Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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ENTRE ASPAS >

Obama usa internet para defender plano econômico

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 27/03/2009 na edição 530

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 27 de março de 2009


 


EUA
Sérgio Dávila


Obama vende propostas em ‘encontro virtual’


‘Parte de sua estratégia de avançar a agenda progressista e pressionar o Congresso pela aprovação do Orçamento, o presidente dos EUA, Barack Obama, realizou ontem um ‘encontro virtual’ na Casa Branca em que respondeu a perguntas de internautas. Educação e saúde, não a crise econômica, dominaram o evento.


Obama disse que os prédios públicos escolares eram velhos demais e o sistema de ensino, antiquado. Afirmou que sua meta era a saúde pública universal, como no Canadá e no Reino Unido, mas que os americanos deveriam procurar modelo próprio, respeitando sua tradição. Defendeu seus planos para aliviar o mutuário inadimplente e o estudante em dívida.


Por fim, falou até da liberalização da maconha. ‘Tenho de dizer que uma das perguntas mais votadas era se a legalização da maconha vai ajudar nossa economia e a criação de empregos’, disse, entre risos. ‘A resposta é não, eu não acho que essa seja uma boa estratégia para fazer a economia crescer.’


Nas 36 horas que antecederam o ‘encontro virtual’, 3,6 milhões de pessoas votaram nos temas sobre os quais queriam que o presidente falasse -número expressivo, mas que representa cerca de 10% dos que votam semanalmente no vencedor do programa ‘American Idol’. Entre os mais votados ficaram educação e maconha, esse graças à campanha de grupos pró-droga.


No mesmo intervalo, 93 mil pessoas submeteram 105 mil perguntas. Dessas, Obama respondeu a seis, sendo duas feitas em formato de vídeo. Foi assistido ao vivo por 67 mil internautas. Outras cem pessoas, presentes no Salão Leste da Casa Branca, de onde ele falava, fizeram mais seis perguntas. O primeiro grupo não teve direito a interação com o presidente, o que provocou críticas.


O democrata não foi o primeiro a responder questões assim -George W. Bush e Bill Clinton tiveram iniciativas parecidas-, mas foi pioneiro na transmissão ao vivo pelo site da Casa Branca. ‘Merece crédito pelo esforço e por romper barreiras’, escreveu Nicholas Thompson, da revista ‘Wired’. ‘Usar a rede como maneira sofisticada de promover a democracia é bastante difícil.’


O encontro foi mais um passo no papel que o analista político da CNN Bill Schneider batizou de ‘político em chefe’. Obama tem passado parte da semana longe de Washington em encontros com a população em cidades afetadas pela crise. Ontem, optou pelo formato virtual, mas a mensagem era a mesma: é preciso aprovar seu Orçamento para que o país não venha a repetir o modelo que o levou à crise econômica atual.


Obama alia as aparições públicas a participações estratégicas na mídia. Já realizou duas entrevistas coletivas em rede nacional, foi a um talk-show, deu longa entrevista a um programa semanal e ontem, depois do ‘encontro virtual’, gravou mensagem parcialmente em espanhol para ir ao ar na emissora hispânica Univision durante uma premiação musical.


Encerrava com a frase: ‘Para los nominados que se preguntan si esta será su noche, les digo, si se puede!’ -vertendo seu slogan de campanha.’


 


 


RELIGIÃO
Reuters


ONU aprova resolução contra a difamação de religiões


‘O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem resolução que recomenda a aprovação de leis contra a difamação de religiões. O texto, proposto pelo Paquistão em nome dos países muçulmanos, foi criticado por governos ocidentais e por uma aliança de grupos ativistas por limitar a liberdade de expressão.


Cerca de 180 organizações religiosas, seculares e de imprensa fizeram campanha contra a resolução, que, afirmam, ‘pode ser usada para silenciar e intimidar ativistas de direitos humanos, dissidentes religiosos e outras vozes independentes’.


A resolução teve apoio de 23 dos 47 membros do Conselho. Onze países rejeitaram o texto, e 13 se abstiveram, entre eles o Brasil.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Blue eyes’


‘A mídia britânica, do ‘Times’ ao ‘Telegraph’ e ao ‘Evening Standard’, da BBC à ITN e à Sky, segue os passos de Gordon Brown.


A Reuters destacou que ele e Lula defenderam Doha e mais estímulo estatal, como quer Barack Obama.


