Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 11/3

OEA questiona liberdade de expressão no Brasil

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 11/03/2008 na edição 476

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 11 de março de 2008


ATAQUES
Sérgio Dávila


OEA cobra Brasil sobre ameaças à imprensa


‘A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos questionou ontem o governo brasileiro sobre a situação da liberdade de expressão no país. Preocuparam especialmente os quatro membros da CIDH medidas cautelares impetradas por juízes contra jornalistas que poderiam caracterizar censura prévia, proibida pela Corte Interamericana.


A comissão da OEA, cuja função é promover a observância e defesa dos direitos humanos, perguntou ainda às autoridades presentes ontem na sede da entidade, em Washington, sobre que medidas o país está tomando para erradicar restrições indevidas à liberdade de expressão. A CIDH se manifestou após ouvir, junto de três representantes do governo, denúncias sobre esse tipo de restrição feitas por três organizações não-governamentais.


Entre os problemas citados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) e a Article 19, uma ONG de ação global pela liberdade de expressão, estão o uso abusivo de ações de danos morais decorrentes de declarações alegadamente difamatórias por políticos e oficiais de governo e o alto número de ações de difamação propostas por membros de grupos contra jornalistas e empresas de comunicação.


No último caso, foi dado como exemplo a onda de ações de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra a jornalista Elvira Lobato e a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha. ‘Na grande maioria dos casos, esses indivíduos não são identificados nas matérias jornalísticas mas se dizem ofendidos em sua reputação’, disse Paula Martins, da ONG Article 19. ‘O que mais preocupa é a articulação com intuito de intimidar a empresa e o jornalista.’


Foi citada ainda a intenção anunciada pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), de processar a Folha e ‘O Globo’ em vários municípios do país contra reportagens sobre convênios do Ministério do Trabalho com entidades ligadas à central. O diretor da Abraji Fernando Rodrigues, jornalista da Folha, acredita que, em alguns casos, ‘sobretudo em órgãos de imprensa mais modestos, já se observa uma espécie de autocensura pelo temor de não ter recursos de reagir a ações orquestradas como essa’.


Para Camila Serrano Giunchetti, da divisão de direitos humanos do Itamaraty, nesse caso o Judiciário brasileiro tem tido prontas respostas: ‘Muitas ações já foram arquivadas logo na primeira instância, com condenação inclusive do autor por litigância de má-fé’, disse.


Segundo Bartira Meira Ramos Nagado, assistente da Secretaria de Direitos Humanos, de maneira geral ‘o Estado brasileiro entende que o Judiciário brasileiro tem desempenhado sua função muito bem’. Com as representantes do governo concordou Celso Schröder, vice-presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que não enxergou ameaças à liberdade de imprensa no país e preferiu falar sobre concentração da mídia nas mãos de poucas empresas.


Ao final da audiência, Florentín Meléndez, presidente da CIDH, fez pedidos: ‘O Estado tem de tomar medidas para garantir um equilíbrio racional nesse conflito entre a liberdade de expressão e o direito à honra e evitar de toda maneira sacrificar um para garantir o outro’, disse. ‘Queria que o governo brasileiro respondesse se esse é um processo de revisão legislativa ou se estão tomando medidas de outra natureza para garantir esse equilíbrio racional.’


Depois que Brasília responder por escrito às questões, a CIDH pode tomar uma série de ações, desde convocar nova audiência a promover uma investigação in loco, passando por fazer recomendações ao governo para que adote medidas ou, em caso extremo, submeter o caso à Corte Interamericana.


NA INTERNET


www.folha.com.br/080705


ouça a sessão na internet’


 


Folha de S. Paulo


Lupi acusa imprensa de acumular ‘ódio’


‘O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, atacou ontem a imprensa e disse que denúncias a ações de sua pasta são fruto de ‘ódio acumulado’ contra ele. Em discurso na abertura da feira de alimentos 20ª Super Rio Expofood, no Rio, Lupi fez uma comparação do atual crescimento econômico do país com o dos anos de regime militar e afirmou, em tom contrariado, que ‘a liberdade de imprensa está aí para falar verdade e algumas inverdades’.


O ministro disse que as reportagens sobre supostas irregularidades de convênios da pasta do Trabalho com ONGs e fundações -muitas ligadas ao seu partido, o PDT- têm origem em ‘opiniões políticas’.


‘A gente gera [ódio], infelizmente, por pessoas que não pensam como nós, que não gostam da gente. Geramos alguns ódios e a esses que odeiam vou responder com mais trabalho, criação de empregos, combate ao trabalho escravo. Com a consciência tranqüila de quem trabalha para o bem, com honestidade e transparência’, disse, em entrevista.


