Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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O tempo na TV e no rádio é ouro

Por Vilmário Junior em 28/09/2010 na edição 609

A campanha eleitoral para o atual governador da Bahia e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT) começou desde que assumiu o governo em 2007. Antes mesmo de conhecer plenamente os cômodos do luxuoso Palácio de Ondina – sede do governo da Bahia – já se viam na TV informes publicitários anunciando as primeiras ações. A Cesta do Povo – rede de supermercados subsidiados pelo governo estadual – foi a que protagonizou uma série de informes publicitários (IPs) que mostravam a sua situação de abandono e falência, provocada de forma covarde, numa espécie de repúdio ou retaliação à perda das eleições estaduais.

Considerando que para muitos candidatos a campanha eleitoral somente se inicia quando começa o programa eleitoral gratuito – PEG, o atual governo usou e abusou dos IP´s, que falaram sobre tudo – educação, segurança, estradas, saúde, luz, água e muito mais. Depoimentos ditos reais que custaram caro para o cidadão que, em seu momento de lazer e descontração, se coloca na condição de telespectador/ouvinte e paga caro para ver o governo na TV. Conforme dados divulgados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a administração estadual gastou R$ 108,5 milhões com propaganda, a um custo de R$ 7,71 para cada baiano. Já em segurança pública foram gastos apenas R$ 26,6 milhões, o que representa um quarto do montante gasto com publicidade.

O tempo disponibilizado durante o PEG é correspondente ao número de deputados que os partidos da coligação têm na Câmara: quanto maior o número de partidos coligados e a representatividade de cada um no Congresso Nacional, maior é o tempo do candidato no programa eleitoral. Com oito partidos integrando a coligação ‘Pra Bahia Seguir em Frente’ (PT-PCdoB- PDT-PP- PSB-PRB-PHS-PSL), Jaques Wagner conta com 5 minutos e 19 segundos; Geddel (PMDB) tem 4 minutos e 57 segundos e Paulo Souto ficou com 3 minutos e 55 segundos. Luiz Bassuma (PV) agregou apenas 1 minuto e 9 segundos. Os demais candidatos – Marcos Mendes (PSOL) Professor Carlos (PSTU) e Sandro Santa Bárbara (PCB) – têm menos de um minuto para falar com o público na TV e no rádio.

16 mil horas de publicidade

Para o professor de ciências políticas Clovis Ezequiel, o programa eleitoral gratuito pode ser um fator predominante na decisão da escolha dos candidatos. ‘O eleitor tem uma oportunidade de ver e ouvir as propostas e assim se identificar com os perfis dos candidatos.’ E é o que comprova uma pesquisa encomendada pelo jornal A Tarde, realizada pelo instituto Vox Populi, nos dias 21 e 23 de agosto, que ouviu mil eleitores e mostrou que 67% do eleitorado baiano utiliza o PEG para escolher em quem votar.

Mas, o que se vê é que além da falta de tempo, falta também qualidade na produção das inserções. Pelo menos pelos partidos menores. São chamadas com o áudio ruim, com imagens trêmulas e enquadramentos amadores, erros primários de edição e ainda o uso exacerbado do cromaqui – um efeito démodé, que surge como novidade em produções caseiras –, o que para o professor são pontos de fundamental importância na influência da decisão do voto. ‘O telespectador percebe estas deficiências técnicas e as transfere para o candidato. É o ouro da democracia perdendo o brilho para o ringue eletrônico.’

Basta fazer uma conta rápida para perceber a vantagem de se estar no poder. Wagner, com uma média de dez inserções publicitárias diárias no rádio e na TV, com o programa semanal Conversa com o Governador, de duração de cinco minutos, mais as mídias alternativas como outdoor, internet e outras, multiplicados pelos anos do mandato já cumprido (três anos e nove meses), totaliza 16.320 horas de publicidade.

Faça valer o seu tempo!

Já ficou claro que tentar bater em Wagner usando o pouco tempo do programa eleitoral é perda de tempo. O candidato Geddel insiste na tecla de que ele é baiano, é da terra. Que tem amor ao estado e vai trabalhar pelo povo. Se apega em suas obras realizadas no estado quando foi ministro da Integração.

Já Paulo Souto diz que tem experiência e sabe governar. Coloca à disposição sua competência, adquirida nos anos de vida pública. Sugere, mesmo que subliminar, a ressurreição do movimento carlista. O professor e ambientalista Bassuma pede que o cidadão assuma uma nova Bahia. Bahia esta campeã em desmatamento e em poluição de rios. Já os demais parecem falar apenas para os militantes de movimentos sindicais.

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Estudante de Jornalismo, Feira de Santana, BA

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