BBC Brasil, a exemplo da Agência Brasil, ressaltou o projeto de um fundo de US$ 100 bilhões para reativar o comércio global.


Mas o que chamou mais a atenção, de ‘Guardian’ e ‘El País’ a manchetes daqui, foi Lula dizer, diante de Brown, que a crise foi obra de ‘gente branca de olhos azuis’ e que não conhece ‘banqueiro negro ou índio’.


O QUE QUER O BRASIL


O correspondente da BBC original, Gary Duffy, destacou que o Brasil vai até Londres para ‘fazer sentir seu peso’.


Deve pressionar por ‘mais voz’ para os emergentes, em instituições como o FMI, além de cobrar recursos para os países mais pobres e a denúncia do protecionismo.


‘LONDON CALLING’


Na ‘Economist’, o editorial ‘London chamando’ ressalta, em suma, que o ‘Comércio vive colapso e protecionismo está em alta: hora de o G20 começar a trabalhar’.


Pede, antes de tudo, evitar conflitos menores. Depois, aumentar os gastos estatais, ‘em parte dando mais dinheiro ao FMI’.


CORJA NO G20


O projeto G20 Voice, de organizações como a Oxfam, conseguiu do Reino Unido uma abertura para 50 blogs do mundo todo, na cobertura do evento.


Do Brasil, foi selecionado o gaúcho A Nova Corja, dos mais críticos e que vem enfrentando uma sequência de processos, inclusive do Banrisul.


DASLU AO SUPREMO


A condenação de Eliane Tranchesi, ‘dona da Daslu’, foi manchete on-line o dia todo. Sites e programas como o ‘SPTV’ sublinhavam seu apelo escrito, ‘Não represento perigo para a sociedade’.


Na Globo, destaque também ao fato de que, segundo a repórter, ‘ela luta contra um câncer’.


No fim do dia veio a notícia de que o advogado pediu habeas corpus ‘e pode recorrer ao Supremo’.


POLÍTICOS SÉRIOS


Fernando Rodrigues, em seu blog, postou que Paulo Skaff, da Fiesp, confirmou a intermediação de doações eleitorais, mas ‘dentro da lei’.


Ele teria sido procurado por políticos ‘sérios’ e com ‘bons projetos para a indústria’.


… E A LISTA


E o blog de Lauro Jardim postou que parlamentares estão ‘sem dormir’ com a possibilidade de sair a lista com o nome dos beneficiados pelas doações da Camargo Corrêa.


Que passariam pelas legendas só ‘para maquiar’.


PAPEL POLÍTICO


O ‘Le Monde’ resenhou ontem ‘O papel político da imprensa no Brasil’, de Giancarlo Summa, jornalista italiano que já assessorou Lula.


Diz o jornal francês que o livro aponta ‘publicações à deriva’ no país, mas foca também ‘a incapacidade da esquerda brasileira de criar seus próprios meios’.


CORTES TEMPORÁRIOS


O ‘New York Times’ deu ontem que ‘planeja cortes temporários de salários’.


É porque está ‘enfrentando uma queda precipitada de receitas’. E o ‘Washington Post’ abriu uma nova rodada de demissões voluntárias.


FINS LUCRATIVOS


Confirmando o que havia prenunciado a ‘Economist’, o Twitter informou via site Business Insider que prepara ‘contas profissionais pagas’, para oferecer aos ‘maiores usuários’ e às empresas. As contas teriam mais atrações.


TROPA DE ELITE


A produtora dos games Call of Duty: Modern Warfare lançou teaser da nova versão.


Como notam blogs, o cenário indica que ele troca o Oriente Médio pelo Rio (acima).


CONSOLE BRIC


‘Financial Times’, jornais de EUA e Europa e sites tipo CNET noticiam o lançamento do novo console de games Zeebo. Visa à classe média dos Brics. E começa por aqui.’


 


 


CRISE
Folha de S. Paulo


Google e jornais planejam cortes de funcionários


‘Com a recessão econômica afetando os seus resultados, o Google anunciou ontem que vai demitir cerca de 200 funcionários dos setores de venda e marketing.


O Google afirmou ainda que os trabalhadores demitidos ‘terão tempo para encontrar uma outra posição’ dentro da própria companhia.


Já o New York Times Company, dono, entre outros, do jornal de mesmo nome e do ‘Boston Globe’, disse que vai demitir cem funcionários do grupo, além de realizar cortes nos salários.


