Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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FEITOS & DESFEITAS > COBERTURA ELEITORAL

O mesmo de sempre

Por Luciano Martins Costa em 07/07/2008 na edição 492

A campanha eleitoral dos candidatos a prefeito começou neste domingo (6/7) em tom de quermesse. Nas principais capitais, os jornais noticiam passeios dos candidatos por feiras, festas populares e outros locais de concentração da população, com os tradicionais tapinhas e abraços.


Os jornais descrevem as caminhadas e aparições organizadas pelos marqueteiros de campanha, reproduzem declarações e registram episódios pitorescos, como escorregões, gafes e o desconforto de uns e outros na desagradável tarefa de pisar a lama da periferia.
Em todos os relatos, as mesmas velhas promessas de todas as eleições.


As edições de segunda-feira (7) dos jornais não oferecem esperança de melhora na cobertura das disputas eleitorais. Embora, em alguns casos, tenham sido destacados repórteres experientes para acompanhar os candidatos, o resultado é o mesmo de sempre: apenas o factual, as declarações e, quando muito, o anedótico.


Pouco trabalho


Se o observador considerar que a cobertura de uma campanha eleitoral deve ter o objetivo de ajudar o eleitor a fazer uma escolha, o que se vê na abertura da temporada é um mau serviço.


Noticiar que tal candidato escorregou na beira de um córrego, ou que fulana comeu um bolinho de bacalhau não ajuda a avaliar as qualificações de um e outro em suas pretensões de administrar uma cidade. Revela, no máximo, que para ser candidato a prefeito é preciso ter sapatos adequados e estômago resistente.


Quase todas as capitais brasileiras cresceram desordenadamente nos últimos anos e acumulam problemas de moradia, de transporte, de saneamento básico e de violência.
Os candidatos a resolver ou amenizar esses problemas estão nas ruas. E os jornais os tratam como celebridades que saem ao ar livre para testar a fidelidade dos fãs. Nenhum repórter se deu o trabalho de confrontar as promessas dos candidatos com os desafios que se apresentam a quem vencer a eleição.


A campanha começou, mas a imprensa ainda não se apresentou para fazer o seu trabalho.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/07/2008 Emerson Mathias Pinto

    O esvaziamento da politica é um tema que foi pautado pelo emerito professor de filosofia da USP, Franklin Leopoldo e Silva, acerca da tendencia de perda de sentido da vida publica com o advento das sociedades capitalistas associadas a regimes totalitarios ao longo do seculo XX. A midia reflete essa perda de sentido, que mesmo diante de coberturas ‘estoicas’, desapegadas de qualquer senso sectario, nao conseguem atrair mais a atenção do publico consumidor – e somos consumidores e não cidadaos – com direito a apertar um botao para escolher um rosto com numeros ao lado, mas não temos como vivenciar a experiencia da Ágora democratica, sobretudo em dias de interatividade extrema e fugacidade das decisões. Como ao ritmo do zapping na escolha de canais na TV, escolheremos nossos peseudo-representantes. Para os mais jovens, que vivem sem a memoria do que era o mundo com o Muro de Berlim, essa realidade dos valores instantaneos é mais presente. Daqui a 50 anos, falar de politica e compromissos com sociedade não terá sentido algum. Creio que a midia poderia pautar os politicos sob esse prisma, digamos pós-moderno, tal como se faz na França ao se acompanhar as aventuras de Sarko e Carla Bruni. A revista Caras poderia contem mais conteudo politico do que o sisudo Estadao. Os politicos já perceberam essas tendencias e apelam ao maketing mais rasteiro. Eis a pauta para as eleições de 2008.

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