Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > MURDOCH NO WSJ

O peso da mão do dono

Por Giulio Sanmartini, de Belluno (Itália) em 18/12/2007 na edição 464

Tinha prometido não mexer em nada, não mudar nada, não revolucionar nada. Mas começou mudando tudo na diretoria, mudando de Londres para Nova York os seus homem de confiança, imagine-se o resto?

Rupert Murdocch o maior magnata mundial das comunicações, nomeou Robert Thompson, há cinco anos diretor do Times de Londres como novo publisher do Wall Street Journal – o diário que há pouco comprou, entre mil polêmicas, por 5 bilhões de dólares. Murdoch havia prometido não mudar um milímetro na independência da redação, para evitar um revolta interna e até a mudança dos planos de venda por parte da família Bancfrot, proprietária do título por mais de um século.

Como um bom jogador de xadrez, Murdoch não pensa somente num só movimento de cada vez. De fato, além da colocação de Thompson, proveu a mudança para os Estados Unidos como administrador-delegado da Dow Jones Company – sociedade que controla o Wall Street Journal – outro de seus mais fiéis auxiliares, Les Hinton, atual presidente da News Corporation, o conglomerado que controla seu império impresso e digital.

Divergências em família

No momento em que controla seu sonho de grandeza, o magnata de origem australiana que tem mais de 70 anos deixa antever sua retirada de cena. Nomeou seu segundo filho, James Murdoch, de 34 anos, até agora responsável da rede televisiva MSkyB, presidente da News Corporation para a Europa e para a Ásia, promoção que vale o cargo de seu herdeiro. No mundo da mídia, esse fato tem o efeito de um terremoto em que os abalos de assentamento se farão sentir ainda por muito tempo.

As primeiras duas decisões não são grandes surpresas, a terceira foi mais imprevista. Em teoria, não há nada de estranho em um filho substituir o pai, quando se trata do primogênito. Mas nesse contexto há um ‘furo’ de primeira página, na história de um rapazinho que entra num jornal como ‘foca’ e acaba, primeiro, tornando-se o diretor de um dos mais prestigiosos jornais em circulação no mundo, o glorioso Times de Londres, e depois diretor da ‘bíblia do capitalismo’, como é chamado o Wall Street Journal.

Inicialmente cético no que concerne à internet, Robert Thompson guiou com entusiasmo nos últimos anos o empurrão do Times e dos outros jornais ingleses de Murdoch para a edição online.

‘Furo’ também foi a ascensão de James Murdoch a braço direito do pai, uma espécie de telenovela familiar. Com sua fama de ‘cabeça quente’, mas diplomado em Harvard, James perecia destinado a uma posição secundária no império do pai. Mas, em 2005, seu irmão mais velho Lachlan, na época herdeiro aparente do grupo, saiu batendo a porta irritado pelas divergências com o pai e furioso pelo segundo casamento deste com uma mulher 40 anos mais jovem, a chinesa Wendi Deng, que lhe deu duas filhas.

[Texto de apoio: ‘Murdoch muda o Wall Street Journal‘, de Enrico Francesquini, la Repubblica, 8/12]

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