Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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O futuro das notícias em discussão

02/05/2006 na edição 379

Os membros da Sociedade Americana dos Editores de Jornais (ASNE, sigla em inglês) se reúnem uma vez por ano, e a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, dedicou sua coluna de domingo [30/4/06] ao encontro de 2006, realizado na semana passada, no qual os editores discutiram maneiras de tornar os jornais mais atraentes para os leitores.

Uma das questões abordadas na reunião dizia respeito à importância dos editores na era digital, na medida em que os internautas agora têm a possibilidade de escolher o que querem saber através de sítios personalizados, ferramentas de buscas ou assinaturas de listas de notícias via e-mail. No entanto, em meio a tantas informações, para muitos o papel do editor continua a ser fundamental. ‘Ninguém pode fazer jornalismo tão bem quanto nós [editores e jornalistas]’, defendeu Rick Rodriguez, editor do Sacramento Bee e presidente da ASNE.

Grandes negócios

Para os descrentes no futuro dos jornais, dois grandes grupos americanos estão fazendo grandes investimentos no setor – McClatchy Co. e MediaNews Group Inc. A McClatchy tornou-se o segundo maior grupo de jornais nos EUA depois de comprar a gigante Knight Ridder; já o MediaNews planeja comprar alguns dos títulos que estão sendo vendidos pela McClatchy. Gary Pruitt, executivo-chefe da McClatchy, acredita ser um bom negócio ter jornais e expandi-los no mercado online, com a distribuição de notícias 24 horas.

Dean Singleton, CEO do MediaNews, alertou os editores sobre o perigo dos repórteres escreverem mais para si e pelos prêmios do que para os leitores. ‘O que importa para os leitores são as notícias locais. O Iraque não é importante como os tópicos local’, alegou Singleton. Deborah diz que, no Post, determinar o que os leitores querem é uma questão diária na redação, que cobre notícias locais e também internacionais. Além da escolha das notícias, há um problema maior a ser encarado, afirma Singleton: não ser pago pelas notícias online. Pruitt sugere que os jornais passem a cobrar quando o acesso a seu sítio é feito de fora de sua área de circulação.

Mudanças

Outra sugestão proposta na reunião para tentar atrair a atenção dos leitores é a de mudanças nos jornais impressos. Nem sempre a iniciativa funciona, como no caso dos diários Daily News e Hamilton Spectator, que fizeram uma ‘reforma’ para chamar a atenção dos leitores. Dana Robbins, editora-chefe do Spectator, conta que, depois da mudança, 600 leitores cancelaram sua assinatura e, de acordo com uma pesquisa, 40% dos leitores nem mesmo notaram que houve mudanças.

Diante de tantas incertezas e do crescimento da popularidade dos sítios agregadores de notícias, como o Google News, John Carroll, ex-editor do Los Angeles Times, afirma que é necessário salvar o jornalismo. ‘Os jornais fornecem notícias. Outros veículos apenas as remodelam’, conclui.

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