. Miguel Lago, na piauí deste mês, mostra como o apoio a Hitler de um político, membro da aristocracia alemã, Franz von Papen, permitiu que os nazistas obtivessem do presidente, Paul von Hindeburg, a nomeação de ditador como chanceler. “O resultado foi desastroso”

O título do artigo é “Paulo Guedes Contra o Liberalismo” e mostra como a onda de ódio chega ao poder. “É preciso ter zero entendimento de política para acreditar que um político que defende a ditadura militar, a violência de Estado, que menospreza a liberdade, terá qualquer condição política para distribuir poder e direitos.”

E aponta o ovo da serpente. “O apoio de Paulo Guedes — economista e empresário — a Bolsonaro é muito grave , pois ele naturaliza a barbárie, travestindo-a de civilização e tornando-a uma opção entre outras. Sem Guedes, Bolsonaro representaria apenas aquilo que ele é: o horror, o ódio e a loucura em seu estado mais puro. Seria apenas uma versão menos religiosa do Cabo Daciolo. Sem Guedes, Bolsonaro seria apenas uma onda, que como toda onda de ódio é passageira”.

Os brasileiros terão dois dias para assistir os horrores d’”Os Invisíveis” e os traumas dos 1700 sobreviventes em Berlim depois que o ministro da propaganda Joseph Goebbels declarou a capital “livre de judeus”. Tempo suficiente para compreender o espectro do populismo nacionalista que ronda o mundo inteiro impulsionado por discursos de ódio. E refletir.

PS: É bom lembrar como Bolsonaro agrediu aos berros uma repórter, chamando-a de idiota e analfabeta. O general Newton Cruz , então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações) entre 1977 e 1983, também costumava fazer isso com as câmeras de TV registravam nos anos da ditadura.

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Norma Couri é jornalista.

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