Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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FEITOS & DESFEITAS > THE WASHINGTON POST

O que (não) dizer sobre um crime?

30/05/2006 na edição 383

Em sua coluna de domingo [28/5/06], a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, analisou o trabalho dos jornalistas e editores que cobrem assuntos policiais. Para Deborah, encontrar o equilíbrio entre o direito do público de ser informado e o que realmente deve ser publicado é uma difícil tarefa diária destes profissionais. ‘Os leitores ficam ansiosos para saber notícias de crimes que aconteceram em sua vizinhança ou em sua cidade’, diz ela.

Deborah cita dois casos recentes que receberam críticas dos leitores. Uma das matérias, publicada na primeira página da edição de terça-feira (23/5), informava sobre o roubo de um laptop na residência de um funcionário do Departamento Americano de Assuntos dos Veteranos de Guerra (VA, sigla em inglês). O computador continha informações sobre 26,5 milhões de militares veteranos dos EUA. ‘Ótimo. Agora o Post contou ao ladrão que o laptop que ele roubou pode valer mais do que apenas o valor do computador’, reclamou o leitor Robert Andrews. ‘O que os repórteres estavam pensando quando incluíram a data e a localização da residência? Nada disso era importante para a notícia’, opinou o leitor Gerald Sheldon.

Funcionários do VA optaram por permitir a publicação das informações para alertar os veteranos a monitorar suas declarações bancárias e de crédito. Para o jornal, esta razão era suficiente para os dados contidos na matéria, informa a ombudsman. Ela acrescenta ainda que a data era importante porque mostrava que o VA levou quase três semanas para comunicar o incidente. Os editores do Post decidiram identificar o local – Aspen Hill – para informar aos leitores sobre os crimes que ocorrem na região onde moram.

A outra matéria, sobre o assassinato de um homem no dia 18/5 na região sudeste de Washington, mencionava o quarteirão no qual ele levou os tiros e o quarteirão onde ele vivia. Depois da divulgação destas informações, a mãe da noiva da vítima afirmou ter ficado chateada com a publicação do endereço no Post. Sua filha morava com o homem assassinado e, segundo ela, teria recebido ameaças após a divulgação do crime.

De acordo com Deborah, as normas do jornal aconselham a publicação completa de endereços apenas quando a localização específica é essencial à matéria. Em artigos sobre crimes e em outros nos quais a publicação desta informação possa causar danos, embaraço ou ameaças a uma pessoa inocente, é preferível fornecer informações sobre os quarteirões a publicar o endereço exato. A mãe da noiva da vítima não concordou com tal política. ‘Mesmo sendo uma informação não específica para você, pode ser detalhada para alguém que está procurando prejudicar a família da vítima’, argumenta ela.

A ombudsman diz entender que a mulher queira proteger sua família, mas também acredita que os moradores da área onde ocorreu o crime querem saber quem foi morto, onde ocorreu o assassinato e onde a vítima morava. ‘Pode haver uma boa razão para não publicar um fato, mas os fatos são a razão dos leitores comprarem jornais’, conclui Deborah.

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