O rival ‘The Washington Post’ também pretende reduzir o número de empregados, mas por meio de programas de aposentadoria antecipada.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


‘Paraíso’ culpa ‘Malhação’ por fiasco às 18h


‘Lançada há duas semanas sob a expectativa de que seria a redenção da Globo às 18h, ‘Paraíso’ ainda não cumpriu a promessa. A novela, que estreou auspiciosamente com 24,5 pontos, perdeu público e, anteontem, registrou só 19,8.


Para o autor, Benedito Ruy Barbosa, um dos culpados é ‘Malhação, que antecede a novela das seis e passa por um de seus piores momentos em seus 15 anos. Anteontem, ‘Malhação’ marcou 16 pontos.


‘Estamos recebendo o horário muito baixo. Ficamos de 10 a 15 minutos dando 16, 17 pontos. Até a novela aquecer, demora. Quando recebo melhor, a novela sobe’, lamenta Barbosa.


Reservadamente, Barbosa também tem feito críticas à direção da novela, a cargo de Rogério Gomes. Anteontem, reclamou de cenas em que Zeca (Eriberto Leão) chorou. Defende que peões não choram à toa.


A Globo também tem recebido críticas de telespectadores insatisfeitos com a direção da trama, que reflete na qualidade da interpretação de atores jovens. Telespectadores apontam ainda narrativa lenta.


Barbosa admite que houve mudanças de hábitos da audiência e que será impossível ‘Paraíso’ repetir o sucesso de 1982. ‘Na primeira vez não tinha TV a cabo nem internet’, lembra. Mas mantém otimismo. ‘Nós vamos chegar lá. Segunda-feira [com acidente que deixará Zeca paraplégico] a novela vai pegar fogo’.


GRITARIA 1


A Globo foi inundada por reclamações contra a edição de ‘Big Brother Brasil’. Muitos protestam que o programa da última terça foi tendencioso ao mostrar Max e Francine como ‘engraçados, bonitos e carismáticos’ e Ana Carolina como ‘birrenta, perseguida’.


GRITARIA 2


Já os ‘inimigos’ de Ana Carolina reclamaram da aparição da mãe dela no ‘Mais Você’, o que, supostamente, favoreceria a participante. Segundo a produção, as reclamações estão equilibradas. Para a direção, isso mostra que o programa está atingindo seus objetivos.


OFICIAL


Saiu o balanço da Globo. Em 2008, a empresa (inclui TV paga) faturou R$ 7,6 bilhões, 14% a mais do que em 2007.


LIMPEZA 1


A Globo vai fazer campanha pela despoluição dos rios de São Paulo, principalmente o Tietê. Seu jornalismo, durante todo o ano, mostrará o que pode ser feito para recuperá-lo. A ideia foi apresentada por Carlos Tramontina, que, em viagem à Coreia do Sul, descobriu que um córrego fétido se transformara em um canal limpo.


LIMPEZA 2


O projeto ‘Rios de São Paulo’ será lançado dia 14 em evento na USP, com autoridades e palestras de engenheiros.


MEXEU COM ELA


A Band realmente passa por boa fase. Anteontem, o ‘Márcia’ chegou a ficar a um ponto da Globo no Ibope. Às 17h11, marcou 6,9, contra 7,8 da Globo. O programa ficou em segundo na média.’


 


 


Luiz Fernando Vianna


Programa traz histórias de deficientes


‘‘Assim Vivemos’, que terá seu terceiro programa exibido no domingo na TV Brasil, conta com uma forte credencial: é um desdobramento do ótimo festival homônimo, que reúne filmes sobre deficiências vindos de todos os continentes. Gustavo Acioli e Lara Pozzobon são responsáveis pela mostra e pelo programa, que tem uma estrutura simples: um perfil curto (dois a quatro minutos) de uma pessoa que se destaca em sua área, seguido de um ou dois curtas-metragens.


O personagem de domingo é Thiago Corrêa Lacerda, 23, que faz faculdade de física apesar da paralisia cerebral. E o filme é ‘O Resto É Silêncio’, do brasileiro Paulo Halm, com atores surdos-mudos. Um trunfo são os simpáticos apresentadores: Moira Braga, jornalista que é deficiente visual, e Nelson Pimenta, ator com deficiência auditiva e que usa a linguagem de sinais.


‘Assim Vivemos’ complementa ‘Programa Especial’, também da TV Brasil, que faz reportagens sobre deficiências e tem uma repórter com síndrome de Down -vai ao ar aos sábados, às 12h, entre outros horários. São programas que podem incomodar os ‘normais’ por causa dos recursos que usam, como a descrição para cegos das imagens. Mas o prazer de conhecer essas histórias destorce qualquer nariz.


