Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

FEITOS & DESFEITAS > NOBRE JOGO

O xadrez como notícia

Por Gabriel Perissé em 16/01/2007 na edição 416

Xadrez não é mais notícia como nos tempos de Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, décadas de 60-70. Sobre Mequinho, hoje, é preciso caçar notícias na internet. A última grande referência que a ele se fez foi a homenagem de Luís Nassif (Folha de S. Paulo, 9/2/2000) àquele herói brasileiro que, comparado aos temíveis russos da época e ao norte-americano Bobby Fischer, era ‘o jogador de menor appeal possível, parecendo uma versão mirim do ‘dr. Aloprado’, aquele personagem do Jerry Lewis’.

Xadrez é notícia se houver escândalo… No início de janeiro, agora, um jogador indiano foi afastado da prática do ‘nobre jogo’ depois de flagrado com um fone sem fio ligado ao celular para ganhar as partidas não muito nobremente. Acho que disso não passará. Ninguém exige teste antidoping do enxadrista que deu fulminante xeque-mate no outro.

Em 2005, Fischer foi detido no Japão. Os EUA tentavam prendê-lo desde 1992, quando ele desafiou embargo internacional vigente na época contra a antiga Iugoslávia, participando de um torneio nesse país. Fischer foi acolhido pela Islândia. Contudo, para os amantes do jogo de xadrez, saber se Fischer vai parar ou não de jogar é outro lance…

‘Trabalho de massificação’

Na Folha (05.01.2007), Luís Nassif voltou a falar em xadrez, metaforicamente…

‘O jogo de xadrez é a melhor representação da economia. Cada movida de peça altera completamente o equilíbrio interno. Após o lance, o jogador consegue prever um número determinado de jogadas. Se tentar imaginar como será o jogo, até o final, empaca. Jamais irá conseguir a segurança absoluta. Por isso mesmo, xadrez e economia exigem imaginação para enfrentar os problemas decorrentes do lance, e novas posições estratégicas frente aos seus desdobramentos.’

Garry Kasparov vem ao Brasil, de vez em quando, divulgar sua imagem e livros. Empresário de si mesmo, concedeu entrevista à revista Veja (agosto de 2004). Seu proselitismo a favor do xadrez nas escolas poderia impulsionar um pouco mais iniciativas já existentes entre nós: ‘Está comprovado que o xadrez ajuda a melhorar a atenção, a disciplina, o pensamento lógico e a imaginação.’

No final de 2006, o Estado de S. Paulo comentou a sexta visita ao Brasil de outro ex-campeão do mundo, Anatoly Karpov, que disse: ‘Está sendo feito um trabalho de massificação nas escolas e vejo um futuro brilhante para o Brasil.’

Tomara! Quero ler manchetes com novos Mequinhos. E ‘Mequinhas’…

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Gabriel Perissé, doutor em Educação pela USP e escritor

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