Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
Menu

FEITOS & DESFEITAS > NOTÍCIAS SEM ANÁLISE

O pólo está derretendo

Por Luciano Martins Costa em 31/07/2008 na edição 496

A Folha de S.Paulo também noticiou, mas apenas O Globo deu destaque à informação de que um enorme bloco de gelo, com cerca de 20 quilômetros quadrados, se desprendeu da ilha de Elllesmere, no Canadá. O fato foi considerado muito grave por cientistas, porque é mais uma evidência de que as mudanças climáticas estão provocando um aquecimento anormal no círculo polar Ártico.


Os jornais citam o cientista canadense Dereck Mueller, um dos especialistas convidados pelas Forças Armadas do Canadá para vistoriar o fenômeno. Mueller não é membro do grupo que produziu o relatório sobre o aquecimento global, em 2007. Pelo contrário – ele é um crítico da teoria sobre mudanças climáticas, o que aumenta o peso de suas observações.


O grupo de cientistas comprovou que o derretimento está se acelerando, observando que as grandes perdas de gelo vão trazer conseqüências globais. Os jornais explicam que o gelo no Ártico funciona como uma espécie de ‘guarda-sol’ branco, refletindo a energia do sol diretamente para o espaço e ajudando a refrescar a Terra. Com a perda da cobertura, a radiação é absorvida pela água do mar e pela terra nua, o que esquenta o clima de todo o planeta.


Cenas para a TV


Esse é um dos temas mais inquietantes do noticiário internacional. No entanto, a imprensa continua incapaz de fazer uma cobertura adequada, que poderia induzir as pessoas a mudar certos hábitos e contribuir para amenizar o risco das mudanças climáticas.


Apesar de a maioria dos jornais continuar publicando artigos que tentam desmoralizar os estudos alarmantes sobre o aquecimento global, as evidências comprovam a cada dia que o relatório divulgado em 2007 pela ONU está correto.


Os estudos indicam que boa parte do desequilíbrio climático se deve à atividade humana. Embora cada indivíduo se sinta muito pequeno diante da grandiosidade da ameaça, é nas atitudes de cada um que pode estar a solução para amenizar o risco. Mas sem o engajamento da imprensa no convencimento da sociedade, nada vai mudar nos hábitos de consumo e nas políticas públicas.


Enquanto isso, o derretimento do gelo polar e as queimadas na Amazônia produzem cenas espetaculares para a televisão


***


Indiana Minc


Enquanto aumenta a febre do planeta, na Amazônia brasileira, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, leva jornalistas para testemunhar como se faz com os depredadores do meio ambiente.


O ministro foi protagonista de uma cena de cinema, quando invadiu uma fazenda no Estado do Pará para multar o proprietário em dez milhões de reais por desmatamento ilegal e pela criação de 4 mil cabeças de gado na área da Floresta Nacional de Jamanxim.


A ação espetaculosa do ministro, que quase foi apanhado em meio a uma queimada, pode ter algum efeito didático. Mas não é aplicando pessoalmente a multa ao desmatador que ele vai conter a destruição da floresta.


Os jornais reproduzem o patético diálogo de Carlos Minc com o gerente e tratorista da fazenda visitada. Um vizinho havia colocado fogo em sua propriedade e o ministro, que estava acompanhado de jornalistas e militares, testemunhou a queima de 3 mil hectares de matas e pastagens.


No fim, a comitiva teve que sair correndo porque o fogo ameaçava cercar o helicóptero.


Números convenientes


A notícia serve para dar ao leitor uma visão local de como acontece a destruição do maior patrimônio florestal do planeta. Mas o espetáculo midiático protagonizado pelo ministro não ajuda a produzir políticas efetivas de combate ao desmatamento.


Na mesma página em que informa sobre a visita do ministro do Meio Ambiente ao Pará, a Folha de S.Paulo (31/7) publica um artigo no qual são lançadas dúvidas sobre os números recentes que indicam uma redução no ritmo das queimadas.


Enquanto o sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais anuncia a diminuição da área desmatada em junho, comparada com o mês anterior, outro organismo afirma exatamente o contrário. As divergências entre especialistas alimentam os inimigos da floresta, que escolhem os números mais convenientes para tentar evitar medidas mais severas.