ASSIM VIVEMOS


Quando: domingo, 18h30


Onde: TV Brasil


Classificação: livre’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 27 de março de 2009


 


EUA
Efe e AFP


Obama usa internet para defender plano econômico


‘O presidente dos EUA, Barack Obama, levou ontem para o ciberespaço a defesa de seu plano econômico. O presidente abriu um espaço no site da Casa Branca para responder a perguntas de internautas. Cerca de 67 mil pessoas acompanharam o chat pela internet, que também foi transmitido ao vivo por canais de TV a cabo.


A inovação seguiu o mesmo padrão de um encontro político tradicional, chamado de ‘town hall meeting’ nos EUA. Um total de 93 mil pessoas submeteu mais de 100 mil perguntas ao site da Casa Branca.


Durante dois dias, os internautas votaram em suas favoritas, que foram respondidas por Obama. No bate-papo online, ele defendeu o orçamento de US$ 3,6 trilhões que submeteu ao Congresso, prometeu reduzir os custos de seguro-saúde, criar empregos e cortar pela metade o déficit americano nos próximos cinco anos.’


 


 


CRISE
Reuters


‘New York Times’ demite e reduz salários


‘A empresa The New York Times Company, responsável pelo jornal The New York Times, demitiu 100 pessoas ontem e reduziu os salários dos funcionários não sindicalizados em 5% pelo resto do ano. A empresa disse ainda que, se não conseguir que seus funcionários sindicalizados concordem com uma redução semelhante, pode ser obrigada a cortar empregos na redação do jornal.


A notícia se tornou pública com a divulgação de dois memorandos assinados por executivos da companhia e enviados aos funcionários. No mesmo dia, o jornal concorrente The Washington Post anunciou que quer fechar acordos com um número não informado de funcionários para que se aposentem antes do prazo previsto.


As duas empresas estão sentindo os efeitos de uma queda na receita publicitária. A empresa mãe do New York Times enfrenta uma dívida grande e mantém uma operação jornalística cara. O Washington Post, por sua vez, está operando no vermelho.


O grupo New York Times disse que funcionários não sindicalizados do New York Times Media Group, do The Boston Globe e de outras unidades terão um corte de 5% em seus salários. Em outras unidades da companhia, incluindo o Worcester e outros jornais, o corte será de 2,5%.


Estão sendo demitidos cerca de 100 funcionários da área comercial do New York Times. Cerca de 15 funcionários sindicalizados foram demitidos, segundo comunicado divulgado na quinta-feira pelo Sindicato dos Jornais de Nova York. Não ficou claro se essas 15 demissões fazem parte das 100 anunciadas pela empresa.


‘Essa foi uma decisão muito difícil de tomar’, afirmaram o copresidente do New York Times, Arthur Sulzberger Jr., e a executiva chefe da New York Times Company, Janet Robinson, em um dos comunicados. ‘O ambiente em que estamos vivendo é o mais difícil que já enfrentamos em todos nossos anos atuando neste setor.’


A empresa pediu aos funcionários sindicalizados que concordem com a redução salarial e com um aumento de seu tempo de férias. Em uma carta assinada por vários executivos, incluindo o editor executivo do jornal New York Times, Bill Keller, a empresa afirma que a adesão dos sindicatos em Nova York pode ajudar a evitar demissões de jornalistas na redação.’


 


 


AP e Reuters


Google anuncia novos cortes


‘O Google anunciou ontem a demissão de 200 funcionários, o maior corte de sua história, mostrando que até mesmo empresas bastante lucrativas não estão imunes à crise. A empresa, que tem 20,2 mil funcionários, já havia anunciado em janeiro outras 100 demissões. No ano passado, a líder de buscas na internet lucrou US$ 4,2 bilhões, sobre um faturamento de US$ 22 bilhões.


O faturamento do Google depende dos gastos em publicidade, que foram prejudicados pelo esforço das empresas e dos consumidores de gastarem menos dinheiro. Apesar de as receitas do Google terem crescido durante os 15 meses de recessão, analistas acreditam que a empresa vai divulgar sua primeira queda de trimestre para trimestre desde que abriu o capital, em 2004.


