Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

O papel do jornalista no mundo digital

Por Laércio Guidio em 20/07/2010 na edição 599


Várias palestras e painéis neste primeiro semestre de 2010 abordaram a nova ‘fórmula’ de se fazer jornalismo. O rumo das discussões é sempre o mesmo: os comunicadores sociais estão reinventando o formato de se comunicar, para se adequarem às novas tecnologias e satisfazerem as exigências do público.


Nada que seja uma grande revelação, pois o receptor passou a ser também um emissor de informação, o uso de redes sociais como Twitter, Orkut e Facebook fazem a notícia se propagar cada vez mais rápido e as fontes serem cada vez mais diversificadas.


Portanto, os jornalistas precisam indiscutivelmente aderir às novas formas de comunicação. Nunca o envolvimento entre as mídias foi tão requisitado. São muitas ferramentas existentes, mas mais que canais comunicadores é preciso muita criatividade, independente do meio de comunicação.


As palestras e painéis sobre a imprensa revelam algo que já faz parte do cotidiano dos espectadores e que deve expandir cada vez mais: o humor inteligente e textos mais literais, acompanhados de infografismos e ilustrações editoriais; o design tomou conta da comunicação não somente como complemento, mas também como ‘agente protagonista’ de informação.


O jornalismo está cada vez mais humanizado, artesanal e carente de profissionais que informam e conquistam; não basta noticiar, tem que satisfazer o público cada vez mais exigente.


Os bastidores dos fatos também são importantes, pois despertam a curiosidade e a vontade de saber mais sobre o que ocorreu, a notícia deve ganhar um desdobramento com muita atenção para o que antes era meramente descartado.


A internet é uma grande aliada do jornalismo, mas não podemos esquecer que é algo vivo, que se reinventa a cada dia; sendo assim, o jornalista também precisa se reinventar, reciclar, remodelar seus hábitos e enxergar além dos olhos do público, uma tarefa nada fácil se for pensar que a massa heterogênea tem visão plural, mas exigência bem singular: matérias bem elaboradas e com criatividade sem limite, desde o título até o último ponto final.


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Quando sintonizei na conversa de Viviane Mosé e Roberto Dávila no Canal Brasil, no domingo à noite [18/7], já ia no meio. Entretanto, o que pude assistir valeu como sensação feliz para idéias bem conduzidas e conversa tecida em conjecturas saudáveis, já que nas TVs de canal aberto chega a ser praticamente exceção um assunto tão fascinante: a filosofia. Ela é filósofa com penetração midiática,já fez parte de quadro fixo no Fantástico, consegue explanar os labirintos do pensamento humano com facilidade para quem é neófito nos ditames das questões investigativas do mundo da filosofia e suas histórias.


O bate-papo, correndo solto, foi tocante quando se referiu à educação no Brasil, chamando atenção para a baixa qualidade do ensino e a necessidade de transformação, muito além da reforma, segundo Viviane. Ela relembrou que o pensamento racionalista que impera na sociedade ocidental começou a ser organizado no século V antes de Cristo, preconizando um homem formatado à luz da concepção de que seu pensamento é superior ao seu corpo.


Exemplos como o de uma professora de crianças de uma escola que ela visitou no Espírito Santo, que se questionou por que ensinar sobre flores, desenhando no quadro e não visitando o jardim, foram usados por Viviane para mostrar o quanto a nossa formação se baseia na dissociação do racional diante da emoção. Pensar é valorizado muito mais do que sentir, segundo observação generalizada, mas o conteúdo maior da entrevista reside justamente no encontro de dois bons interlocutores, conseguindo passar suas impressões de viajantes do seu tempo, adentrando por caminhos de extrema reflexão e intensa interrogação.


No próximo domingo, dia 25, haverá o prosseguimento da entrevista. Vale conferir e interagir com idéias da filósofa antenada com o dia-a-dia da população, ao ser entrevistada por um profissional experiente na arte de questionar ‘cabeças pensantes’. Momento raro da comunicação televisiva nacional, pela oportunidade de nos afastar de notícias criminosas e assuntos tediosos que geralmente infestam a grade de transmissão em horário nobre.


Um encontro com Viviane Mosé, através do diálogo com Roberto, incluiu até uma boa ‘sacação’ sobre a sociedade brasileira, que é a da anti-segregação, o que ela sintetizou muito bem, com a esperança positiva de que o Brasil possa ainda exemplificar para o mundo o que é uma nação resultante de mistura racial, com sucesso, afinal.


Esperemos a continuidade da conversa afiada nas lâminas de boa dose de inteligência e sagacidade de entrevistada e entrevistador, para nossa condição de espectadores privilegiados, para compensar tanto ‘caso Bruno’, caso ‘Bispo’, etc e etc. (Maria Aparecida Torneros, jornalista, Rio de Janeiro, RJ)


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Creio ser importante o rechaço severo à RedeTV, que vem veiculando matéria periódica que se resume a uma moça arrotar no rosto de pessoas, preferencialmente famosas. A última tentativa foi com a atriz Laura Cardoso (!). Qual o próximo passo? Peidar na cara das pessoas? Fazer cocô nelas? (Igor Aragão Brilhante, servidor público Recife, PE)


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Agora que os três maiores acusados de terem matado Eliza Samudio se calaram, a polícia talvez resolva fazer seu papel: investigar e obter provas técnicas que elucidem este caso grotesco. A imprensa, por sua vez, terá tempo de rever suas posições sensacionalistas e de lançar um olhar mais crítico sobre tudo o que vem sendo publicado.


Há muito o que investigar e informar sobre este crime. Por exemplo: onde estão as imagens do sistema de segurança do condomínio onde Bruno morava ? Onde está a arma que o primo do Bruno afirma ter usado para dar uma ‘coronhada’ na cabeça de Eliza? Esta arma, se encontrada, foi disparada recentemente? Por que antes do ‘Bola’ ser preso, ambos os depoimentos (de Sérgio e do menor, primo do Bruno) o descreviam como ‘negro, magro e careca’ – nada parecido com o ex-policial? O GPS do carro de Bruno indica que a casa do Bola foi mesmo visitada? Quando? Por quanto tempo? Se os cães de Bola estraçalharam o corpo de Eliza, não deveriam ter deixado intactos os cabelos da vítima (um fio no canil seria prova suficiente)? E sangue no chão e fragmentos de ossos ou unhas ? Se o corpo de Eliza não foi concretado na casa de Bola, porque confiar tanto no depoimento do primo do Bruno, que sustentou isso até que a polícia mostrou ser esta uma hipótese falsa? Parece que sabemos muito pouco sobre este caso. (Frederico Pontes, engenheiro, Rio de Janeiro, RJ)

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