Questionado sobre de onde vinha esse ódio, respondeu: ‘Vocês é que devem saber mais do que eu, porque são vocês que fazem. Trabalho pela paz e só vejo [ódio] de alguns setores [da imprensa].’


Ao ser abordado por jornalistas em um intervalo do evento, Lupi pediu gentilmente aos repórteres que aguardassem o término da cerimônia. Porém, ironizou: ‘Depois vocês vão falar mal de mim, mesmo… Vocês não gostam de mim’.


Lupi afirmou que não teme acusações. ‘Tenho 30 anos de vida pública honesta, não tenho nenhum tipo de denúncia. Afirmo que dentro do Ministério do Trabalho, sob o meu comando, não há possibilidade de ato de corrupção.’


Ele também alegou ter se afastado da presidência do PDT -medida recomendada pelo Conselho de Ética da Presidência da República, fato que originou a crise- para tentar diminuir resistências contra si.


‘Pedi licença. Tenho mandato até 2009 [no PDT], mas tendo em vista a incompreensão, tanto ódio acumulado, [pensei]: ‘Deixa eu me licenciar para ver se esse ódio amaina’.’’


 


PDT: partido não irá interferir na intenção de Paulinho, diz presidente


‘O novo presidente do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS), disse ontem que a Força Sindical é uma entidade autônoma, sem vinculação com o partido. Por isso, a sigla não irá interferir na intenção do presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, de processar a Folha e ‘O Globo’. ‘Compete a ele tomar a decisão’, disse.’


 


LEI DE IMPRENSA
Miguel Reale Júnior e René Ariel Dotti


Um estatuto da liberdade de imprensa


‘HISTÓRICA LIMINAR do ministro Carlos Britto, referendada pelo Supremo Tribunal Federal, suspendeu a vigência de diversos artigos da Lei de Imprensa (lei nº 5.250/67). Há tempo, discute-se se os crimes contra a honra cometidos por meio de imprensa devem estar incluídos no Código Penal ou em lei especial. Essa última opção foi adotada pela comissão de advogados instituída pela OAB, sob a presidência do ministro Evandro Lins e Silva, para elaboração de um anteprojeto, em vista das peculiaridades que gravitam em torno do universo da comunicação social. O documento foi publicado no ‘Diário do Congresso Nacional’ de 14 de agosto de 1991, seção II, p. 4.763.


Somente lei específica pode disciplinar adequadamente temas essenciais como: a) a responsabilidade civil e penal (relação de causalidade, autoria e participação); b) o que é legitimado pela Lei de Imprensa (art. 27) e não é justificado pelo Código Penal (art. 142), mais limitado ao estabelecer causas de exclusão do crime; c) o exercício dos direitos de resposta e retificação com peculiaridades próprias; d) os direitos, as garantias e os deveres inerentes a fundação, administração e funcionamento das empresas de jornalismo e radiodifusão; e) as concessões, permissões e autorizações para os serviços de radiodifusão de sons e imagens, bem como os casos de suspensão e cancelamento; f) a efetivação dos princípios constitucionais para a produção e programação das emissoras de rádio e televisão; g) a regra de balanceamento de bens para a aplicação do art. 220 da Constituição Federal, que declara a ‘plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social’, porém determina, no mesmo dispositivo, observar os direitos da personalidade previstos no art. 5º, inciso X, e afirmados como invioláveis: a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas.


Não se deve estranhar a proposta de uma lei especial, pois onde não há lei própria, há capítulos e disposições específicas aos crimes praticados por meio da imprensa, como sucede na Espanha. Na Itália, há capítulo próprio no Código Penal e a lei nº 47, de 8 de fevereiro de 1948. Em Portugal, a nova Lei de Imprensa (nº 64/2007) alterou o Estatuto do Jornalista, de 13 de janeiro de 1999. Na França vige, com muitas alterações, a Lei de Imprensa de 29 de julho de 1881.


No campo da permissividade do direito de crítica e de informação, a Lei de Imprensa agasalha a justificativa do interesse público, inadmissível para o crime comum. Como salientava o saudoso Serrano Neves, é da essência da política criticar e ser criticado pela imprensa, visando ao aprimoramento ético e administrativo dos governos. Aspectos da vida privada do homem público podem ser informados pela imprensa, pois se atende a um interesse coletivo.