Anteriormente, o Google era conhecido pela maneira como gastava dinheiro, mas, recentemente, cortou alguns benefícios dos funcionários, cancelou contratos com terceirizados e fechou serviços que não geravam receita. Ao acabar com sua divisão de anúncios para rádio, em fevereiro, eliminou outros cerca de 40 empregos. A administração do Google também congelou as contratações, depois de acrescentar 17 mil pessoas à sua força de trabalho em quatro anos de empresa aberta.


Os cortes anunciados ontem se concentram na divisão de venda de anúncios. Em seu blog oficial, o Google informou que havia contratado muitos funcionários para as mesmas funções durante o período de rápida expansão.


‘Mudanças desse tipo nunca são fáceis – e reconhecemos que a recessão torna o momento ainda mais difícil para os funcionários afetados’, escreveu Omid Kordestani, vice-presidente sênior de Vendas Globais e Desenvolvimento de Negócios do Google.


‘Quando as companhias crescem rapidamente, é quase impossível fazer tudo certo, e nós não fizemos’, explicou Kordestani. ‘Além disso, investimos em excesso em algumas áreas ao nos preparamos para a tendência de crescimento que experimentávamos naquele momento.’


Um porta-voz do Google disse que a empresa tentará encontrar novos postos para alguns dos empregados demitidos, mas que não poderá fazer isso para todos eles.’


 


 


CHE
Luiz Carlos Merten


‘Filme chega em boa hora aos EUA’


‘Rodrigo Santoro não se esquece da emoção que sentiu ao assistir a Che com uma plateia de 4 mil pessoas no gigantesco Teatro Karl Marx, durante o Festival de Havana, em dezembro. Após a Mostra Internacional de São Paulo, a que compareceu para acompanhar Benicio Del Toro na exibição do díptico de Steven Soderbergh sobre o lendário guerrilheiro, na noite de encerramento do evento, Santoro foi à Espanha para prestigiar, também lá, a estreia do filme. Che bateu a bilheteria dos blockbusters de fim de ano na Espanha e, nos EUA, encontrou seu público na costa Oeste e na Leste. Em Los Angeles, as duas partes foram lançadas simultaneamente. Não houve ainda, pelo menos por enquanto, lançamento no meio-Oeste, onde habita a maioria silenciosa dos EUA, o eleitorado de George W. Bush.


‘O filme foi bem nos EUA’, regozija-se Santoro, que acompanha a performance de Che ao redor do mundo mais do que interessado – entusiasmado. Ele sabe que o filme cuja primeira parte estreia hoje no Brasil é polêmico. ‘Para muita gente, Che é um herói; para outros, um assassino. Steven (Soderbergh) não quis reforçar uma visão nem a outra. Ele busca o homem, o ser humano.’ Em Havana, Santoro e Del Toro fizeram a apresentação do filme e depois foram para trás da tela, observar as reações do público. ‘Afinal, se há um lugar onde as pessoas sabem quem foi o Che, é lá. Foi emocionante. Fiquei quatro dias em Havana, após as exibições, e as pessoas me paravam para conversar, comentar, elogiar.’


Rodrigo vive Raúl Castro, mas não sabe se o irmão do ?Comandante?, que sucedeu Fidel Castro à frente do governo da ilha, assistiu ao filme. ‘Raúl estava fora e, depois, quando voltou a Havana, tinha agenda superlotada. O pessoal do Icaic (o Instituto de Cinema de Cuba) foi muito bacana conosco. Pelo Granma (o órgão oficial), eu acompanhava os compromissos de Raúl e via quanto ele estava atarefado. Não fosse isso, teria ido, na cara dura, à porta do palácio para pedir uma audiência.’ Santoro sabe que ainda é cedo para avaliar se a boa receptividade a Che, nos EUA, tem a ver com a nova administração de Barack Obama. Mas, para ele, o filme chega em boa hora. ‘Há um desejo de mudança e o filme trata de revolução, de uma mudança radical, como o mundo precisa.’


Ele se inflama, mas logo mede as palavras. ‘Completam-se 50 anos da Revolução Cubana. Muita gente é contra, mas basta estar em Cuba, em Havana, para perceber como aquele povo é culto, preparado. Torço para que as mudanças que lá também precisam ocorrer levem isso em conta e preservem esse patrimônio da humanidade’, diz. Opinião muito importante, que Santoro está louco para conhecer, é a de Walter Salles, seu diretor em Abril Despedaçado e produtor em Leonera, de Pablo Trapero. Em 2008, encontraram-se no Festival de Cannes. Leonera passava no início do festival; Che, no fim. Os compromissos impediram que se encontrassem após a exibição do filme de Soderbergh.


