Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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FEITOS & DESFEITAS >

O prefeito contra o jornal

Por Leo Alves de Assis Junior em 02/09/2008 na edição 501

Sou advogado e presidente da Subseção da OAB em Nova Lima (MG). Estamos em período eleitoral no município, e o atual ocupante do cargo de Prefeito, concorrendo à reeleição, está utilizando da máquina pública para impedir a circulação de um jornal local chamado O Manifesto, que divulga fatos e documentos sobre a corrupção no município. Várias ações tramitam na justiça (mandados de segurança, ações populares, ações civis públicas etc) contra os atos do executivo municipal. Entretanto, o alcaide, além de cercear o direito à informação e o acesso aos documentos públicos de modo a amparar outras ações para impedir os absurdos que vem sendo praticados na prefeitura local, agora está tentando impedir que o jornal circule na cidade, usando pessoas que se identificam como policiais, de arma em punho, mas sem nenhuma ordem ou mandado judicial, na tentativa de apreender jornais e impedir a distribuição do jornal.

Até mesmo a Guarda Municipal está sendo usada para impedir a circulação do jornal. Um verdadeiro absurdo, atentatório contra a liberdade de imprensa e o direito de liberdade de expressão garantidos em nossa Constituição federal. Tal fato está sendo comunicado à OAB (seccional de Minas Gerais) e a outros órgãos de imprensa, de modo a resguardar e garantir a liberdade de imprensa em nosso país. Conto com a ajuda e contribuição deste orgão para coibir estes abusos e absurdos. ‘A liberdade de expressão é um direito humano inalienável e sua proteção, um elemento essencial para as sociedades democráticas.’

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Aos senhores responsáveis pelo site do Estadão. Ao procurar informação sobre a publicação da nomeação no Diário Oficial da União do reitor pró-tempore da Unifesp detectei um erro descomunal. A notícia publicada afirma: ‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o professor Carlos Alexandre Netto para o cargo de reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Médico e doutor em bioquímica, ele substitui na Unifesp o professor Ulysses Fagundes Neto. A nomeação do novo reitor e a exoneração de Fagundes Neto estão em despachos do presidente publicados na edição de hoje do Diário Oficial da União’.

Acontece que o referido professor Carlos Alexandre Netto não foi indicado para a Unifesp, mas para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul! Quem irá substituir o reitor da Unifesp é o psiquiatra Prof. Dr. Marcos Pacheco de Toledo Ferraz.

E não pára por aí – outros sites reproduzem o mesmo erro. Ao entrar com ‘Carlos Alexandre Netto + reitor’ no Google, a mesma notícia é reproduzida no Último Segundo, no BOL, na Band e por aí vai…

Preocupa-me que um meio de comunicação tão poderoso e de tamanha aceitabilidade publique notícias tão equivocadas como esta. Será que os leitores podem acreditar nas demais? (Maria Lucia Formigoni, docente da Unifesp)

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Desculpas bastam? No dia 18 de agosto, a Rede Globo exibiu no Jornal Nacional uma reportagem sobre uma lanchonete em Beirute que vende sanduíches com nomes de armas, pratos inspirados em atos terroristas e refeições embaladas com papel camuflado. A reportagem alegava que, durante as filmagens, os repórteres Marcos Losekann e Paulo Pimentel foram seqüestrados por integrantes do grupo terrorista Hezbollah, interrogados durante cinco horas e depois liberados. As imagens exibidas mostram claramente que o grupo de ‘seqüestradores’ estava todo em trajes ‘civis’ e não ostentava qualquer armamento. É óbvio que um grupo como o Hezbollah não precisa de armas em punho para intimidar ninguém. Apesar disso, para dar mais dramaticidade à cena, o repórter Marcos Losekann optou por usar imagens de arquivo com o suposto armamento utilizado pelo grupo terrorista. A ‘colagem’ ficou bizarra, pois a dita imagem era de um militar fardado, provavelmente um policial londrino. Qualquer leigo percebe logo a falcatrua. No sábado, dia 23, o mesmo jornal veiculou uma ‘errata’ em que se desculpa pela imagem não identificada, como se fosse um mero erro de edição, quando é óbvio que o que o jornalista tentou foi tornar a matéria mais dramática e com isso ganhar status de ‘correspondente de guerra’ ou entrar para a história do jornalismo brasileiro.