A imprensa apenas noticia a controvérsia, mas não ajuda o leitor a entender o que realmente acontece na Amazônia. Enquanto isso, o planeta continua esquentando.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/02/2009 Maria Cladia Ortiz

    Prezado Editores do Observatório da Imprensa,

    O medicamento Varicell me parece estar com o princípio ativo equivocado, e gostaria de um esclarecimento a respeito do assunto. Segundo a Resolução RE nº 1028, de 9 de julho de 2001, publicada no Diário Oficial de 12/7/2001, como segue abaixo, seus princípios ativos são: PARAPHLEBON+SENE+ENXOFRE+BITARTARATO DE POTASSIO. Entretanto, os sites das mais renomadas drogarias de São Paulo o comercializam com o princípio ativo Queratina, conforme links abaixo. A meu ver, o produto deveria está irregular e gostaria de saber se é de conhecimento de vocês as notícias decorrentes disto no Folha Uol, que publicou tal matéria.

    http://www.drogaraia.com.br/RaiaEcommWeb/detalheProduto.do

    http://www.onofre.com.br/onofre/detalhe_produto.aspx?pCh=8F786DC4-DA35-499F-A6C5-DCAB7E5BE6C7&gId=3

    EVERSIL PRODUTOS FARMACÊUTICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. 1.00897-9
    PARAPHLEBON+SENE+ENXOFRE+BITARTARATO DE POTASSIO
    VARICELL 25351.020518/00-93 1.0897.0011.001-9
    Comercial
    DRG CT FR VD AMB X 48 07/2006
    0303021 ANTIVARICOSOS DE ACAO SISTEMICA 36 MESES
    150 REGISTRO DE PRODUTO SIMILAR

    http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/01/28/ult4469u36654.jhtm

    http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/2009/01/27/ult4477u1292.jhtm

  2. Comentou em 05/08/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Felipe Faria, estudante do Rio, o Ministério da Saúde adverte: pensamento dicotômico embota o cérebro. Como já mencionei aí abaixo e obviamente você não leu, nós, humanos, não deixaremos de explorar o ambiente. Nossa índole é predatória. Mudar o ssitema de produção, nem pensar. Deixar de andar de carro, necas. Mas por que não adotar posturas menos humanas. É, pois as posturas humanas são perniciosas. Ser menos humanos significa plantar mais árvores nativas, limpar os rios, sanear os mares, criar animais de caça, atentar-se para os dejetos (cocô, xixi, cuspe, essas coisas), reaproveitar, reduzir, reciclar, enfim, dar tempo para que os recursos se renovem. Mas, impossível. Primeiro que a preguiça não deixa e, depois, é mais fácil destruir que construir, não é mesmo?

  3. Comentou em 05/08/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Felipe Faria, estudante do Rio, o Ministério da Saúde adverte: pensamento dicotômico embota o cérebro. Como já mencionei aí abaixo e obviamente você não leu, nós, humanos, não deixaremos de explorar o ambiente. Nossa índole é predatória. Mudar o ssitema de produção, nem pensar. Deixar de andar de carro, necas. Mas por que não adotar posturas menos humanas. É, pois as posturas humanas são perniciosas. Ser menos humanos significa plantar mais árvores nativas, limpar os rios, sanear os mares, criar animais de caça, atentar-se para os dejetos (cocô, xixi, cuspe, essas coisas), reaproveitar, reduzir, reciclar, enfim, dar tempo para que os recursos se renovem. Mas, impossível. Primeiro que a preguiça não deixa e, depois, é mais fácil destruir que construir, não é mesmo?

  4. Comentou em 05/08/2008 Felipe Faria

    está bem, biólogo, vamos fechar as fábricas e parar de queimar petróleo , e esperamos a comida cair dos céus. Sem a industrialização, a população mundial cairá a décima parte. Falta combinar com os chineses, cuja poluição é notória, e hoje está na TV por causa das Olimpíadas.

  5. Comentou em 04/08/2008 Henrique Dorneles

    Como professor tenho o dever de insentivar a dúvida, mas essa dúvida deve se estender a todas as fontes de informação. A melhor forma de chegar-mos a conclusões, mais corretas possíveis, é justamente a ampliação das fontes de informação e o estabelecimento de critérios de avaliação de tais fontes. Porque confiamos nossa saúde aos médicos? Não é por que sabemos que eles estudam, durante anos, fisiologia, bioquímica, patologias, etc. Não deveríamos utilizar a mesma lógica para escolher as fontes de informação? Um biólogo como Alexandre Carlos Aguiar também estudou anos e continua estudando tenho certeza, ecossistemas, fisiologia de diversas espécies, bioquímica, botânica, etc. Será que não deveríamos dar ao menos atenção aos seus alertas? Ele melhor do que qualquer outro neste debate sabe das conseqüencias trágicas da continuidade desse modo de produção social e ecologicamente irresponsável. A partir de agora é uma questão de escolha. Não percamos a esperança Alexandre, os excluídos e o planeta precisam de nós, eu tenho convicção que o número de pessoas que se importam é maior que o número de hedonistas criados pela sociedade do consumo. É desanimador lutar contra os meios de comunicação de massa, mas é necessário.