Além dessas especificidades, há na atual Lei de Imprensa um tratamento mais benéfico no que tange ao direito de ação, pois o prazo decadencial é de três meses e, no crime comum, de seis. Também o prazo prescricional é altamente vantajoso: no direito comum a prescrição, por exemplo, da difamação, segundo a pena mínima, será de dois anos; na Lei de Imprensa, pelo dobro da pena concretizada, será de seis meses.


Argumenta-se que as penas previstas na Lei de Imprensa são superiores às do Código Penal. As penas mínimas são as mesmas em ambos os diplomas: na injúria, um mês de detenção; na difamação, três meses; na calúnia, seis meses. A pena máxima, de rara aplicação, é maior na Lei de Imprensa. Tal se justifica pela maior extensão da ofensa por jornal ou televisão, pois o ataque à honra difundido em veículo de comunicação social alcança número indeterminado de pessoas, o que não sucede em difamação lançada em uma sala ou por carta.


Há, sem dúvida, aspectos ditatoriais na Lei de Imprensa, como o poder de apreensão de jornais ou a incriminação de notícia relativa à segurança nacional, mas não se pode, sob pena de prejudicar a liberdade de imprensa, pretender que o universo da informação jornalística fique limitado ao campo do Código Penal, pois a liberdade de crítica será prejudicada.


A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama em favor de toda pessoa o direito às liberdades de opinião, de expressão e de procurar, receber e transmitir informações por qualquer meio e independentemente de fronteiras (art. XIX). Não é possível confinar essas generosas conquistas num repertório difuso dos crimes e das penas, sem as cláusulas que lhe garantam efetividade.


MIGUEL REALE JÚNIOR , 63, advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP e membro da Academia Paulista de Letras, foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso.


RENÉ ARIEL DOTTI , 73, advogado, professor titular da Faculdade de Direito da UFPR, foi relator do Anteprojeto de Lei de Imprensa encaminhado ao Congresso Nacional pela OAB (1991).’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


São Paulo vs. Rio


‘No ‘Wall Street Journal’, o petróleo ‘avançou mais por território inexplorado’ e foi a US$ 108. Antes, na manchete do ‘Financial Times’, o aviso do Canadá aos EUA para não vetar a importação de uma área de impacto ambiental, senão ‘US$ 106 vai soar barato’.


E na América do Sul a maldição do petróleo avança, agora dentro do Brasil. Na manchete do ‘Valor’, ‘São Paulo reivindica fatia de royalties de Tupi’, já com a reação do Rio. Na manchete do Globo Online, cresceu o conflito verbal, ‘SP briga com o Rio por dinheiro do megacampo da Petrobras’, até ‘SP quer tirar do Rio’.


AINDA É PROMESSA


A BBC preparou por três meses uma série (à dir.) sobre o Brasil e a região, que iniciou ontem na manchete ‘Para América do Sul, liderança brasileira ainda é promessa’.


Seria dele ‘o papel de grande integrador’, inclusive ‘investimento’, cobram do Peru à Colômbia e à Argentina. Mas o Brasil, Lula à frente, ‘parece ter perdido o entusiasmo’. Outros textos da série, já postados, apresentam o país como referência da eleição no Paraguai aos conflitos étnicos na Guiana.


BBC BRASIL, 70


A série celebra os 70 anos da BBC no país. ‘No dia 14 de março de 1938’, a rádio deu a chegada de Hitler à Áustria.


Mas ‘as mudanças mais drásticas’ na BBC Brasil são recentes, com internet e ‘um novo cenário internacional’. Sempre com ‘imparcialidade, transparência e equilíbrio’, sublinha o site da corporação.


IMPÉRIO INTELIGENTE


Mas a BBC Brasil é uma instituição britânica -e sexta passada reproduziu, sobre a fuga da família real ao país em 1808, que, ‘entre franceses e ingleses, d. João escolheu o império mais inteligente’.


Ano passado, deu que ‘os ingleses não foram os maiores mercadores de escravo, como se supõe’, mas os brasileiros.


ESCÂNDALO!


A notícia entrou no site do ‘New York Times’ às duas da manhã, pequena. E no fim no dia, depois de derrubar o site várias vezes, era manchete larga, com tal repercussão que o próprio site linkou, ‘No público e na blogosfera, choque’, ‘Olhar dos canais 24h se volta a Nova York’ etc.


O Politico.com notou que o governador democrata era mantido longe, pela senadora democrata Hillary Clinton.


NOS BASTIDORES


Não demorou para sites de mídia revelarem como foi feita a reportagem do ‘NYT’, com seis repórteres e três editores, inclusive os e-mails. E para especular como ela vair continuar hoje no ‘NYT’.


