Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > JORNALISMO & SOCIEDADE

O quarto poder das democracias

Por Francela Pinheiro Silva em 23/02/2010 na edição 578

Após oito meses da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) pela não obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalista, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) é o autor da PEC 33/09, que está pronta para ser incluída nas discussões do plenário, pela restituição da exigência do diploma!

Portanto, tratando-se de uma sociedade democrática, qual o verdadeiro papel do jornalismo?

O jornalismo é um poder livre e democrático de cunho social capaz de estabelecer canais entre o cidadão e os demais poderes, fiscalizando-os. Sendo assim, ao desempenhar o papel de ‘olho do povo’, o jornalismo cumpre sua missão dentro de uma sociedade democrática, fortalecendo-a. A partir desse preceito, o livre exercício do jornalismo torna-se uma cruz nos ombros dos governantes, pois dessa forma são fiscalizados com mais efetividade. Tal liberdade, portanto, defendida desde o iluminismo, oferece ao povo poder no que tange à conjuntura política de seu país.

Rosseau, um dos precursores do ideal político livre e democrático, defendeu a tese de que o poder soberano é o poder emanado do povo. Séculos depois, a democracia firmou-se na maior parte do mundo consolidando também a concepção rousseauna de liberdade. Portanto, é grande a importância de um órgão baseado na credibilidade e na competência, representando o povo.

Um fiel protetor

No entanto, historicamente o jornalismo sofreu alguns golpes, ao ser censurado, por exemplo; no Brasil, início de 1970, no contexto da ditadura militar, jornais de grande expressão nacional tiveram seus conteúdos severamente censurados. Dessa forma, podemos afirmar que a democracia esteve ameaçada, pois seu princípio fundamental, no período destacado, foi violado: a liberdade de expressão.

Por outro lado, abusos são cometidos por alguns profissionais do jornalismo. Tais situações transformam um instrumento investigativo de função informativa em meio de propagação sensacionalista; isso causa desconfiança popular, no que fere o verdadeiro papel do jornalismo.

Logo, apesar da falta de credibilidade citada de que o jornalismo está suscetível, como também do absurdo desrespeito dado a esse órgão pelos representantes políticos, o jornalismo é o fiel protetor da democracia. Sem esse aliado, o povo estaria refém de más informações e sem defensores e fiscalizadores de seus governantes, uma vez que os órgãos federais responsáveis por desempenhar tais funções não são do povo, mas sim, do governo.

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Graduanda do curso de Jornalismo, PUC-Campinas

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