Domingo, 19 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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FEITOS & DESFEITAS >

O novo papel dos jornais locais

Por Charles Cadé em 12/05/2009 na edição 537

O jornalista norte-americano Mike Elgan escreveu recentemente sobre o papel dos jornais locais na atualidade. Antigamente, para consumir notícias locais, você deveria estar fisicamente nessa cidade. Com a internet, isso ficou para trás.

Para Elgan, muitos periódicos locais acabam divulgando as mesmas notícias, enquanto algumas histórias não são cobertas. Ou seja, visitando-se o Google News, muitos links trarão informações parecidas. Segundo ele, os jornais deveriam centrar sua atuação principalmente em material exclusivo ou com ângulos distintos, e não tentar falar sobre tudo. Com isso, ganha-se em relevância – o diferente obtém destaque maior.

Segundo ele, as empresas devem cobrir eventos locais para um público global. Estações de rádio e jornais devem agora considerar essa nova e mais ampla audiência.

‘Meios de comunicação locais devem concentrar todos seus recursos na cobertura dos eventos locais. Pessoas não querem pagar um jornal local para obter cobertura de notícias nacionais igualmente disponíveis em milhares de textos facilmente acessados através de seus celulares e da internet’, explica.

Nem todos assistem ao telejornal

É hora dos chamados meios de comunicação locais abriram os olhos à nova realidade: Nada é mais local. E isso é uma enorme oportunidade. O novo lema deveria ser: cobrir eventos locais exclusivos, mas para um público global‘, completa.

Há idéias interessantes defendidas por Mike Elgan. Todavia, atualmente quando se fala em consumo de informação, parece-me que se referem a um único tipo de leitor, que teria os mesmo hábitos de consumo. E isso não existe. Há uma gama de opções de formas de obter notícias. Há TVs (abertas e pagas), jornais impressos, rádio, internet, revistas etc. Eles variam de periodicidade, de linguagem e de preço, dentre outras características. Há muitas opções pelo simples fato que se trata de um público heterogêneo, com gostos e anseios distintos.

O jornal impresso não deveria deixar de falar sobre assuntos nacionais ou já amplamente discutidos em outros meios. Foi exibido antes na TV? Outro jornal publicou? Nem todos assistem telejornalismo, tampouco lêem vários jornais ou estão disponíveis para ficar lendo todas as notícias que são divulgadas na internet. Existe ainda quem procura informações num único veículo e ele espera encontrar um resumo dos fatos mais importantes nessa publicação.

Caminhos múltiplos

Há espaço para o que já foi divulgado em outros meios, mas com novos desdobramentos: podem ser novos ângulos, opiniões que ajudem a contextualizar o assunto etc. Ou, no mínimo, ser registrado como uma nota. Dessa forma, não fica chato para quem já sabe do fato e também contempla a pessoa que está entrando em contato com o assunto pela primeira fez. Há quem consuma notícia nos moldes tradicionais, querendo saber o que houve de importante num determinado recorte de tempo, seja num dia ou numa semana.

O futuro da informação aponta para caminhos múltiplos, já que há diversos tipos de público e maneiras distintas de se manter informado.

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Jornalista

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