NO CRAVO


Semanas antes, reportagem semelhante sobre a relação ‘romântica’ do republicano John McCain foi recebida por sites de mídia com acusação de enviesamento. O editor se disse ‘surpreso’ pela reação.


‘CONDIMENTO’


A nova ‘New Yorker’ traz Hillary e Barack Obama, em disputa pelo telefone vermelho. Mas o texto de mais repercussão é de opinião, com a sugestão para McCain conquistar lugar na mídia como os democratas: a idéia é fazer de Condoleezza Rice, secretária que desembarca quinta no Brasil, a sua candidata a vice


O SALÁRIO E A BOLSA


Para o fotógrafo Sebastião Salgado, no Terra, com Bolsa Família ‘houve uma revolução’ e com ‘o salário mínimo hoje… houve uma revolução’. Na manchete de sexta no ‘Valor’, ‘Mínimo e Bolsa Família mantêm renda em alta’ em 2008. Para o ex-ministro Bresser-Pereira, na Folha, o país não cresce pela ‘política macroeconômica’, mas pela exportação -e a ‘política do mínimo e do Bolsa Família’.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Hebe negocia programa na TV de Portugal


‘Apresentadora mais antiga da TV brasileira, Hebe Camargo, 79, negocia um programa em uma emissora portuguesa. Nesta quinta, Hebe embarca para Portugal, onde comemorará seu aniversário com um grupo de 40 amigos em um hotel, na cidade do Porto, reservado exclusivamente para o evento. Aproveitará a viagem para aprofundar as negociações.


Segundo Claudio Pessutti, empresário da apresentadora, o eventual programa português já tem um patrocinador. É esse patrocinador quem negocia com vários canais portugueses a produção e transmissão da atração de Hebe Camargo.


Pessutti diz que o programa português é um antigo sonho de Hebe e, se vier a se concretizar, será igual ao brasileiro, com o famoso sofá, entrevistas e musicais. Para gravá-lo, Hebe está disposta a viajar uma vez por mês para Portugal.


O empresário não vê conflito entre o eventual programa português e o SBT, porque a rede de Silvio Santos não tem canal internacional.


Silvio Santos desistiu de tirar do ar o ‘Charme’, de Adriane Galisteu, e o ‘Fantasia’, como havia anunciado na sexta. Em comunicado ontem de manhã, o SBT informava que o ‘Fantasia’ entrará agora às 14h15 e o ‘Charme’, à 1h. Assim, os programas apenas trocaram de lugar na grade.


TUBÃO


Nem a estréia de Nelsinho Piquet animou a Globo. As três primeiras corridas da Fórmula 1 serão narradas por Galvão Bueno de estúdio no Brasil. Em abril, Bueno se muda para apartamento em Mônaco. Aí passará a cobrir a F-1 ‘in loco’.


RISCO


Setores da Globo já detectaram que a programação que a emissora colocará no ar em abril será mais popular do que nos últimos anos, numa reação ao crescimento da Record. A escolha da ‘diarista’ Claudia Rodrigues para substituir Maria Paula no ‘Casseta & Planeta’ só reforçou esse temor.


PÉ ESQUERDO


Ana Maria Braga estreou ontem o ‘Mais Você’ ao vivo do Rio de Janeiro. Mas perdeu para a Record na prévia do Ibope.


COINCIDÊNCIA 1


Em seu blog, o autor Aguinaldo Silva escreveu sobre as semelhanças entre sua novela, ‘Duas Caras’, e o seriado americano ‘Brothers & Sisters’. A trama de Célia Mara (Renata Sorrah) e Branca (Suzana Vieira) é idêntica à história da série.


COINCIDÊNCIA 2


‘Como entreguei minha sinopse bem antes da estréia de ‘Brothers & Sisters’, o seriado é um plágio de ‘Duas Caras’, afirmou. Não que ‘Duas Caras’ seja um plágio de ‘Brothers & Sisters’ (se fosse, seria uma ótima novela), mas a série estreou nos EUA cinco meses antes de Silva entregar sua sinopse.


É O TOPETE


Com Roberto Justus cantando ‘My Way’, o ‘Show do Tom’ bateu a Globo durante 20 minutos anteontem.’


 


Cristina Fibe


Cineasta xinga o ‘sistema’ em programa


‘O ator Paulo Cesar Peréio estréia a quinta temporada do seu programa de entrevistas no Canal Brasil com o cineasta pernambucano Cláudio Assis, 52, à beira de uma janela, dividindo uma jarra d’água. ‘Sem Frescura’, exibido hoje, às 21h30, busca a ‘informalidade’ na conversa com os convidados.