  6. Comentou em 04/08/2008 Felipe Faria

    Não é um filme do youtube, é do Channel Four , colocaram no youtube. Dorneles, os maiores desastres ecológicos do mundo Chernobil e a drenagem do mar de Aral não ocorreram sob regime capitalista.

  7. Comentou em 04/08/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Eu fico imaginando o trauma que sofreram na infância essa gente que vê em tudo o que se discute no que tange aos processos de ‘melhoria’ do homem como uma ameça comunista. Coitados, precisam de um bom profissional. Mas o assunto aqui é outro. O Prof. Henrique foi muito lúcido em sua análise. Uma coisa não podemos negar: o animal humano é explorador por excelência. E desde que deixou a condição de caçador-coletor, há uns bons 10 mil anos, para se fixar na terra, essa condição exploratória aumentou ainda mais. Com isso também surgiu a acumulação dos recursos para os dias mais bicudos e daí ao comércio do excedente, etc, etc. Sofreu com isso o meio ambiente, pois repôr o resultado da exploração é absolutamente oneroso. O mais fácil é invadir os ecossistemas, pois ali tudo já está pronto. Por isso, enquanto nos mantivermos nessa rota exploratório-consumista, não teremos mais de onde tirar e a derrocada será total e dramática. Desta forma, adotar a postura conformista, de que não há o que fazer no desenvolvimentismo, é, no mínimo, burrice. Torço para que as pessoas ao menos aprendam a nadar, ou construam seus barquinhos, pois a maré vai subir.

  8. Comentou em 03/08/2008 Henrique Dorneles

    Professor Hermes de Paula, gostaria de responder ao seu questionamento, mas o comentarista Marco Antônio Leite já parece ter respondido de forma satisfatória. No entanto, gostaria de dar mais alguma contribuição para esse debate.
    O objetivo do socialismo não é acabar com a ganância, mas impedir que ela prejudique as pessoas. Outra coisa que pode ser bastante útil é o questionamento das fontes de informação. Os meios de comunicação no Brasil mostram exaustivamente os pobres cubanos que não tendo a chance de tornarem-se milionários em Cuba fogem do ‘inferno vermelho’. Agora eu pergunto, o número de cubanos que apóiam o governo é menor do que o número de cubanos que não apóiam? Como era Cuba antes da revolução? Os cubanos tinham acesso a todos os níveis de ensino, ensino de excelente qualidade e gratuito? Tinham assistência médica gratuita e de excelente qualidade? Se Cuba é essa desgraça, por que o alto-comando norte-americano mantém o embargo econômico? Não seria mais inteligente deixar que Cuba se tornasse um exemplo de fracasso sem essa intervenção? Ou será que eles sabem que Cuba se tornaria um péssimo exemplo de sucesso para a América Latina e o mundo? Em uma das últimas votações sobre o bloquei em Cuba, na ONU, 284 países votaram contra e 4 a favor, EUA, Israel e mais 2. O embargo foi mantido. Estranha essa democracia não acha?

  9. Comentou em 02/08/2008 Marco Antônio Leite

    Esse assunto não passa de um desvio de rota, haja vista na medida em que o povão discute o que pode ocorrer com as mudanças climáticas os ladrões de plantão usam suas mãos como ferramenta para abrir cofres e roubar nosso suado dinheiro. O qual é retirado através da força da LEI do mais forte, ou seja, dezenas de impostos e, esse dinheiro não é revertido para o bem estar social do povão.

  10. Comentou em 02/08/2008 Marco Antônio Leite

    Esse assunto não passa de um desvio de rota, haja vista na medida em que o povão discute o que pode ocorrer com as mudanças climáticas os ladrões de plantão usam suas mãos como ferramenta para abrir cofres e roubar nosso suado dinheiro. O qual é retirado através da força da LEI do mais forte, ou seja, dezenas de impostos e, esse dinheiro não é revertido para o bem estar social do povão.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem