Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

O que disse o papa Bento 16

Por Lúcia Coelho em 20/03/2007 na edição 425

Os jornalistas não costumam ir à fonte antes de ler uma notícia? Ou ninguém sabe italiano? Verifiquei a veracidade da tradução do texto abaixo e o sentido das palavras é completamente diferente! ‘Para Papa, divórcio é uma ‘chaga’, não uma ‘praga’, explica bispo’, sobre o texto da exortação apostólica ‘Sacramentum Caritatis’ (Patos de Minas, sexta-feira, 16 de março de 2007, Zenit):

‘Um cochilo, ou o cansaço do tradutor’ – explica um bispo brasileiro – levou-o a confundir uma palavra italiana com uma semelhante em português, ao traduzir o texto da Exortação Apostólica Pós-Sinodal ‘Sacramentum Caritatis’, divulgada por Bento XVI esta semana. A palavra portuguesa ‘praga’ em italiano se diz ‘peste’. E ‘piaga’ em italiano significa ‘chaga’ em português, afirma Dom João Bosco Oliver de Faria, bispo de Patos de Minas (sudeste do país), em artigo enviado a Zenit esta sexta-feira.

Teve grande repercussão nos meios de comunicação no Brasil o termo ‘praga’ que teria sido usado por Bento XVI em sua Exortação [cf. n. 29], referindo-se com ele ao divórcio e, de certa forma, magoando os corações daqueles que vivem um divórcio, explica o bispo. ‘Cito o texto oficial em italiano, na frase específica:

Si tratta di un problema pastorale spinoso e complesso, uma vera PIAGA dell`odierno contesto sociale che intacca in missura crescente gli stessi ambienti cattolici’.

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Um dos grandes pecados da imprensa brasileira, talvez o que mereça maior penitência, é o atrelamento ao Estado – seja por cooptação (na maior parte das vezes), seja pela aposta no novo príncipe (vide a última eleição). Lamentavelmente, a cobertura do Pan 2007 segue o mesmo caminho.

O sucesso do evento não é responsabilidade dos jornalistas. Portanto, não se admite a cerimônia com que se faz a constatação do escândalo que é a organização do evento. O país pagará sete vezes mais (há quem diga 10 vezes) por um Pan que só deixará para o Rio uma infra-estrutura esportiva. O projeto inicial, que previa até uma nova linha de metrô, foi abandonado, e mesmo assim todo o cronograma está atrasado.

Parece-me que o assunto merece uma investigação séria, quem sabe capaz de concluir que, no atraso, dispensam-se licitações e facilitam-se os acertos. Quietos, corremos o risco de ver enterrados 50 bilhões de reais no futuro com uma Olimpíada à brasileira. Se bem que duvido que lá fora eles não enxerguem o que acontece por aqui. (Cláudio Ornellas, jornalista, Rio de Janeiro, RJ)

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Leio na internet que o jornal The Guardian publicou uma matéria sobre os trabalhadores que cortam cana, equiparando-os aos escravos, e que em reação ao artigo foi enviada carta do embaixador brasileiro, o qual diz (em síntese) que o governo tem implementado medidas de combate ao flagelo. Nesse ponto, duas coisas me vieram à mente: 1) nenhum jornal abordou a questão do trabalho quase escravo existente nas fazendas, a questão do ‘gato’, ou como dizem alguns artigos, ‘o lado azedo da cana’; 2) ao ler os noticiários parecia que a vinda do Bush resolveria problemas entre estados (os fazendeiros americanos vs. brasileiros), o que me leva a pensar que ainda existem (até na imprensa) quem aspire as soluções advindas do ‘Grande Pai’. Faltou profundidade no trato do tema. Ficamos, novamente, no oba-oba da fala econômica. (Jorge Pereira Lima, advogado, Santos, SP )

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Não sei se sou só eu reparei, mas os programas sobre jornalismo esportivo têm crescido quase que diariamente. A cada dia temos um novo programa apresentado por rostinhos bonitos e comentaristas que falam uma besteira atrás da outra. É claro que tudo isso virou uma bola de neve. A imprensa faz um auê com um clássico, para gerar conflitos, para gerar polêmicas, para gerar audiência. Em seguida vê-se que deu audiência, que dá lucros , que dá ibope, que dá patrocinadores e… pronto: surge um novo programa.

Vocês não têm alguém que mantenha um tipo de fiscalização ética para ponderar acusações sem limites? Exemplo: aqui em Santos vemos de longe a mídia da capital falando bem do São Paulo FC e querendo interditar a Vila Belmiro a qualquer preço. Essa pressão da imprensa não deveria ter limites? Até quando seremos obrigados a lutar como Davi nesta luta desigual? Até quando a manipulação dos fatos será mais forte? (Denise de Fátima Placido, despachante aduaneiro, Santos, SP)

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Vi esta semana parte de um debate sobre a opinião do intelectual Renato Janine Ribeiro com relação ao monstruoso assassinato do garoto João Hélio. Neste debate (assisti parte), pseudos-intelectuais estavam massacrando o Sr. Renato Janine pelo seu desabafo humano e corajoso, no qual pedia pena bem dura para aqueles monstros. Pelo que entendi, para eles ser ‘intelectual’ é não ter sentimentos e bloquear o coração, ou seja, ser um verdadeiro ‘robô’.

Pessoas sem sentimentos pensam da seguinte forma: ‘Pimenta só arde nos olhos dos outros’. O que não é o caso do ilustre intelectual Renato Janine. Garanto que se aquele caso horrendo acontecesse com um filho ou neto daqueles que atiraram pedras, eles não manteriam a frieza que ostentaram. Como não sou ‘intelectual’, minha opinião com relação ao episódio é que aqueles que cometeram tal atrocidade fossem amarrados e arrastados não por 7 km, mas por um bom pedaço para que sentissem sua pele e ossos serem arrebentados contra o asfalto – contanto que ficassem vivos e fossem para a prisão perpétua. Sr. Renato Janine, parabéns pela sua humanidade e coragem de expressar os seus sentimentos sem se deixar levar por esse ‘meias-tijelas’. (Neuza Pinheiro, corretora, Salvador, BA)

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Engenheira, Rio de Janeiro, RJ

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