Assis, diretor que ficou conhecido pelo nada convencional ‘Amarelo Manga’ (2003), fica à vontade para discorrer sobre problemas do ‘sistema’ -leiam-se premiações de cinema, que ‘deveriam ser apenas mostras’, políticas culturais, falta de público e de exibidores para as obras nacionais.


Premiado no exterior, Assis, com uma camiseta cubana, reclama que ‘aqui você é tratado como vagabundo, como louco. E vivam os loucos!’. Peréio o compara a Glauber Rocha, que, para ele, recebeu mais atenção no Brasil depois de ser elogiado lá fora.


‘Aqui querem que a gente obedeça, obedeça, obedeça. Eu digo desobedeça, desobedeça, desobedeça!’, brinca Assis. E os dois continuam a trocar elogios, em ambiente amistoso.


O ator diz ao diretor que ‘não foi fácil’ gostar de ‘Baixio das Bestas’ (2007), o segundo e mais recente longa do pernambucano. Não porque haja algum defeito na obra, mas sim porque a projeção estava ‘ruim’, prejudicando a fotografia de Walter Carvalho.


SEM FRESCURA – CLÁUDIO ASSIS


Quando: hoje, às 21h30


Onde: no Canal Brasil’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 11 de março de 2008


ATAQUES
Roberto Almeida


OEA pede dados sobre processos contra mídia


‘Entidades da sociedade civil foram ontem à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos, denunciar o que entendem ser abusos contra a liberdade de imprensa no País. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em conjunto com as ONGs Artigo 19 e Centro para a Justiça e Direito Internacional (Cejil), apresentou um dossiê para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre casos em que ‘há litigância de má-fé ou abusos jurídicos contra a mídia, jornalistas e ativistas na área de direitos humanos no Brasil’.


Segundo Fernando Rodrigues, vice-presidente da Abraji, a OEA pediu mais informações para o governo brasileiro sobre o motivo da existência de liminares que estão restringindo a atuação de jornalistas no Brasil e aguarda providências. Entre os principais casos citados está o da jornalista Elvira Lobato, do jornal Folha de S. Paulo, que publicou artigos sobre a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. O resultado foi uma avalanche de ações, com mais de 60 processos contra ela e contra o jornal.


No relatório apresentado à organização, as três entidades frisam que, apesar de o direito à liberdade de expressão ser protegido pela Constituição brasileira, existe uma legislação infraconstitucional que regula a matéria desatualizada e inadequada. ‘A Lei de Imprensa data do período ditatorial e apresenta traços de autoritarismo em desacordo com padrões internacionais’, aponta o documento.


Segundo estimativas do portal Consultor Jurídico, sublinhadas pela Abraji, há praticamente uma ação de indenização por danos morais para cada jornalista em exercício nos cinco principais grupos de comunicação. Os dados mostram que, em 2007, eram 3.133 processos num universo de 3.237 profissionais. O valor médio das indenizações quadruplicou, passando de R$ 20 mil, em 2003, para R$ 80 mil, no ano passado.


AÇÕES


Ainda segundo o relatório, informações coletadas pela Artigo 19 – nome inspirado no artigo de número da Declaração Universal dos Direitos Humanos que garante a liberdade de expressão – e pelo Cejil indicam que um número significativo de ações de difamação civis e criminais são propostas por políticos e autoridades de governo, inclusive por um número considerável de juízes. A grande maioria desses casos se refere a declarações sobre temas de interesse público, especialmente corrupção e outros comportamentos irregulares por parte de autoridades. ‘Estamos falando da enxurrada de processos que estamos vendo por aí’, afirma o diretor de liberdade de expressão da Abraji, Plínio Bortolotti.


Uma representante do Itamaraty, que acompanhou a entrega do dossiê na OEA, alegou que as ações são esparsas e o Judiciário tem dado a resposta adequada para repelir eventuais abusos.


A entrega do dossiê é a conseqüência de uma constatação feita pela Artigo 19 em outubro do ano passado. De acordo com uma pesquisa realizada pela entidade, o País é o campeão mundial de ações de indenização por dano moral impetradas contra jornais e jornalistas. Segundo o levantamento, a situação atual da imprensa brasileira é ‘preocupante’.’


