Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > HQ

O Alienista na cabeça de quadrinistas

Por Wemerson Augusto em 17/06/2008 na edição 490
Referências bibliográficas

ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: FTD, 1994. (Grandes leituras)

CÂNDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. 7ª ed. São Paulo: Nacional, 1985

MOON, Fábio; BÁ, Gabriel. O Alienista. Machado de Assis: adaptação. Rio de Janeiro: Agir, 2007

A transposição de obras literárias para o cinema, bem como para as histórias em quadrinhos, não é algo tão novo. No meio cultural são comuns e crescentes essas trocas de estilos narrativos. O que nos chama a atenção é o que estas releituras podem oferecer de novo ao público.

A crítica de que tal obra quando virou filme ficou boa ou não é muito pertinente. O que falta talvez neste campo são reflexões que apontem por que determinada adaptação construiu roteiro diferente da proposta original. Qual o contexto desta nova leitura? Quais foram as influências?

Com base nessas respostas, o público poderá compreender melhor, as opções e imposições que surgem nos rumos da histórias, tanto de romances, como nas histórias em quadrinhos, desenhos e cinema.

No ano de 2007, os desenhistas Fábio Moon e Gabriel Bá, lançaram a grafhic novel – romance gráfico – baseada no romance O Alienista, de Machado de Assis, publicado pela primeira vez em 1881 no periódico A Estação.

Crônicas de Itaguaí

Este recorte é apenas uma sugestão para tentarmos compreender como o contexto é importante para interpretação, aceitação ou negação de uma manifestação artística, como defende Cândido (1985) – autor, público e obra como elementos inseparáveis.

Diante disso, para ler o romance O Alienista, tente visualizar um Machado de Assis que nasceu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1839, e que, além do ofício de jornalista, dedicava-se à dramaturgia, poesia, novela, críticas e ensaios. Do mesmo modo, analisem o trabalho dos artistas Fábio Moon e Gabriel Bá, partindo do atual momento cultural. Não tente valorizar a obra quadrinística com outras linguagens e épocas.

Feitas estas ressalvas e observações, muitas idéias poderão ser clareadas a respeito das produções culturais e suas relações com a literatura, o romance gráfico e o cinema. E, por que não, da Vila Itaguaí, do dr. Simão Bacamarte e da leitura de Fábio Moon e Gabriel Bá.

Com a palavra, o escritor: ‘As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia’ (ASSIS, 1994).

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Jornalista, especialista em Linguagem, Cultura e Ensino; Foz do Iguaçu, PR

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