O ator lembra que foram sete anos de pesquisa e preparação para fazer Che. Por iniciativa própria, ele foi à ilha para se preparar. Nunca pisou em Varadero, destino turístico por excelência de quem vai a Cuba. Santoro queria saber quem eram os cubanos, quem era esse Raúl, sempre à sombra de Fidel. Depois, durante a filmagem em Porto Rico, ele viveu um dos períodos mais intensos e felizes da sua vida. ‘Steven (Soderbergh) fez o filme em castelhano, com atores de várias procedências de toda a América Latina. Éramos a própria expressão da diversidade cultural, mas também do companheirismo. Steven improvisava o tempo todo, e isso nos mantinha em estado de alerta que, imagino, era o mesmo que os guerrilheiros experimentavam há 50 anos, só que com eles devia ser muito mais intenso, claro.’ Todo dia, após a filmagem, a equipe batia uma bolinha. Unidos pelo futebol. Depois, o filme foi para Cannes. Até quem não gosta de Che, o filme ou o personagem, respeita o trabalho. Como não se sentir orgulhoso?


A entrevista está sendo feita por telefone. Santoro está em casa, no Rio. Ele comete uma indiscrição, conta que está filmando Reis e Rato, de Mauro Lima, diretor de Meu Nome não É Johnny. ‘Mauro não vai gostar que eu tenha falado. Caí de paraquedas no filme, que é uma produção muito barata, rodada num buraco. Mauro pediu o maior sigilo da gente porque quer fazer o filme em duas semanas, sem nenhuma imprensa no set para dividir a atenção. O lema é concentração.’ Ele deve regressar aos EUA para o lançamento de I Love You Philip Morris, de Glenn Ficarra e John Requa, com Jim Carrey. ‘O sucesso do filme em Sundance, em janeiro, foi muito bacana. O público de lá adorou o humor negro. Philip Morris ainda não tinha distribuidor, porque é uma produção superindependente. Espero trabalhar no lançamento, o filme merece.’


Outro trabalho que o empolga é Som & Fúria, que Fernando Meirelles fez como série para a Globo. Na recente premiação do cinema paulista pela Fiesp e pelo Sesi, o repórter encontrou-se com o diretor. Meirelles está remontando Som & Fúria. Santoro inquieta-se: ‘Por quê?’ A Globo gostou tanto que quer esticar o trabalho. ‘Ah, bom’, relaxa o ator. ‘O que sei é isso, eles estão encantados com a série.’ O próprio Meirelles define Som & Fúria como ?muito simples?, a coisa mais simples que já fez. Só atores dizendo textos, mas são grandes atores e grandes textos. ‘Cara, foi uma experiência muito boa. Nunca havia me exercitado muito na comédia, mas com o Fernando houve uma afinidade, foi sensacional. E o texto é uma delícia.’ Santoro participa de 4 episódios. Seu entusiasmo é de principiante. Ele não consegue ser blasé. ‘Ah, não. Faço o que gosto, com pessoas maravilhosas. Espero levar minha carreira sempre assim. O dia em que pensar só em dinheiro, em projeção, é melhor largar tudo.’’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


BBB9 busca recorde


‘Fraco em ibope, mas um sucesso comercial, o BBB9 ainda não alcançou o posto da edição com melhor faturamento do reality.


Segundo o diretor de Desenvolvimento Comercial da Globo, Marcelo Duarte, o BBB4, foi até hoje a edição que mais lucrou na emissora, com um total de 19 ações de merchandisings. ‘O BBB9 pode até passar essa marca, já que está com 18 ações até agora’, fala ele. ‘Como será esticado em mais uma semana, podemos conseguir mais anunciantes.’


Duarte afirma que essa sensação de que o programa tem muitos merchandisings vem da força das ações deste ano. ‘No primeiro BBB, não sabíamos como seria essa inserção. É uma ação de risco quando as pessoas não têm um script’, conta. ‘Mas acabou virando um test-drive de marcas de sucesso.’


Ele ainda conta que os bbbs não são instruídos – nem proibidos – a falarem sobre as marcas, e que, diferentemente de atores e apresentadores, os participantes não recebem cachê pelas ações. ‘Há apenas um adicional embutido no montante que eles recebem no fim do programa, de acordo com o número de semanas que permaneceram confinados.’’


 


 


 


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