 


CRIME NA REDE
Anne Warth e Clarissa Thomé


Espanha prende 5 brasileiros acusados de golpe na internet


‘A polícia espanhola prendeu ontem, em Barcelona, cinco brasileiros acusados de falsificação de documentos, fraudes bancárias pela internet, lavagem de dinheiro e associação ilícita. Por meio de uma fraude conhecida como phishing, eles enviavam e-mails falsos em nome de bancos para obter senhas e números de cartão de crédito de cidadãos portugueses. Com os dados, os criminosos acessavam as contas bancárias pela internet e transferiam dinheiro para contas abertas com documentos falsos no Brasil.


O Ministério do Interior da Espanha divulgou, em seu site, o primeiro nome de cada um dos presos, identificando-os como Warley V.D.S., de Brasília, Suellen S.N.C.B., de Ji-Paraná (RO), Paula T.S., de Goiânia, e Ederson Renato Z.D.O. e Jeferson Ricardo Z.D.O., de Umuarama (PR).


O dinheiro obtido com as fraudes também era utilizado para a compra de equipamentos audiovisuais e de informática necessários para a falsificação de documentos como carteiras de identidade, passaportes, carteiras de motorista e comprovantes de residência. A quadrilha vendia os documentos a brasileiros irregulares na Espanha, que pagavam entre 1 mil e 3 mil para se passar por portugueses que haviam conseguido trabalho na Espanha.


As prisões são o resultado de investigações feitas após a detenção, em outubro, de brasileiros que portavam documentos falsos na cidade de Estella, em Navarra. Uma das brasileiras presas, Silvia Fernanda R.K, tinha diversas carteiras de identidade portuguesas e espanholas falsas, com as quais pretendia solicitar inscrição no Escritório de Seguridade Social da cidade. Em seguida, a polícia descobriu um golpe semelhante no escritório de Barcelona.


DON JUAN DA INTERNET


A Polícia de Repressão a Crimes de Informática prendeu ontem, no Rio, Paulo Roberto Barbosa Figueiredo, de 28 anos, apelidado de Don Juan da Internet. Segundo a polícia, o rapaz se especializou em dar golpes em mulheres na faixa dos 40 anos, que ele conhecia em salas de bate-papo. Ele foi preso ao sacar R$ 1 mil de uma professora de 42 anos, de quem já havia levado R$ 20 mil, alegando dificuldades financeiras. Figueiredo, que foi denunciado pelas amigas da professora, pode pegar de 1 a 5 anos de prisão.


CUIDADOS


Curiosidade: desconfie de e-mails com mensagens que despertam sua curiosidade, como ‘Você está sendo traído’ ou ‘Seu nome está na lista de devedores do Serasa’


Remetente: atenção aos e-mails enviados em nome de empresas ou instituições.


Senhas, números de cartão de crédito e outras informações confidenciais nunca serão solicitadas por e-mail.


Na dúvida, ligue para a instituição citada


Links: procure não clicar em links enviados por e-mail, especialmente se, ao passar o mouse sobre o endereço, aparecer uma caixa indicando que o arquivo é do tipo.exe, .com, .scr ou .Pif.


Proteção: quando fizer operação financeira em um site bancário ou de compras, veja se há um cadeado amarelo ao lado do endereço da página. Sites piratas geralmente não têm essa indicação’


 


Renato Cruz


Nunca abra mensagens do tipo ‘é necessário atualizar seus dados’


‘Cuidado com uma mensagem de correio eletrônico, em nome da Caixa Econômica Federal, com o título ‘é necessário atualizar seus dados’. É golpe. Ela aponta para um site falso, que imita o da Caixa, com o objetivo de roubar informações como números de contas e senhas do correntista.


‘Em hipótese alguma a Caixa Econômica Federal solicita a atualização de dados de seus clientes por e-mail’, alertou a instituição, em comunicado. ‘A Caixa também informa que, recebendo informações sobre o e-mail, são tomadas as medidas necessárias para a exclusão da referida página e notificação dos responsáveis pelo servidor hospedeiro, mesmo quando se trata de domínios internacionais (maioria dos casos).’


O e-mail falso traz a seguinte mensagem: ‘Estamos fazendo algumas mudanças em nossos servidores, por esse motivo é necessária a atualização de seus dados cadastrais para acesso ao InternetBanking Caixa. Para realizar a atualização, basta clicar no link abaixo e preencher os dados solicitados’.


Esse tipo de golpe é chamado de ‘phishing scan’. O delinqüente virtual dispara a mensagem para um grande número de endereços de e-mail, e uma parte dos destinatários acaba clicando no link que leva a um site falso ou à instalação de um programa que rouba informações do usuário. Recentemente, circularam mensagens falsas em nome da Receita Federal, com o título ‘Seu CPF pode ser cancelado’, e do Banco do Brasil, com o assunto ‘Comunicado importante!’.


