Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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FEITOS & DESFEITAS > INGRID BETANCOURT LIVRE

O fim da concorrência entre os jornais

Por Luciano Martins Costa em 03/07/2008 na edição 492

O resgate da ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt está nas manchetes dos jornais de quinta-feira (3/7). Segundo o noticiário, ela foi libertada em uma ação militar, juntamente com três cidadãos norte-americanos. As notícias liberadas pelo governo colombiano dão conta de que os quatro ex-prisioneiros estão em condições razoáveis de saúde.


Ingrid Betancourt, ex-senadora que disputava as eleições presidenciais em 2002, foi seqüestrada quando fazia campanha eleitoral no interior do país. Ela e os três agentes do governo americano eram parte do grupo de 44 prisioneiros cuja libertação era negociada com o que resta do comando das Farc.


O noticiário, alimentado basicamente por agências internacionais, não oferece detalhes da operação militar, mas há indícios de que ela foi planejada paralelamente a uma ação humanitária organizada pelo governo francês. Embora o governo colombiano afirme ter se tratado de um resgate militar, há indícios de que as Farc resolveram liberar os prisioneiros, mas o noticiário não é conclusivo. O material que os jornais publicam na quinta-feira estava disponível nas redações no final da tarde de quarta, o que permitiu caprichar nas edições, com gráficos e mapas.


Exercício de observação


Comparados aos jornais de maior prestígio internacional, os diários brasileiros não ficam atrás em termos de organização e conteúdo. A cobertura do caso mostra que sabem usar os recursos de edição como qualquer congênere dos países mais desenvolvidos.


O problema é justamente o oposto: desenhados a partir dos mesmos consultores, os jornais brasileiros acabam ficando muito parecidos. Os infográficos têm o mesmo estilo, os mapas e os textos modulares dão uma aparência comum a todos eles.


As manchetes de quinta-feira sobre a libertação de Ingrid Betancourt mostram que os jornais parecem cada vez menos capazes de surpreender o leitor. Assim fica difícil convencer alguém de que existe diversidade e competição real entre eles.


Se o leitor quiser fazer um exercício de observação, basta analisar os títulos das reportagens sobre a libertação da ex-senadora colombiana: eles dizem praticamente a mesma coisa.


Pelo menos na imprensa brasileira, o mundo ainda é plano.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/07/2008 thomaz magalhaes

    Que tristeza, do Luciano Martins Costa. A ponto de ver ‘indícios’ das Farc terem libertado os reféns… Certamente Luciano não viu as fotos da France Presse, do ‘césar’, ou Gerardo Aguilera, o carcereiro chefe pego no helicópetro, com a cara toda torta, um olho fechado, das pancadas que levou, ao ser pego, desarmado e despido a bordo. E critica a imprensa por contar de forma semelhante a ação do exército colombiano que durou 22 minutos, como contou seu comandante. ‘Os títulos dizem praticamente a mesma coisa’. Vai ver estão se referindo ao mesmo fato…

  2. Comentou em 03/07/2008 Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho

    ‘há indícios de que as Farc resolveram liberar os prisioneiros’
    Menos, Luciano, menos. Não menospreze a inteligência dos internautas.
    Alvaro Uribe, com apoio de George Bush, impôs uma grande derrota aos terroristas da Farc.
    É fato. O resto é armazém de secos e molhados (Millôr).

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