Acredito agora que uma matéria do mesmo jornalista, em que ele aparece gravando para o Jornal Nacional, no exato momento em que caiu uma bomba a poucos metros de onde ele estava, pode ser mais uma tentativa de torná-la mais ‘colorida’. Um mero pedido de desculpas pela emissora não é suficiente. Matérias desse ‘jornalista’, agora entre aspas, não têm mais credibilidade e comprometem também a imagem da Rede Globo, do Jornal Nacional e seus apresentadores, além de despertar a ira do grupo terrorista por divulgar informações falsas a seu respeito, colocando em risco a integridade de pessoas inocentes, funcionários da emissora ao redor do mundo. Estou exagerando na minha interpretação dos fatos ou o caso é realmente relevante? Gostaria de conhecer o posicionamento dos senhores a respeito do assunto através do Observatório da Imprensa. (Norberto Magalhães, advogado, Rio de Janeiro, RJ)

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A blindagem de José Serra pela imprensa em geral é algo fora do normal. As notícias negativas, quando aparecem, têm curso meteórico. Para não cansar, lembro de poucas: buraco do metrô, classificação de São Paulo no ENEM, Alstom… O PCC deixou de existir? A Band News mostrou que não; aliás, é uma situação mais grave que a do Rio. Em São Paulo, o PCC estabeleceu uma organização empresarial. E nada na imprensa gorda? (Gisele Sampaio, desempregada, Matias Barbosa, MG)

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A matéria da Folha (impressa e online) ‘Folha Online antecipa vitória em licitação de obra do metrô de São Paulo‘ é descabida e com propósitos políticos. Por que demônios um jornal iria dar um furo desse numa matéria cifrada? Por acaso a ditadura não acabou há mais de 20 anos? Não temos mais censura prévia que impediria o jornal de, se realmente tivesse a informação, publicar a informação. Na minha análise, há interesse político na jogada. A Folha deve ter alguma rixa com a Camargo Correa, ou rabo preso com alguma das perdedoras da licitação; fez esse texto ontem para se hoje o resultado previsto se confirmasse, dizer que já tinha a informação e, portanto, o resultado foi direcionado. Dessa forma a Folha se tranforma no objeto da notícia. Se eles realmente tivessem a informação, com certeza publicariam-na na capa de hoje, furando todos os jornais que só a publicariam amanhã, ou mesmo na home do site, furando, novamente, todos os outros portais de notícias. Quando eu acho que já vi tudo na imprensa brasileira, a Folha vem me surpreender … Uma lástima! (Thais Folego Gama, estudante de jornalismo, São Paulo – SP)

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Genial! Parabéns a Ricardo Feltrin e aos editores da Folha Online pela revelação antecipada de resultado de licitação para obras do metrô de São Paulo, por meio de um texto delicioso e original sobre a estréia na cidade da ópera Salomé, do alemão Richard Strauss. Essa ópera-bufa me lembrou a personagem Salomé vivido magistralmente anos atrás pelo Chico Anysio na TV, em que uma elegante senhora da sociedade gaúcha conversava ao telefone com o presidente da República, fazendo, com graça e ironia, criticas mordazes e sutis ao Planalto e a administração pública do Brasil na época.

Sabemos que Sebastião Camargo foi também o (ir)responsável pela construção de boa parte dos diques existentes na região do Pantanal, que vêm causando desvios fluviais que já provocaram danos irreversíveis a mais importante reserva ecológica das Américas. Desmatou um bocado e chegou até a importar árvores e plantas exóticas do exterior para replantar em suas propriedades, além de ter cometido o despautério de asfaltar, em pleno coração da planície inundável, uma considerável gleba para construir um aeroporto particular.

É assim, com este espírito cívico, ecológico, ético e principalmente autônomo, ‘laico’, independente do Estado, que tem se comportado as empreiteiras desse país há mais de 50 anos, período inaugural da implantação do modelo socioeconômico monocultural e modal do rodoviarismo compulsivo e corporativo em nosso espoliado Brasil. As causas e devastadoras conseqüências sabemos de cor… (Daniel Taubkin, músico)

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Gostaria da opinião do Observatório sobre a matéria ‘Elisabeth Fritzl nega exame e `dá golpe´ na acusação‘, na qual o o autor destaca a ‘preocupação’ dos médicos e autoridades com o assédio da imprensa aos adolescentes. A imprensa persegue? Vale tudo por um furo de reportagem? O que move realmente a imprensa? Dinheiro? (João Marcio da Silva, administrador de empresas, Rio de Janeiro, RJ)

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Advogado, presidente da 69ª Subseção da OAB-MG, Nova Lima, MG

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