Segundo Leonardo Scudere, sócio-diretor da CyberBricx e autor do livro Risco Digital, de 3% a 5% das pessoas acabam clicando no endereço indicado na mensagem. ‘Os criminosos usam normalmente listas que são vendidas na internet, com milhões de endereços’, explicou Scudere. ‘O usuário deve conter o impulso de clicar.’ Também é recomendado entrar em contato com a empresa ou instituição que seria autora do e-mail.


De acordo com o especialista, as mensagens com impacto negativo, como a falsa notificação da Receita Federal, costumam dar mais resultado.’


 


DOCUMENTÁRIO
Flávia Guerra


Filme segue trilha de quem viveu e de quem herdou a História


‘Os bisavós de Anna Ren morreram no campo de concentração de Auschwitz, no sul da Polônia. A avó foi prisioneira lá. O avô também. ‘Ela trabalhava na cozinha. Ele era bombeiro. Tinham bons trabalhos. Por isso sobreviveram. Mas se conheceram em campos de trabalho forçado da Alemanha’, conta Anna, que hoje é guia do museu em que se transformou o mais sangrento campo de extermínio nazista da história. Anna, em vez de fazer como a grande maioria dos jovens poloneses, e passar o mais longe possível de uma das grandes feridas que a Segunda Guerra deixou em seu país, preferiu rememorar, e reconstruir, sua trajetória todos os dias. Sem mágoas ou rancores que acometem, compreensivelmente, tantos judeus sobreviventes do Holocausto. Sem a culpa que acomete tantos poloneses não judeus. Anna é a cara jovem de um drama que, terminada a guerra, ainda permaneceu soterrado sob a névoa da repressão ideológica do comunismo, regime que dominou a Polônia após os nazistas deixarem o território.


Por esses belos acasos, ou não, do destino, foi Anna quem guiou, em fevereiro, a equipe do documentário Marcha para Vida em sua visita de reconhecimento pelo complexo Auschwitz-Birkenau, centro de extermínio onde mais de 1,5 milhão de prisioneiros (a grande maioria judeus, elém de outras minorias, como ciganos, homossexuais, presos políticos e até Testemunhas de Jeová) foram assassinados de 1940 a janeiro de 1945, quando o exército soviético libertou o complexo. ‘Minha avó falava o que viu. Foi ela quem quis voltar para Oswiecim (nome polonês da cidade, chamada de Auschwitz pelos alemães). Ela queria ficar perto do lugar onde seus pais tinham morrido. Meu avô virou guarda aqui quando o campo virou museu, em 1947. Gostaria de saber mais. Mas ele era muito calado.’


Traumatizada, uma geração se calou. Com décadas de silêncio, muitos relatos se perderam. Hoje, com a abertura política da Polônia (que após a queda do comunismo, em 1989, tem se disposto a debater temas como o Holocausto), o resgate da história das milhões de vidas que se perderam para o nazismo, assim como o de milhares que sobreviveram, é tarefa desta nova geração. E o resgate começou há quase 20 anos, em 1988, quando sobreviventes do Holocausto resolveram pegar pela mão seus jovens descendentes e percorrer com eles a trilha da morte que vai de Varsóvia (capital, no norte da Polônia) até Auschwitz-Birkenau (na Cracóvia), passando por campos da morte como Treblinka, Majdanek, até chegar a Israel. Nascia a Marcha para Vida, que, desde então, ganha mais peregrinos a cada ano. Para este, estima-se que cerca de 15 mil pessoas farão o percurso e se encontrarão em uma cerimônia em Auschwitz em 1º de maio.


E são os 20 anos desta peregrinação que Marcha paraVida (o documentário) vai contar. Engana-se quem pensa que será um filme restrito a uma comunidade. ‘Mais que uma bela história, Marcha faz uma leitura jovem da guerra. E revela o que pensa a juventude que herdou esta experiência, como assimila o que ocorreu e como celebra a vida, sem esquecer o passado terrível por que passaram seus avós. E este é um tema que interessa a todos pelo caráter histórico e humano’, declara o produtor LG Tubaldini Jr.


A realidade a que se refere o produtor pode também parecer distante do brasileiro. Mas vale lembrar que a comunidade judaica no Brasil é de cerca de 120 mil pessoas e que todo ano cerca de 400 jovens brasileiros participam da Marcha. Este número vai aumentar em 2008, quando também são comemorados os 60 anos do Estado de Israel.


Marcha marca também um caso raro do cinema nacional. A produção de um documentário brasileiro e internacional ao mesmo tempo. O documentário foi idealizado pelo publicitário Márcio Pitliuk e tem produção da Latinamerica Internacional e da Conspiração Filmes. A direção, no entanto, fica a cargo de uma jovem americana, Jessica Sanders (que concorreu ao Oscar de melhor curta em 2002 por Sing e foi premiada em Sundance 2005 com o documentário After Innocence). Mas o filme não é só internacional por contar com diretora americana, equipe brasileira e ser rodado em vários países. A meta é também atingir o público pelo mundo. Esta é uma tendência forte que vem sendo firmada pela nova geração de produtores brasileiros. Marcha tem orçamento de cerca de R$ 3 milhões, deve ficar pronto no fim do ano e participar de festivais de cinema no Brasil e no exterior. Previsões audaciosas, mas à altura de uma produção que será rodada em formato HD digital (e ser transferida para película 35 mm) e passar por quatro países: Brasil, EUA, Polônia e Israel. ‘A primeira fase começa agora em abril. Jessica chega e já começam as entrevistas com os participantes brasileiros da Marcha’, conta Tubaldini. ‘Em seguida, volta para os EUA, onde realiza entrevistas com os americanos. Voltamos para a Polônia no fim de abril e percorremos a Marcha até chegar, em maio, a Auschwitz, onde haverá uma cerimônia com participantes e líderes políticos de todo o mundo’, explica o produtor paulista. ‘A fase final será em Israel, onde a Marcha chega a seu objetivo que é não remoer com mágoa e rancor os horrores por que passaram os judeus, mas celebrar a vida. É transmitir para as novas gerações a história que foi terrível, mas sem esquecer que este é um caminho que celebra a reconstrução’, completa Jessica. ‘Sempre quis saber mais sobre a Marcha. Não havia informação. Resolvi contar esta vivência. E a parceria com o Tubaldini foi crucial’, diz o publicitário, que conheceu o parceiro de projeto em 2006, quando o produtor montou sua peça Iidiche Mamma Mia. ‘Escrevi a comédia para falar das diferenças, e semelhanças, entre a comunidade judaica (já que eu sou judeu) e italiana (minha mulher é filha de italianos). E propus ao Tubaldini documentar a Marcha’, conta Pitliuk, que, com o fotógrafo Márcio Scavone, vai editar também um livro fotográfico sobre a Marcha.


Superada a primeira fase, a dupla partiu para a Polônia. ‘Precisávamos conhecer o terreno em que queríamos semear. Descobrimos lugares incríveis e que ainda há histórias maravilhosas que precisam ser contadas’, acrescenta o produtor, revelando-se, em uma comparação grosso modo, mas não equivocada, uma espécie de Oskar Schindler brasuca. Aderiu ao projeto por profissionalismo e acabou se apaixonando pela cultura judaica. ‘Achei que seria um grande desafio, mas, principalmente nesta última viagem, percorrendo todos os campos e conversando com tantos especialistas e pessoas comuns que viveram este drama, virei um entusiasta’, confessa ele, que, com Pitliuk, Jessica, a produtora-executiva Valéria Amorim e Scavone refizeram, em fevereiro, os caminhos da Marcha em uma viagem não só de ‘pesquisa de locação’, mas de descobertas e encantamentos.


A repórter viajou a convite do governo polonês’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


A nova casseta


‘Nem Luana Piovani, nem Juliana Paes, muito menos Grazi Massafera. A mais nova casseta é Cláudia Rodrigues. A ex-Diarista foi escolhida pela trupe dos cassetas para substituir Maria Paula durante sua licença maternidade. A atriz, grávida de seu segunda filho, já se afastou das gravações.


O nome de Cláudia foi uma sugestão da diretoria da Globo, uma vez que a volta de A Diarista ao ar foi novamente adiada por tempo indeterminado.


Grazi, que estava bem cotada para a vaga, não pôde aceitar porque pediu férias à Globo logo após o termino de Desejo Proibido. Juliana Paes também já estava envolvida com outros projetos quando foi sondada pelos humoristas.


Cláudia, que foi convidada pelos cassetas há poucos dias, aceitou participar e até já se reuniu com a produção do humorístico.


A idéia é que ela estréie no lugar de Maria Paula em abril, quando o Casseta & Planeta retorna de férias.


A intenção da humorista é voltar a ter um programa só seu no segundo semestre. Cláudia não esconde que gostaria de ressuscitar A Diarista, com novo elenco e direção, mas a Globo estuda dar a ela uma nova atração.’


 


 


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